Excelente o tratamento dado pelo jornal A Semana ao assunto da carta anónima que denuncia as negociatas dos terrenos via CI. Analisou a carta, ouviu o contraditório e deu a notícia de que afinal Manuel Pereira Silva poderá não ser o novo presidente do Conselho de Administração da Cabo Verde Investimentos, como parecia ser certo. Ficamos a saber que é provável que o Ministério Público faça, no mínimo, averiguações; lemos as justificações de Victor Fidalgo, da Stefanina e Manuel Pereira Silva; e finalmente ficamos a saber que Fátima Fialho, actual Ministra da Economia, e uma das principais visadas neste dossier, mandou dizer, através de uma asessora ministerial, que não vai comentar "o assunto". Fez muito bem o seu trabalho A Semana e faz muito mal a senhora ministra em não dizer nada já que, no mínimo, deve explicar aos cabo-verdianos qual o seu papel em todo este imbróglio. Agora que cada um tire as suas conclusões.



Há algo de (muito) podre no "Reino da Dinamarca"*?


À melhor resposta, ofereço um café 


*alusão a uma frase de Hamlet, de Shakespeare, referente à "podridão do poder"




Com peso tal, não me ajeito;
Dá-me, Sísifo, vigor!
Embora eu tenha valor,
A Arte é larga e o Tempo Estreito.

Longe dos mortos lembrados,
A um obscuro cemitério,
Minh'alma, tambor funéreo,
Vai rufar trechos magoados.

— Há muitas jóias ocultas
Na terra fria, sepulturas
Onde não chega o alvião;

Muita flor exala a medo
Seus perfumes no degredo
Da profunda solidão.

Charles Baudelaire, in "As Flores do Mal"






A nona crónica da série Conversas de Café, publicada no semanário A Nação, já está disponível, aqui. E é para mim, um texto com grande significado, já que se trata do meu "Manifesto Teatral".

Boa leitura, se for caso disso.





Ponto de partida: odeio panfletos, sejam de que tipo e género forem. Vivo numa cidade que tem um quê de masoquista, porque gosta de se auto-flagelar de tempos em tempos com papeis absurdos e coloridos que circulam pela Rua de Lisboa. A versão crioula da peça de Frederico Garcia Lorca, "A Sapateira Prodigiosa" foi encenada há alguns anos como chamada de atenção para a riola, essa doença social que assola os lugares pequenos onde todos conhecem toda a gente e são primo ou prima de alguém. 

Detesto esse ditado popular do fumo e do fogo a que tanta gente se agarra para crucificar presumíveis culpados e inocentes, cujo estado de culpabilidade ou de inocência não interessa realmente a ninguém desde que se possa assistir a esse medieval espectáculo de ver gente massacrada na praça pública, com as cabeças cortadas na guilhotina da má língua e da cobardia. Fazer fumo é fácil e há imenso fumo sem fogo, sim senhor. É o que mais há por aí e os especialistas boateiros sabem disso muito bem porque tem inúmeras técnicas infalíveis de fazer fumos da mais variada espécie.

Só quem já foi vítima deste tipo de "estratégia" sabe onde é e como dói. Há quem cruze os braços e se ria quando vê o seu nome envolvido em romances de cordel ou teorias da conspiração, mas há quem sofra, há famílias, lares, carreiras profissionais destruídos por causa destas pseudo denúncias cobardes atiradas para a rua sob a capa da defesa da transparência e dos bons costumes.

Vivemos num Estado de Direito. Cabo Verde, que se saiba, não é uma República das Bananas. Pessoalmente, não acredito que o venha algum dia a ser porque este povo já mostrou inúmeras vezes como combater os seus próprios defeitos e vícios, fazer o bem prevalecer sobre o mal, a coragem vencer a cobardia, a competência ganhar aos pontos à arrogância. Se há roubos, corrupção, compadrio, tráfico de influências, negócios escusos, dinheiro sujo que se denuncie pelas vias legais. Há mecanismos para isso. No dia em que deixarmos de acreditar nisso, então podemos esquecer de tudo o resto e enterrar definitivamente esse projecto lindo chamado Cabo Verde.





