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"O estudo da língua cabo-verdiana não prejudica o português", - defende professora. Antes pelo contrário, favorece a aprendizagem da língua portuguesa.

A professora Júlia Pereira comprova esta tese no seu estudo "Alfabetização de crianças cabo-verdianas na língua materna" levado a cabo no âmbito de um doutoramento na Universidade de Extremadura (Espanha).

Ler notícia completa, aqui


Se esqueço a minha língua materna
E as canções que o meu povo canta
Para que servem os meus olhos e as minhas orelhas?
Para que serve a minha boca?
Se esqueço o cheiro da terra
E não lhe sou útil
De que me servem as minhas mãos?
Que faço neste mundo?
Como pude admitir a insensata ideia
De que a minha língua é fraca e pobre
Se as últimas palavras da minha mãe
Foram pronunciadas em evenki?

Alitet Nemtushkin, um poeta evenki (minoria étnica da China)





Carta de uma mulher a seu marido embarcado em baleeira

"Meu quirido esposo da minha triste coração.

Receber onte sua carta que Narciso trazer e incommenda que me mandei, dezejar saúde e fortuna. Eu ficar bom e nós filho.

Minha marido, dentro da minha peto tenho na meu coração, uma lambique de prata, de palmanhã estar ferbendo cudado de tarde estar estilan sodade. Senhor eu ten muito que dizer mas senhor só de nha boca pa de sel, mas pacencia, dentro da minha peto in ten 24 gabetinha abrir com sodade fichar com cudado, in ten tanto sodade dél cumá conto folja tibe n'um albre, sodade é ambre é tambre é doce é sucre é mel, ma pacencia só cu boca terá fim, in ten tanto sodade dél cuma ôque el tâ subi na mastro de meio e cu ta subi na altura de Barras branca ai triste bide d'uma muljer sem sé marido, mas in stâ razando brija Maria pa trazeme el pa nu bem gozar nós casamento, se Deus prometer estou no "cutello Longavulonva" qui ca tem sono pa dormir, ai sede ai sodade qui acima é Deus, baxo de Deus é senhor que é minha Pai e mais e tudo, carta que tenho mandado é desenove, cum agora eu mandar um garrafa de ago de chero de Lavadura e um saco com mil qulidade de ramo, ter tanto sodade cuma canto estrella ter na ceo cuma pexe que ter na mar cuma que ter na lanxa cumâ arêa que ter na Praia, cuma canto pancada mar ta dei, ai mar di sodade, ai mar de baleia, désta sua muljer de vida unte a morte"

Cidade do Mindello, de S.Vicente de Cabo Verde, 31 de Julho de 1884»


Fonte: "Breves Estudos Sobre O Creôlo Das Ilhas de Cabo Verde" de autoria de Joaquim V.Costa de 1886. Um agradecimento ao Artur Mendes que nos fez chegar esta pérola.



*Diazá: termo do crioulo que significa, «há muito tempo».





Escreve o (conceituado) jornalista brasileiro Luiz Carlos Azenha, numa crónica publicada na íntegra pelo Djinho Barbosa, no Son di Santiagu: «Em Cabo Verde a população fala crioulo (95% português, 5% palavras de idiomas africanos). O português como falamos no Brasil é coisa dos letrados.» E pronto! Já está, nem é preciso dizer mais nada.

Daqui se percebe como é urgente a implementação de um Instituto da Língua Cabo-verdiana, porque há algo de errado na forma como estas informações sobre a língua são vinculadas, nomeadamente em muitos "guias turísticos". Até porque é uma contradição enorme: se 95% do crioulo é português e o português é coisa dos letrados, será que somos todos analfabetos de duas línguas e ninguém sabia? Haja saco para tanta leveza de argumentos!







Dentro da cacofonia inconsequente que tem caracterizado o debate sobre a oficialização da língua cabo-verdiana, vão aparecendo algumas posições e ideias que, não só contribuem para o debate por trazerem ideias novas, como incentivam a investigação e a promoção de medidas válidas e concretas para o avanço que todos querem na dignificação do crioulo. Na última semana apareceram duas posições sobre esta problemática que penso serem interessantee condensar neste modesto café:

1. Germano Almeida, que tem sido um dos maiores críticos da forma como o processo de oficialização tem sido conduzido defende uma ideia que, aparentemente, é paradoxal com o que vem defendendo nos últimos anos. Germano Almeida defende o ensino do português como língua estrangeira, uma vez que entende que a língua corre perigo, ao contrário do crioulo. O escritor cabo-verdiano considera que a língua oficial não é falada correctamente, apesar de ser o instrumento que mantém o povo cabo-verdiano em contacto com outros países. Germano de Almeida, em entrevista à Lusa, afirmou que no arquipélago há a ideia de que a população é bilingue, "o que não corresponde a verdade". (notícia completa, aqui)

2. O pessoal académico da Tertúlia Crioula, por sua vez, defende a necessidade urgente da implementação de um Instituto da Língua Cabo-verdiana. Por sua vez, José Luís Hopffer Almada, poeta e jurista, um dos defensores do projecto para uma língua cabo-verdiana, do grupo de trabalho que criou o alfabeto “Alupec”, para a sua escrita, lembrou os princípios da Unesco quanto ao respeito e aceitação das línguas maternas. Disse que “é necessário passar-se de uma diglossia para o bilinguismo” e que existe autorização legislativa para que o crioulo seja ensinado normalmente nas escolas em Cabo Verde. (reportagem, aqui)

Tudo isto é muito interessante e devo dizer que as duas posições acabam por ser até concordantes ou, no mínimo, caminham uma na direcção da outra. É que, se for implementado o ensino do português "como língua estrangeira", como afirma Germano, isso implicará necessariamente "que o crioulo seja ensinado normalmente nas escolas de Cabo Verde", como defende Hoffer Almada.








