Declaração Cafeana

8 Comments



No final da tarde de Sábado, estive na livraria Nho Eugênio, para a abertura de exposição de fotografia de Helder Paz Monteiro, linhas do horizonte. Belíssima exposição, paisagem a preto, branco e laranja, arte em forma de imagem, numa abordagem que revela talento, sensibilidade e alma. O espaço da livraria é propício a um bom convívio, as pessoas que se deram ao trabalho de lá ir não deram por perdido o seu tempo, ou seja, uma bela forma de passar um fim de tarde.

De noite, um pouco mais tarde, quase que por acaso, entrei no bar Blue Note, mesmo em frente ao hotel onde me encontrava hospedado. E vi - e sobretudo ouvi - Quim Alves e Tó Alves com os seus convidados, num ambiente agradável, proporcionarem momentos ímpares de boa música, transversal a todos os géneros musicais cabo-verdianos. Que belo concerto! Mais uma vez, um excelente ambiente, bom gosto e a alma que se deita alimentada.

No dia seguinte, Domingo, na esplanada Sofia, encontro o "Conde" Arménio Vieira, a quem se junta o artista plástico Mito, para uma amena cavaqueira sobre arte e, sobretudo, cinema, Nomes de filmes, de actores, de divas do ontem e de hoje, uma cultura cinéfila extraordinária (não a minha, obviamente) e no final, o direito a uma oferta do poeta, o seu último livro editado pela Caminho em Portugal na sequência da atribuição do Prémio Camões, "O Poema, A Viagem e o Sonho." Bela foram de passar um Domingo cheio de Sol.

Depois de uma semana terrível para a cidade da Praia, com os cidadãos em choque por causa de violentos episódios ocorridos nos dias anteriores, quero apenas dizer isto, mesmo que possa parecer uma redundância sem qualquer significado: a arte é, cada vez mais, o caminho e alimento para a construção de um mundo diferente, desenvolvido, sem a violência e o terror que, tantas vezes, a própria natureza humana impõem a si mesmo.



You may also like

8 comentários:

Celeste disse...

Ai que inveja...eu, uma jovem, a viver em São Vicentem estava precisamente a comentar, há umas horas atrás, que aqui em São Vicente, aqueles que são viciados em cultura, morrem de tédio...meu Deus, se não fosse, modéstia a parte, criativa, acho que detestaria viver em São Vicente, não acontece nada de jeito. A propósito João Branco, e outros, podem me dizer onde posso encontrar o romance do Mario Lúcio, o Novissimo Testamento, que tristeza, já bati perna pelas livrarias todas de São Vicente e algumas da Praia e não encontro. Aliás, poucas pessoas, sabem que o Mário Lucio ganhou um prémio...simplesmente triste...

Caboverdiano disse...

Ola JB! bo teve um fim de semana interessant. Um gosta de quel ultimo frase de quel ultimo paragrafo,

"...a arte é, cada vez mais, o caminho e alimento para a construção de um mundo diferente, desenvolvido, sem a violência e o terror que, tantas vezes, a própria natureza humana impõem a si mesmo."

Bom início de semana pa bô e Margoso.

Abrass!

Pss disse...

No primeiro comentário foi dito "Em S.Vicente não acontece nada!". Como assim ????? Então e as macacadas da Presidente da Câmara não são nada ? Ela que tanto diz que S.Vicente tem um feeling cultural muito especial. Então e os grandes músicos que S.vicente tem ? Há pois ... esses tipos estão nos Bares dos Hotéis a tocar as mesmas musiquinhas desde vá lá ... 1983 ? Então e os pintores ? Pintores ? Então e os escritores ? Pois ... pois ... temos mesmo é só feeling cultural especial porque produção que é bom ... népia

JB disse...

Nem tanto ao mar nem tanto à terra: há muita coisa boa acontecendo no Mindelo. Há tertúlias, há exposições, há apresentação de filmes, há peças de teatro, há concertos de música com alguns dos mais virtuosos deste país, sejam eles veteranos ou mais jovens. Há também muita falta de valorização do que se passa ou, se quisermos, alguma alienação (não estou a dizer que é o caso do último comentador. Neste caso, apenas digo que o meu optimismo militante não me permite concordar com essa visão catastrófica da realidade cultural de Soncent.)

Pss disse...

Vamos á música: Quando é que se viu um Concerto de música digno desse nome em S.Vicente ? Quantos concertos houve em S.Vicente no ano 2009 ? Os músicos de S.Vicente são como todo o resto que existe por esse ilha anda onde como eu sempre digo VALE MAIS PARECER DO QUE SER. Eu não vou a esses bares de hotéis há uma eternidade. Mas se quiseres ainda posso dizer-te qual o alinhamento dos espetáculos dos Baus, Voginhas, Vlús e Cia.
De MUITO LONGE em longe há um filmezinho do Leão Lopes para animar os intelectuais da Rua de Lisboa e transversais. Há alguams exposições que vão aparecendo lá para aquele sítio chamado de Centro Cultural. E é isso e POUCO mais a extensa produção que existe em Mindelo. Muita garganta, muita garganta e pouquinho trabalho, pouquinho trabalho. E esse o Lema que deveria estar escrito á Entrada da Cidade do Mindelo.

Celeste disse...

Claro que acontecem coisas, de quando em vez, aliás até a minha agenda acha um tédio a vida por cá, porque fica sempre vazia, quando a comparo com a minha agenda, quando estou em Lisboa, por exemplo. Claro que é preciso valorizar o que temos, por isso que sou como pipocas, estou em "todas as festas", isto é, em tudo o que acontece de cultual. MAS JOÃO E OUTROS, podem me dizer onde encontro o livro do Mário Lúcio, estou tão curiosa de o ler!!! mas aqui na cidade cultural, Mindelo, não há...

JB disse...

Por acaso, posso referir-te vários concertos digno desse nome em Soncent, mas dou-te três bons exemplos, todos muitos diferentes:

1. Concerto do quarteto de cordas interpretando músicas de cãmara de Vasco Martins, com este no piano. Academia Jotamont

2. Concerto com músico senegalês Mamadou e seus convidados, numa mistura de afrojazz com sonoridades tradicionais do Senegal, Grande momento! Academia Jotamont

3. Concerto de Hernani Almeida na Marina do Mindelo.

Celeste, o "livro" do Mário lúcio nem sequer foi ainda editado. Ele concorreu a um concurso, ganhou o prémio, mas que eu saiba ainda não foi editado. Nem aqui nem em Portugal. Mas posso estar enganado.

Pss. por acaso o CCM estava a abarrotar com gentes de muitas proveniências, desde pessoas de bairros que trabalham para o Carnaval, passando por estudantes e artistas, além de interessados que sempre vem a estas sessões. Por acaso também, os tais intelevtuais da Rua de Lisboa RARAMENTE aparecem em eventos deste tipo....

Margarida Conde disse...

bom post... no meio de tanta desgraça há que valorizar os momentos positivos, porque também os há. aproveito para deixar uma nota sobre o espectáculo de homenagem a Ano Nobu, que vai decorrer no liceu de S. Domingos, amanhã, a iniciar às 18h00, contando com a participação de Manuel Candinho e Paulino Vieira.