Vem aí mais um mês com muito teatro:







A RAINHA — Despe-te, bom Hamlet, desse luto, e deita olhar amigo à Dinamarca. Não prossigas assim, de olhos caídos, a procurar teu nobre pai na poeira. É lei comum, tu o sabes; quantos vivem, passam da natureza para a vida da eternidade.

HAMLET — É lei comum, realmente, minha senhora.

A RAINHA — Então, se é assim com todos, que te parece estranho nesse caso?

HAMLET — Não parece, senhora; é. Não conheço “pareces”, boa mãe. Nem esta capa sombria, nem as vestes costumeiras de solene cor negra, os tempestuosos suspiros arrancados do imo peito, as torrentes fecundas que me descem dos olhos, o semblante acabrunhado, nem todas as demais modalidades da mágoa poderão nunca, em verdade, definir-me. Parecem, tão-somente, pois são gestos de fácil fingimento. Mas há algo dentro em mim que não parece. Tudo isso é roupa e enfeite do infortúnio.

Shakespeare in "Hamlet" (Acto I, Cena II)


Ilustração de Derya Öztürk



Os mais sérios que me desculpem, mas o humor é fundamental...











Tendo em conta quem se costuma sentar no banco dos réus, 
poderemos comparar este a um motxinha*?


À melhor resposta, ofereço um café (obrigado, Zito Azevedo, pela inspiração)


*motxinha: nome crioulo dado aos mais simples bancos de madeira individuais




"De profano não tem nada. Nem quando as pessoas fizeram batuque na Sé, nem quando mostro as minhas pinturas no Convento. São actos culturais e não de vandalismo ou profanação. O Bispo achou que sim, mas o património da Cidade Velha é do Estado de Cabo Verde, ou seja, de todos nós. Estamos num país laico. O mais triste foi o Ministro da Cultura pedir publicamente indulgência ao Bispo. Creio que os políticos fazem campanha eleitoral durante 365 dias neste país."

Tchalé Figueira, a propósito da sua exposição Onírico, na Sé Catedral da Cidade Velha (in A Nação)


Comentário Cafeano: Grande Tchalé. Disse o que precisava de ser dito e o que muita gente parece esquecer. Cabo Verde é, constitucionalmente, um país laico. Artigo 48º da CR, alínea 3: "As igrejas e outras comunidades religiosas estão separadas do Estado e são independentes e livres na sua organização e exercício das suasactividades próprias, sendo consideradas parceiras na promoção dodesenvolvimento social e espiritual do povo cabo-verdiano."





Funcionários Públicos


Era uma vez...

4 funcionários públicos chamados Toda-a-Gente, Alguém, Qualquer-Um e Ninguém.

Havia um trabalho importante para fazer e Toda-a-Gente tinha a certeza que Alguém o faria. Qualquer-Um podia fazê-lo, mas Ninguém o fez.

Alguém se zangou porque era um trabalho para Toda-a-Gente.

Toda-a-Gente pensou que Qualquer-Um podia tê-lo feito, mas Ninguém constatou que Toda-a-Gente não o faria.

No fim, Toda-a-Gente culpou Alguém, quando Ninguém fez o que Qualquer-Um poderia ter feito.

Foi assim que apareceu o Deixa-Andar, um 5º funcionário para evitar todos estes problemas.




Eis os resultados da décima sondagem do Café Margoso

Pergunta: Qual o nome de baptismo do computador crioulo?




Número total de votantes: 71

Resultados:

    Kriolbyte - 26 (36%)
    Starlet - 3 (4%)
    Djagacida - 15 (21%)
    Micau - 17 (23%)
    Nhonhozinho - 8 (11%)
    Moranguinho - 4 (5%)

E prontos. O nome do nosso computador, fabricado em Cabo Verde, ou pelo menos com utilização da ciência e capacidades do pessoal do N.O.S.I., está escolhido, a julgar pelas opiniões dos clientes do Café Margoso. KRIOLBYTE. Ta soa gent dret n'ovid, n'é dvera?





Não resisti...


