Café Viajando no Tempo

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De vez em quando, algumas prosas fazem-nos viajar no tempo, ou pelo menos, nos lembram tempos idos, de outras eras. Isto daria para rir, se não fosse tão sério. E por ser tão sério, por vir de quem vem, abstenho-me de mais comentários, apenas sublinhando algumas partes de um regulamento publicado esta semana pelo Ministério da Cultura de Cabo Verde, para o que se pretende venha a ser a obra cultural do Estado mais emblemática da presente legislatura (quiçá da década).

Eis os termos de referência do concurso público para o designado "Monumento à Liberdade":

1. O Monumento deve ser de estrutura imponente, com uma dimensão e um porte de destaque, com blocos, colunas, baixos e alto relevos, escadarias, torres, esculturas e estátuas, em bases de dimensões que possam servir para cerimónias públicas.

2. O Monumento deve retratar a história e vivência do povo cabo-verdiano ao longo do tempo, desde a colonização das ilhas, com referências às várias faces desta história: a colonização, a escravatura, a emigração forçada, a fome, a estiagem, a luta contra o analfabetismo, a luta armada, a independência nacional, a reconstrução do país, a luta para o desenvolvimento e progresso e a liberdade, etc.

3. O monumento deve ser de fácil descodificação e compreensão, mas com alto valor artístico e arquitectónico.

4. Deve ser um espaço de visitável que dê para se fazer uma espécie de peregrinação histórica.(...)


Post Scriptum: não, isto não é gozo. Estes são mesmo os termos de referência do "monumento à liberdade" publicados na imprensa este fim-de-semana. Estou muito curioso por saber o que tem os nossos artistas plásticos a dizer deste texto. Escher (a imagem é inspirada neste artista) haveria de gostar deste concurso. Ou não.




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5 comentários:

Marco Além disse...

Bom dia João.
Mais uma vez vou salgar o meu arroz. (risos)
Quanto ao ponto 3, Valor arquitectónico nunca terá. Poderá ter sim valor escultórico, uma vez que a sua finalidade não é servir de abrigo para o homem ou seus bens(...). Da mesma forma que uma ponte por exemplo, não é uma obra de arquitectónica mas sim de engenharia.
Quanto aos critérios, são os de um país ultra moderno, virado para o passado com medo de se adaptar ao futuro.
Que a semana seja de paz.

Anónimo disse...

Acho melhor não fazer qualquer comentário...!

a) RB

Tchale Figueira disse...

Aqueles piolhos da cultura podem fazer a obra esles próprios. Se já sabem o que querem como é que o artista pode concorrer? Não dão margem a CRIATIVIDADE do Artista... tudo já está defenido!!

CAMBADA DE JERICOS EM DELIRIO!!!!!!!

JB disse...

Ninguém liga, ninguém quer saber. É absolutamente espantoso...

Anónimo disse...

Não vejo mal nenhum em estabelecer um ponto apartir do qual o artista pode dar asas a sua imaginação. Afinal trata-se de uma obra sob "encomenda"que deve conciliar a criatividade do artista com a historicidade de um povo, com a "singela" pretensão se ser imponente.

Am i wrong?

A questão é qual o artista que aceita tal desafio incluindo na sua obra os elementos referidos de tal maneira que pareça que os "tais" nunca foram mencionados.

Após esse episódio segue-se uma serie de "flâ" "flâ" depreciando a obra quando esta for inaugurada



Que ganhe o melhor projeto

Txusca!!!