Declaração Cafeana

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Uma biblioteca, pequena, improvisada em sala de teatro. Decorria um mês dedicado ao teatro num país onde poucos dão por certo que haja quem se dedique a ele, dadas as dificuldades e pobreza extremas. Mas as aparências iludem. Foram vários os grupos que participaram, alguns viajaram dias inteiros para ali chegar. A curiosidade sobre o trabalho dos grupos de teatro cabo-verdianos, em geral, e sobre o Festival Mindelact, em particular, era imenso. Muitas perguntas, vontade de conhecer, e de cá vir. Tão perto, e no entanto, tão longe.

Um dos grupos apresentou-se com uma encenação de um ritual de iniciação local com imensa tradição. A cena mais espectacular aconteceu quando quatro rapazes carregavam um pequeno andor, com uma jovem mulher, nua da cintura para cima, que representava uma Deusa local, relacionada com o ritual. Confesso que fiquei de boca aberta. Qual Angelina Jolie, qual quê! Foi a mulher mais bela que já vi até hoje e embora por vezes lamente não ter tido uma máquina fotográfica para fixar aquela perfeição para a posteridade, penso também que ainda bem que assim foi, pois a nossa memória tem essa tendência de melhorar as imagens que o papel não fixa.  A jovem mulher era do Bijagós, Guiné-Bissau e nunca soube o seu nome. Aconteceu em Janeiro de 2007, na biblioteca do Centro Cultural Português, de Bissau.

Nesta hora difícil, deixo aqui um abraço fraterno a todos quantos fazem do teatro uma paixão nesse país incrível chamado Guiné-Bissau, cujos dirigentes não merecem o povo que tem.

Ilustração: pintura de Gauguin



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2 comentários:

Lily disse...

Um abraço a TODO o povo Guineense, com esperança de que a estabilidade política, económica e social se instale definitivamente na Guiné, onde já deveria ter chegado faz tanto tempo...

João Branco disse...

Isso mesmo Lily.