Brevemente:







Um Governo Sombra que está na sombra e ninguém vê, não reflecte, como dizer, uma forma um bocadinho esquisita de fazer Oposição?


À melhor resposta, ofereço um café


A propósito da bárbara agressão a Margarida Moreira:









"O erotismo é uma das bases do conhecimento de nós próprios, tão indispensável como a poesia."

Anaïs Nin


Imagem: "Erotic Ballet Boots" de John Tisbury






A propósito, disse o advogado Amadeu Oliveira em entrevista ao semanário A Nação que "a justiça hoje não funciona nem com batota." Preocupante.




Quando se escolheu o tema da insegurança, optei por escrever sobre o local onde as agressões contra pessoas, principalmente mulheres e crianças, são mais frequentes: dentro das nossas próprias casas.

E pronto: eis que sou confrontado com esta notícia chocante, sendo certo que situações como esta acontecem todos os dias em Cabo Verde com outras mulheres e crianças mais "anónimas". A jornalista Margarida Moreira foi violentamente agredida dentro da sua própria casa, pelo seu próprio companheiro (?), um guarda prisional, imagine-se! "A única arma que tenho é a denúncia e a justiça. Quero apenas que se faça a justiça", disse a jornalista, prometendo levar o caso até as últimas instâncias.

Cobardes os indivíduos que usam a força para fazer valer os seus "pontos de vista".


A notícia completa aqui.



«Ai, Madalena, porque te foste embora?»






Num estudo realizado em 2006 pelo Instituto Nacional de Estatística ficamos a saber que cerca de 22% das mulheres cabo-verdianas foram vítimas de violência doméstica nos 12 meses anteriores. Ou seja uma em cada cinco mulheres. Na ilha do Fogo, segundo um estudo noticiado pela A Semana em Outubro do ano passado, 43% de mulheres de alguns dos bairros críticos de S. Filipe são agredidas fisicamente dentro das suas próprias casas. A agressão física mais comum são "os socos". As que apresentam queixa à polícia são ainda uma minoria, o que quer dizer que o índice de denúncia dos crimes de violência por parte das mulheres é bastante baixo, ainda que nos últimos anos tem vindo a aumentar devido à influência da comunicação social e ao resultado do trabalho realizado por diversas instituições.

Quase todas as semanas somos confrontados com notícias de crianças violentamente agredidas, violentadas, vítimas de abusos sexuais, obrigadas a trabalhar pedindo ou roubando na rua, e a trazer o produto para casa, sob ameaça de progenitores. Não há dados oficiais, mas não me espantaria nada que a grande maioria das ocorrências com crianças agredidas que vai parar às urgências hospitalares ou aos centros de saúde, ocorram dentro das suas próprias casas. O velho conceito de lar doce lar já deu o que tinha a dar.

Tudo isto para dizer que se queremos falar de (in)segurança temos que começar com o olhar de dentro. Está mais do que provado de que os maiores perigos estão confinados ao domínio doméstico. Muita desta realidade é de alguma forma abafada ou passada para segundo plano, por causa dos thugs, dos cassubodys, dos traficantes ou dos assassinatos por encomenda. Mas a violência doméstica na sociedade cabo-verdiana é um fenómeno transversal. Pode estar acontecendo neste momento na casa do nosso vizinho. E o que fazemos nós? Como em muitas outras situações, calamos. A verdade é que muitas mulheres, velhos e crianças tem monstros a dormir debaixo ou mesmo dentro das suas camas.



Sean Penn

Um actor fantástico. Cada filme, uma transfiguração. O melhor? A interpretação no filme "21 gramas". Um actor a sério. Merece cada grama do segundo Óscar que levou esta madrugada para casa. Além disso, é um ser humano de excepção, como muito bem lembrou Robert de Niro, esse outro monstro sagrado do cinema.






