Che Guevara

9 Comments



      Contra ti se ergueu a prudência dos inteligentes e o arrojo dos patetas
      A indecisão dos complicados e o primarismo
      Daqueles que confundem revolução com desforra

      De poster em poster a tua imagem paira na sociedade de consumo
      Como o Cristo em sangue paira no alheamento ordenado das igrejas

      Porém
      Em frente do teu rosto
      Medita o adolescente à noite no seu quarto
      Quando procura emergir de um mundo que apodrece

      Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"



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9 comentários:

Tchale Figueira disse...

O poema é forte...
Criam-se mártires: Crito para os cristãos, Che Guevara para os comunistas... Obama como idolo dos que acreditam que o Mundo vai melhorar...

Creio que a condição Humana é o que é, nada da bestialidade humana me surpreende. Trite verdade João!!!!!

Anónimo disse...

Eu acho que o que o poema quer dizer é que Che pertenceu a uma casta de homens que já não aparecem nos dias de hoje, independentemente da ideologia que defendia. Digam-me lá, nos dias de hoje, onde é que encontramos jovens, com coragem para se embrenharem no mato, privados de tudo o que é comodidades, de arma em punho, a defender uma pátria ou uma causa irmã? Eu por mim não vejo em lugar nenhum nas sociedades de hoje. Podem dizer-me que há os jovens que se enchem de bombas e suicidam-se, mas ainda nesses casos duvido se têm a convicção sobre a causa porque morrem. São marionetas nas mãos de homens com propósitos que a meu ver nada têm a ver com amor a uma causa, mas sim com delírios fanáticos, machismos hipócritas e interesses ecocómicos. Há jovens sim na guerra, mas obrigados, ou pela obrigatoriedade do serviço militar, ou por falta de opção de carreira profissional, ou mesmo devido a ditaduras desumaans que os educam desde crianças a irem lutar contra "moinhos de vento".

Homens como Che devem ser referência, não tanto pela ideologia, mas pela coragem quando jovens, força de espírito, despreendimento e amor ao próximo, valores que nos dias de hoje andam pelas ruas da amargura.

E como tais deviam ser "publicitados" por esses valores, e não como simples molduras humanas com forte potencial comercial.

Eu pessoalmente admiro o Che, assim como admiro os jovens nacionais que tiveram na altura coragem de abandonar os seus projectos pessoais para se embrenharem nas matas da Guiné e lutar pela independênca de Cabo Verde e Guiné, como sejam Amilcar Cabral, Aristides Pereira, Abílo Duarte, Pedro Pires e outros para não me alongar, independentemente da sua ideologia.

A César o que é de César!

Piminitinha

nmribeiro disse...

è sempre um prazer ver e ler este blog, obrigado pela partilha.

Miguel Barbosa disse...

Quantos homens especiasi, pais de familia, terá o Che matado?

CCF disse...

Muito belo este poema da Sophia!
~CC~

Álvaro Ludgero Andrade disse...

Ah se a poetisa fosse a Cuba não como turista, e falasses com os muitos orfãos made by Che Guevara. O idealismo do médico argentino morreu quando chegou ao poder, como todos os políticos, ao fim e ao cabo.

Anónimo disse...

E quantos matou Bush? E quantos matou Pinochet? E quantos matou Bin Laden? E os Thugs em Cabo Verde? Quem vai à guerra, não é concerteza apenas para apanhar! A grande questão é que qualquer guerra, seja ela qual for é um atentando à humanidade e não deviam existir, isso é certo. Mas pensemos naqueles caso em que há ditaduras terríveis ou massacres irracionais a populações. Nesses casos não há outra forma senão a guerra para pôr termo a essas situações, e evidentemente que baixas na população civil certamente ocorrerão.


Verdeana

Miguel Barbosa disse...

Estão todos perdoados, então!
Poetas, ao trabalho!

zito azevedo disse...

Pois é...A História está repleta destas coisas, umas mais monstruosas do que outras, todas elas crueis no saldo final que, estranhamente, não é muito relevante, desde que o rótulo da acção seja convenientemente progressista ou contra-status!