Hoje, dia 21 de Fevereiro, como habitualmente tem acontecido no Café Margoso, assinala-se o Dia Internacional da Língua Materna, aproveitando a data para lançar mais algumas achas para esta fogueira, onde qualquer opinião se transforma facilmente em gasolina, tal é a forma apaixonada - e tantas vezes inconsequente - com que se debatem as questões relacionadas com o crioulo.

Aqui, hoje e mais uma vez, declaro o meu reiterado amor pela língua cabo-verdiana, impregnada no mais íntimo do meu ser, quase 18 passados da minha vivência diária e quotidiana com um país que adoptei e escolhi para viver e trabalhar e que no futuro, certamente será o chão e mar por onde as minhas cinzas serão espalhadas. Dizer que as experiências teatrais que mais me marcaram estão indubitavelmente ligadas ao conceito de crioulização - relacionado com a arte cénica - e que considero as adaptações teatrais que fizemos na língua cabo-verdiana de peças como Casa de Bernarda Alba ou Sapateira Prodigiosa, de Garcia Lorca; de Romeu e Julieta ou Rei Lear, de Shakespeare; Médico à Força, de Molière; e À Espera de Godot, de Beckett, dos momentos mais felizes e inspiradores do meu percurso enquanto homem do teatro.

A minha língua materna é o português, como é natural. Mas foi em crioulo de Soncent que chorei a morte de quem me transmitiu as primeiras palavras, no funeral da minha mãe. É em crioulo de Soncent que comunico e me relaciono diariamente com as minhas duas filhas, é em crioulo de Soncent que sonho, que discuto, que lamento, que amo. A aprendizagem, primeiro, a imersão, depois e a impregnação que se seguiu da língua cabo-verdiana na minha vida transformou-me num homem mais rico, mais musical e mais feliz. Sou, também por isso - mas não só - um defensor incondicional da oficialização da língua cabo-verdiana, embora continue a dizer que a forma como o processo foi conduzido transformou o debate num ruído de fundo, onde todos gritam e ninguém se escuta.

Resta dizer que, não sendo linguista, não quero entrar no rol do acho isto ou acho aquilo sobre como se deve fazer para se dar maior dignidade institucional à língua materna do povo das ilhas. E sublinho o institucional, porque não há cabo-verdiano nenhum que não ame incondicionalmente a sua língua, seja qual for a sua posição relativamente a esta matéria. Não há heróis nem vilões nesta história. E penso que a dignidade passa sobretudo pela questão do ensino e de se criar as condições para que as crianças possam aprender a ler e a escrever na mesma língua primeira com que aprenderam a falar.

Dito isto, quero aqui reiterar que se tivesse que levar para um local deserto um, e apenas um, poema no bolso, escolheria, sem pestanejar este poema de Eugénio Tavares, que diz assim: Amor é carga? É carga grande, má el câ pesado! É culpa fundo, má el câ pecado!... Deus que fazel, el câ condenal! É Deus, nós Pai, el é que tempral… É Deus, é Deus que fazê Amor, El ca fazel pa bota cachor… Amor é culpa? Má el ca pecado, el cã perdição, Pamode é escada de salbação… Ami, de meu, já erguem nha bida… Ami, de meu, já limpam nha Céu… Se el é nha culpa, el ca nha pecado, Se el dam cudado, el lumiam nha bida…







Stória de Cinderela na linga de Soncent

(ou como contar a história da Cinderela às crianças de São Vicente para que não nos chamem gente bedje)


Já tem um data de time, tinha um eskurinha que sê pai já tinka rankód pa nha merkinha, entom el tive ke fcka ta môra ma kel chunga de sê madrasta e kesh sacana de sês irmã de criação (filhas de sê madrasta).

Cinderela (Cindy p'á maltas), tava vive móda se el tava estóde na djelz, tude dia na lómba e sem time pa mandá uns mail pa gang.

Ke tude es trapaiada na sê vida, tude o ke Cindy kria era fgi d'casa e ranki, mod sê madrasta tava tral merda. Entom um dia Cindy fcka ta sabe que maltas d'zona tava ta organiza um fistinha de kel bom. El fcka logue atente na muve, ma kesh filha de sê madrasta bai logue te cortal eskema.

Ai, el fcka flipóde, ma depôs de andá um time desanimóde, sômá um fada madrinha que dal speed num rupinha fashion e konde el pestil, el fcka ta parce kum suco +, prope sexy.

Sô ke kel fada dzel k'el podia fcka na festa sô até meia-note. Bzôte tita tcheká eskéma?!!!! Baby curty ideia e el desmarcá logue logue pa fistinha, chei de speed.

Konde el entra na fistinha, el tchecá um tipzat chei de paus, um moss dekel bom, ke ba logue ta metel frase. Entom Cindy ma brodix começá um góma e eje curti ól naite long, até k'el uvi kesh 12 badalada de meia-note e el dá kel tipzat um descontra pa desaparce na fmaça.

Brodix fcka completamente atoada konde baby ranka sem konde de nada, e el ranka trás del logue, ma infelizmente el incontra foi um sapatim de kel kuzinha na camin.

Na dia seguinte, tipzat mete na se diabom de córre e el anda de brock em brock ta espiá kem ke kel sapote tava sirvi. Chei de sorte, e depôs de esprimenta kel sapóte num data de Kamak de amdjer, el incontra kel doida, pa azar de um data de metrera ke já tava k'oi na kel broxi. E assim eje vive fliz pa psuda.

The End

*Ainda não consegui parar de rir com esta tradução genial, que me foi enviada por mail. Não sei quem é o autor, mas merece um forte aplauso.