81ª Cerimónia de entrega dos Óscares

Foi uma cerimónia fantástica e como se esperava o filme "Slumdog Millionare" foi o grande vencedor da noite. Com muitas inovações relativamente aos anos anteriores, destaca-se a forma como foram entregues os quatro prémios dedicados à interpretação. Cinco anteriores vencedores(as) em cada uma das categorias entram e cada um deles(as) faz um elogio público a um seu(sua) colega de profissão, olhando para ele(a). Comoventes os elogios de Sophia Loren a Merly Streep, ou de Robert de Niro a Sean Penn, só para dar dois exemplos. Essa capacidade de elogiar o outro, principalmente quando esse outro é nosso concorrente ou desenvolve a sua actividade na mesma área de intervenção é sempre algo de louvar e nesta cerimónia notável os quatro momentos das apresentações e entregas dos Óscares de Melhor Actor Principal, Actriz Principal, Melhor Actor Secundária e Melhor Actriz Secundária foram os melhores de uma noite memorável. Até para o ano.

Tudo sobre os Óscares 2009, no sítio oficial. aqui




Hoj, dia 21 de Fevrêr, é
Dia Internasional d'Línga Materna

O poeta falou e disse:

"Notícia de última hora: depois de anos de debates encarniçados, em que foram utilizados os mais diversos argumentos, tais como peidos, arrotos, sovacos fedorentos, placas dentárias postiças, próteses ortopédicas, que provocaram inúmeras baixas dos dois lados da barricada, e deixaram sequelas visíveis, tais como iliteracia galopante, gaguez acentuada, entre os refractários, na pronúncia das palavras onde foram suprimidas as consoantes não-articuladas, a competente autoridade linguística reunida em conciliábulo, e assessorada por venerandos dicionários, gramáticas prontuários e guias, decidiu-se por um referendo para se determinar a nova grafia da língua portuguesa. Desconhece-se ainda o resultado da votação que teve lugar esta manhã em todos os territórios onde se fala o idioma. O ambiente geral é de expectativa calma, embora, reunidos na taverna dos poetas malcheirosos, uns diacríticos colocados na lista dos empecilhos a remover, reclamaram o seu direito à desobediência civil. No caso de as suas reivindicações não serem atendidas, equacionam marchar incansavelmente sobre todos os textos a produzir no futuro até que a razão lhes seja reconhecida. Mais desenvolvimentos depois dos folguedos do rei momo."


O debate continua, aqui


Imagem: foto de Baluka Brazão





Num dia totalmente dedicado ao cinema, venho aqui contar-vos o que me aconteceu ontem quando vi o filme "O Estranho Caso de Benjamim Button", realizado por David Fincher. Chorei que nem um perdido. Chorei durante o filme. No final do filme. E passado algumas horas ainda estava nesse estado de pieguice aguda, sem perceber muito bem o que me estava acontecendo. Certo que já passei por isto noutras situações e também é por isso que gosto tanto de cinema. Há filmes assim, que tem esta capacidade, de nos provocar uma catarse interior, seja através do riso, do choro, da emoção ou do temor.

Este filme conta-nos a história de Benjamin Button (interpretado por um Brad Pitt, de quem nunca fui grande admirador, mas que merece certamente a nomeação deste ano para os Óscares) nasceu de forma incomum, com a aparência e doenças de uma pessoa em torno dos oitenta anos mesmo sendo um bebê. Ao invés de envelhecer com o passar do tempo, Button rejuvenesce. Tem uma vida no inverso. O protagonista caminha numa estrada com dois sentidos, onde ele é o único a dirigir-se numa direcção. O resto da humanidade caminha no sentido contrário.

Porque comoveu tanto este filme notável? Porque é que quando acabou, a minha primeira reacção foi ir ver e afagar as minhas filhas que dormiam, a leste desta angústia que me consumia? Andei o dia todo a pensar nisso e cheguei à conclusão que este é um filme que nos ensina a viver com aquela que é a principal característica do ser humano: a sua própria imperfeição.

Como qualquer um que por aqui ande, sou um ser humano terrivelmente imperfeito, que procura melhorar todos os dias. É natural que haja momentos em que não consegue. Sei que sou um tipo às vezes irritante, ausente, basofo, ignorante, precipitado, injusto, incoerente, que tem muitas dúvidas e se questiona constantemente. Mas luto por melhorar. Na arte, na criação, nos relacionamentos com os outros, principalmente em relação aos que me rodeiam e estão por perto. Por isso vos peço, tenham lá mais paciência comigo. Não venham para aqui com pedras na mão e os dedos prontos para comentar furiosamente o próximo deslize. No fundo, sou alguém cheio de boas intenções. Mas destas, sei bem, está o Inferno cheio.


Bom fim-de-semana






O filme "Quem quer ser Bilionário?", o favorito ao triunfo, domingo, em Los Angeles, nos Óscares, não atraiu os espectadores na Índia e irritou um país que detesta que os holofotes apontem para a sua imensa pobreza. "'Quem quer ser Bilionário?' deve ser considerado como um das maiores fantasias gratuitas imaginadas sobre a Índia no século XXI", critica o realizador K. Hariharan, num artigo chamado "Orientalismo para um mercado mundial", publicado esta semana no jornal "The Hindu". "Para a maioria dos espectadores ocidentais esmagados pelo peso da crise económica mundial, o conto de fadas sobre a face mais sórdida da Índia deve certamente servir como uma orgia de purificação", continuou.

A longa-metragem do britânico Danny Boyle recebeu os principais prémios nos EUA e no Reino Unido, e poderá receber domingo o Óscar de melhor filme, enquanto as receitas americanas se aproximam dos 100 milhões de dólares. Mas a Índia - com a ambição de se tornar uma superpotência e com orgulho no seu crescimento - não gosta do filme que a imprensa local qualifica como "pornografia da pobreza" - num país onde 455 milhões de habitantes sobrevivem com menos de 1,25 dólares por dia.

A super estrela do cinema Bollywood Amitabh Bachchan denunciou o filme por revelar a "face sombria" de uma "Índia que brilha": miséria, violência, máfia, droga ou corrupção. Pelo contrário - defendeu-se Vikras Swarup, o autor do romance "Q&A" em que "Quem quer ser Bilionário?" se baseia, em entrevista à AFP - "[o filme e o romance] é a história do triunfo de um herói, um Zé Ninguém dos bairros de lata que triunfa contra todas as expectativas."

O representante de uma associação de habitantes de um bairro da lata do estado indiano Bihar, Tapeshwar Vishwakarma, apresentou queixa, em final de Janeiro, contra o actor indiano Anil Kapoor e contra o compositor da banda sonora, A. R. Rahman, por considerar que o filme "viola" os direitos do homem e a "dignidade" dos pobres. "O senhor Vishwakarma não espera nada de bom vindo de um realizador britânico, já que os seus antepassados já nos qualificavam de ‘cães'", explicou o seu advogado, Shruti Singh, referindo-se à colonização britânica que terminou em 1947.

As centenas de milhar de habitantes de Dharavi, em Bombaim, o maior bairro de lata da Ásia, onde decorreu a rodagem do filme, vê "Slumdog Millionaire" com indiferença. "Um filme é um filme. É para fazer sonhar", respondeu Raju Walla, 38 anos, junto ao abrigo onde vive com 21 pessoas. "'Quem quer ser Bilionário?' é muito diferente da realidade", afirmou.

Cá está. A velha questão do olhar de dentro e do olhar de fora. Qual olhar? Ainda não vi o filme, mas a contradição entre o sucesso fora da Índia e a contestação dentro do país que pretende retractar, incentiva um debate que vai muito além do cinema.

E é muito provável que domingo receba mesmo o Óscar para o Melhor Filme de 2009.


Fonte: Público




Vem aí a grande noite do cinema mundial, e por isso, hora certa para esta bela colecção de imagens intitulada "Great Performers", pelo fotógrafo Paolo Pellegrin (por ordem de aparição, Robert Downey Jr, Kate Winslet, Brad Pitt, Sean Penn, Mickey Rourke e Penélope Cruz):



















Veja a galeria completa aqui





«Enquanto, submetidos que andamos à monstruosidade, quase não conseguimos levantar os olhos e ver à nossa volta para decidir o que havemos de fazer e como havemos de aplicar o que de melhor existe nas nossas forças e na nossa actividade, e enquanto nos fizer falta o mais elevado dos entusiasmos, que só pode existir se não for de natureza empírica, há-de continuar a haver, não digo dragões, mas pelo menos vermes miseráveis a roer o nosso quotidiano

Johann Wolfgang von Goethe, in «Máximas e Reflexões»





Quem são e onde estão os rebeldes cabo-verdianos?


À melhor resposta, ofereço um café





Finalmente consegui ver o filme "Vicky Cristina Barcelona", de Woody Allen (obrigado, Adriano!) e confesso que fiquei um pouco desiludido. A história é banal, nas interpretações salva-se uma competente Penélope Cruz e pouco mais. Eis o que retirei do visionamento:

1. Depois do espantoso "Match Point", Woody Allen nunca foi o mesmo;
2. Depois da estonteante sequência em que aparece pela primeira vez no filme "Match Point", Scarlett Johansson, nunca mais foi a mesma;
3. Javier Bardem é mais competente a fazer de psicopata do que de artista frustrado; além do mais, pode ser muito charmoso, mas no filme vê-se claramente que não tem jeito nenhum para beijar uma mulher;
4. Penélope Cruz merece a nomeação aos óscares, e é o melhor do filme;
5. Scarlett Johansson é canhota e continua bela, mas anda a repetir personagens;
6. A narração ao longo do filme é irritante;
7. Nalgumas passagens aquilo mais parece um postal turístico sobre Barcelona do que um filme de um dos melhores realizadores americanos de sempre;
8. O tão falado beijo entre Penélope e Scarlett não aquece nem arrefece. Filmado sob uma ténue luz vermelha de uma câmara escura, dá a sensação de ter sido uma oportunidade histórica perdida de se captar, para a posteridade, a cena mais erótica da história do cinema. Agora, fica para a próxima.





Dicionário do Diabo Margoso



Futuro
O tempo em que os nossos negócios prosperam, os nossos amigos são sinceros e a nossa felicidade é garantida.

Ambrose Bierce in "Dicionário do Diabo"

Muitos Galos para um Poleiro










"Se a crise global continuar, para o fim do ano somente dois bancos ficarão operacionais: o Banco de Sangue e o Banco de Esperma! Mais tarde estes dois bancos serão fundidos num só, internacionalizado e passará a ser chamado:

The Bloody Fucking Bank"


Autor desconhecido


Fotografia: Rufen Afanador





O que os faz correr?


1. Nos últimos meses fomos agraciados com campanhas eleitorais acesas, disputadas e com alguma polémica à mistura, relacionadas com as juventudes partidárias cabo-verdianas. Ambas as disputas tiveram ampla cobertura na comunicação social, mormente nos jornais e envolveram meios financeiros nada negligenciáveis.

2. Candidatos investiram em outdours. Muitos viajaram pelo país tendo percorrido as ilhas de lés a lés. Encontros com a juventude. Com os millitantes. Organização dos Congressos. Cada uma das disputas teve três candidatos, algo nunca visto nos seniores.

3. Temos que aplaudir toda esta movimentação, se sempre nos queixamos do desleixo e do desinteresse dos jovens pelos problemas do país. Mas quando vejo os estudantes que temos (e peço desculpa desde já pela generalização, sempre injusta para com aqueles que estudam a sério), quando vejo que a grande maioria dos Liceus e Pólos Universitários não tem associações de estudantes, onde os seus interesses e direitos sejam defendidos, fico um pouco confuso.

4. Sabem, participei em campanhas eleitorais no Liceu e no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa. Eram eleições disputadíssimas, com amplo debate, discussões de questões académicas, problemas dos estudantes, em particular e dos jovens, em geral. Era ali, no universo estudantil que se começava a "ganhar calo" para as disputas políticas, no bom e nobre sentido do termo.

5. Parece-me, pois, que a juventude cabo-verdiana está (ainda) pouco motivada para o debate político. Para discutir e debater os seus problemas. Quantos conhecemos entre os 16 e os 20 anos de idade, por exemplo, interessados em esgrimir argumentos sobre os reais problemas do seu próprio país? Quantos?

6. Se não houver nenhuma diferença na forma de fazer, na motivação, no conceito, nos alvos, entre as juventudes partidárias e os respectivos partidos, então tudo isso não passará de um grande circo mediático que pouco servirá ao país, muito menos à sua juventude. E quanta juventude temos em Cabo Verde!

7. O Amilcar Tavares, no seu blog, coloca-nos uma questão pertinente: segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, cerca de 60% da população de Cabo Verde tem menos de 24 anos. Aproximadamente 300 mil pessoas. Ora, o lider da JPD, Juventude para a Democracia, tem 32 anos e o lider da JPAICV, Juventude do PAICV, tem 33 anos. Estarão preparados para falar para - e em nome de - tanta gente?

8. Ao que parece o presidente da JPD assim que soube dos resultados do congresso do partido "rival", tratou de escrever ao recém eleito líder da JPAI, congratulando-se com os resultados e propondo encontros e debates sobre e com a juventude cabo-verdiana. Penso que foi uma boa maneira de iniciar um relacionamento que os distinga do algum radicalismo que caracteriza o existente entre os partidos maiores.

9. É urgente promover debates e encontros entre os jovens, dentro das escolas. Faz um bocado de impressão que estes se reunam e organizem apenas quando é preciso arranjar dinheiro para festas de finalistas. Ser estudante tem que ser mais do que isso. É preciso contestar. Para contestar é preciso estar-se informado. Para se estar informado, é preciso ter interesse. É tão simples quanto isso. Não havendo interesse à partida, toda esta cadeia de reacção fica comprometida.

10. Aqui entram, ou deviam entrar, as organizações de juventude, e não apenas as partidárias. Porque senão continua-se a pensar, provavelmente com alguma legitimidade, que estas disputas pouco tiveram de altruistas e foram apenas concretizadas para legitimar mais uma subida na escada do poder.

11. Finalmente dizer que não farei juizos de valor sobre nenhum dos dois candidatos vencedores, porque não os conheço, mas depois de tudo isto, apetece perguntar, o que faz correr estes dois rapazes?


Mindelo, 18 de Fevereiro de 2008






Há filmes que nos fazem apaixonar. "Ligações Perigosas", do realizador inglês Stephen Frears, é um deles. Um filme de 1988, ou seja, com mais de 20 anos (já passou assim tanto tempo?!). Ficamos apaixonados pela qualidade da realização, da direcção de arte, do guarda roupa, do argumento e, fundamentalmente, da interpretação. Nunca Glenn Glose foi tão maquiavélica, nem John Malkovich tão sedutor. Tanto um como outro terão tido aqui as melhores interpretações das suas carreiras. Num filme onde também aparecem, ainda verdes, Uma Thurman e Keanu Reeves.

Ah, e ficamos apaixonados, de forma absolutamente arrebatadora pela própria Michelle Pfeiffer que sofre como uma condenada, sofre primeiro para resistir, depois sofre para se penitenciar. Nunca o sofrimento pelo amor foi tão puro e tão belo. Até hoje, já lá vão 20 anos.






Quando Obama soube disso, ficou assim:









1. Um estudo realizado na Itália e confirmado pelo Vaticano mostra que a soberba é o pecado mais comum entre as mulheres, enquanto a luxúria é o mais frequente entre os homens. No lado masculino, a gula e a preguiça aparecem em seguida. Entre as mulheres, a inveja e a ira são também os pecados mais usuais. "Os homens e as mulheres pecam de maneira diferente", escreveu Giertych, teólogo pessoal do papa Bento 16. "Quando olhamos os vícios do ponto-de-vista das dificuldades que eles criam, descobrimos que as experiências masculinas são bastante distintas das femininas." O mais interessante é que esta pesquisa foi baseada numa análise das confissões dos fiéis da própria Igreja Católica. (Fonte: aqui)

Comentário Cafeano: eu se fosse mulher protestava. Isto quer dizer que os homens só pensam em sexo, em comer e dormir enquanto que as mulheres só se preocupam com a sua imagem no espelho, e na comparação desta com a das outras mulheres. Será mesmo assim? Seja como for, viva o erotismo e a luxúria!


2. O cardeal português D. José Saraiva Martins indicou ontem que a "homossexualidade não é normal" e reiterou que as mulheres que pensem casar com muçulmanos precisam de ter "muita cautela", manifestando-se "totalmente de acordo" com um aviso idêntico feito há um mês pelo Cardeal Patriarca de Lisboa. "A homossexualidade não é normal, temos que dizê-lo (...) Não é normal no sentido de que a Bíblia diz que quando Deus criou o ser humano, criou o homem e a mulher. É o texto literal da Bíblia, portanto esse é o princípio sempre professado pela igreja", defendeu. (Fonte. aqui)

Comentário Cafeano: bem, o que não é realmente normal, é este tipo de discurso da Idade Média em pleno século XXI. É que isto não tem nada a ver com teologia. É preconceito, puro e simples. Aliás, é por estas e por outras que a Igreja Católica, tal como está, continua a perder fieis e a radicalizar o seu discurso. Perto deste Papa, o João Paulo II era um radical de esquerda.





Um professor de filosofia, parou na frente da classe e sem dizer uma palavra, pegou um vidro de maionese vazio e o encheu com pedras de uns 2 cm de diâmetro. Olhou para os alunos, e perguntou se o vidro estava cheio.

Todos disseram que sim.

Ele então, pegou uma caixa com pedregulhos bem pequenos, jogou-os dentro do vidro agitando-o levemente, os pedregulhos rolaram para os espaços entre as pedras. Tornou a perguntar se o vidro estava cheio.

Os alunos concordaram: agora sim, estava cheio!

Dessa vez, pegou uma caixa com areia e despejou dentro do vidro preenchendo o restante. Olhando calmamente para as crianças o professor disse:

- Quero que entendam que isto simboliza a vida de cada um de vocês. As pedras são as coisas importantes: a vossa família, amigos, saúde, filhos, enfim, todas as coisas que preenchem a vida. Os pedregulhos, são as outras coisas que importam: como o emprego, a casa, um carro, os bens materiais mais importantes. A areia, representa o resto: as coisas pequenas. Experimentem colocar, a areia primeiro no vidro, e verão que não caberão nem as pedras nem os pedregulhos. O mesmo vale para as vossas vidas. Priorizem cuidar das pedras, ou seja, do que realmente importa. Estabeleçam as vossas prioridades. O resto é só areia! 

Após ouvirem a mensagem tão profunda, um aluno perguntou ao professor se poderia pegar o vidro, que todos acreditavam estar cheio, e fez novamente a pergunta:

- Vocês concordam que o vidro está realmente cheio?

Onde responderam, inclusive o professor:

- Sim está!

Então, ele derramou uma cerveja dentro do vidro. A areia ficou ensopada, pois a cerveja foi preenchendo todos os espaços restantes, e fazendo com que o frasco desta vez ficasse realmente cheio. Todos ficaram surpresos e pensativos com a atitude do aluno, incluindo o professor.

Então ele explicou:

- O que eu quero dizer com isto é que não importa o quanto a vossa vida esteja cheia de coisas e problemas, sempre sobra espaço para uma cervejinha! 

Recebido por mail


Nota cafeana: quero dedicar esta história a todos os meus amigos e amigas que não estão aqui, como hei-de dizer, à mão de semear, e com quem me apetece, de quando em quando, beber uma cerveja estupidamente gelada e partilhar as coisas boas da vida. 



Ler o texto de Onésimo Silveira na última edição de A Semana, onde este elogia sem qualquer hesitação Carlos Veiga foi, como poderei dizer, hum, uma experiência transcendental, diria mesmo metafórica, quiçá meteórica, que tão cedo não esquecerei. Depois desta, se me disserem que o mundo não é redondo (e portanto, sujeito a dar muitas voltas), não acreditarei.


Há por aí gente com lentes que namoram a minha cidade...



Bela imagem do Monte Cara, tirada a partir do Porto Grande. Dois símbolos maiores do Mindelo.




Muito boa
, esta...



Há por aí muuuitos especialistas, não há?






O Alupec já é, pela força da Lei, o alfabeto cabo-verdiano.
E agora?


À melhor resposta, ofereço um café

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