Confesso, adoro beijos. Beijar e ser beijado. A pessoa amada, os filhos, o gato, a pulseira que trago sempre antes de uma viagem de avião. Já devem ter percebido esta minha afeição pelo acto de beijar, quando aqui escrevi sobre o beijo de Grace Kelly em «Janela Indiscreta» ou o de Norah Jones na sua estreia cinamatográfica.

Quem viu o filme «Cinema Paraíso» tem bem claro na memória essa cena final extraordinária em que o realizador revê na sua sala de projecção os pedaços de filme antes censurados pelo padre da paróquia, dado origem a uma rapsódia dos mais famosos beijos da história do cinema.

Agora descobri um site fantástico que partilha esta paixão pelos beijos. Não necessariamente humanos, nem necessariamente a humanos. Porque é bom também beijar coisas, o céu, o mar, uma fruta, um bicho.


Chama-se everybody loves kiss e dá-me razão. Beijar é sabe pa fronta!

P.S. A imagem que ilustra esta declaração, é uma provocação e a prova de que no Café Margoso não há tabús nem preconceito. Shuak!





A cidade e os seus sintomas

1. Primeiro ponto d’ordem: sou mindelense até ao tutano. Fui-o muito antes de me tornar cabo-verdiano, de coração e por ofício, aqui nasceram as minhas duas filhas e nestas montanhas quero que as minhas cinzas sejam espalhadas, para serem levadas pelo vento da ilha, também ele único e basofo;

2. E assim sendo, ainda me mais me motiva e me doi escrever esta crónica. O que me rodeia é preocupante, mais ainda tendo o passado recente e a vivência de todos os dias como referência. Digo sem papas na língua: a noção que temos – que gostamos de ter – da cidade do Mindelo como núcleo cultural cabo-verdiano, capital cultural do arquipélago, de dia para dia começa a perder sentido. A minha cidade está a perder a sua alma;

3. S. Vicente é uma ilha que vive hoje de pólos sazonais. O Festival Baia das Gatas, o mais antigo e o que mais prestígio tem no exterior. O Carnaval do Mindelo, o maior do país, embora nos últimos anos tenha perdido um pouco do seu fôlego, principalmente devido ao facto dos grupos de Carnaval e dos seus principais promotores se mostrarem incapazes de trabalhar juntos – e a prova disso é a associação de carnaval que nunca saiu do papel. O S. João, uma festa popular que estava moribunda e foi recuperada graças a uma iniciativa privada, com esforço e inteligência. E, finalmente, o Festival Internacionai de Teatro do Mindelo, Mindelact, hoje considerado um dos maiores eventos teatrais de todo o continente africano;

4. A cidade continua a reivindicar – com autoridade – que aqui se inspiram, vivem e trabalham alguns dos maiores valores da cultura nacional. Não precisamos ser muito criativos para sacar dos exemplos de sempre. Vasco Martins, o nosso até agora único compositor sinfónico; Germano Almeida, o nosso maior romancista; Luisa Queirós, Bela Duarte, Manuel Figueira e Tchalé Figueira, os quatro percurssores das nossas artes plásticas; aqui vive a maior embaixadora de Cabo Verde, Cesária Évora e alguns dos maiores tocadores de violão, Bau, Voginha, Hernani ou Vamar;

5. Significativo? Então porquê esta sensação de que a cidade definha, se envergonha, se encolhe perante tantos gigantes? E porquê este incómodo de parecer que ninguém se importa com o rumo que a cidade está a tomar?;

6. Dêm uma vista de olhos retrospectiva pelos jornais na campanha autárquica. Se S. Vicente é a ilha cultural, se o mindelense gosta e se orgulha de reivindicar que vive na «capital cultural», então porque se ouviu falar tão pouco de cultura durante a campanha? Eles eram vendas de terrenos, impugnações, emprego (ou a falta dele), campos de futebol, pobreza (material, claro), ambiente, turismo, desenvolvimento económico, investimento estrangeiro. Qual o destaque dado à componente cultural, quais os projectos estruturantes propostos, as soluções protagonizadas, para continuar a fazer do Mindelo a locomotiva da cultura cabo-verdiana? Não ouvi dizer nada. Nos jornais, nas entrevistas o destaque dado à componente cultural do município de S. Vicente foi praticamente nulo;

7. Podem-me dizer que nos programas eleitorais todos tinham propostas para a cultura. Mas o certo é que se a comunicação social dá destaque a certos aspectos em detrimentos de outros é porque os políticos assim pressionam ou a população assim o exige. Ou porque esses são temas que tem alguma influência no modo como o povo coloca a cruzinha, na hora do voto. Se a cultura fizesse parte, hoje, dos interesses e preocupações de todos os mindelenses, certamente esse aspecto teria eco no que foi falado, discutido e proposto durante a campanha eleitoral;

8. Uma cidade não vive apenas de acontecimentos. Vive de lugares. De sítios. De espaços. O que está a acontecer com o Mindelo é que embora os acontecimentos culturais mais importantes se mantenham vivos e punjantes, dando-nos essa ilusão de vivermos num oásis cultural que é cada vez mais fictício, a cidade está a perder as suas referências e com isso a sua própria alma. Os exemplos são muitos;

9. O Éden Park morreu. Ninguém se importou muito, ou pelo menos manifestou publicamente o seu pesar. Andar pela Praça Nova hoje e ver aquele edificio lindo, histórico, pleno de memórias, assim abandonado, provoca em mim uma tristeza incomensurável. Deixei de lá ir, em passeio, mesmo sabendo que a banda municipal ainda toca lá aos domingos, fardada e vaidosa, para as crianças que dançam em roda, dando-nos a sensação de que, se calhar, ainda há esperança para a urbe moribunda;

10. O Centro Nacional de Artesanato está fechado há 7 anos. Escrevo bem, sete. Foi uma das primeiras intenções do novo governo após a vitória retumbante de 2001, recuperar aquele edificio e aquele espólio, tão maltratado nos anos anteriores. Os seus mentores voltaram à casa que ajudaram a fundar, apesar da humilhação a que haviam sido sujeitos anteriormente, e predispuseram-se a trabalhar para salvar o que ainda podia ser salvo. Hoje, depois de vários anúncios oficiais, continua fechado. Fala-se agora que vai ser no próximo 5 de Julho, dia da Independência. Se for mais um falso alarme, paciência. Ninguém vai reparar, ninguém vai gritar ou manifestar-se. Como das outras vezes;

11. Sente-se a mágoa nas entrevistas, na voz, na escrita e até na obra de Luisa Queirós, quando ela fala do Centro Nacional de Artesanato. A artista denunciou publicamente em entrevista ao Arte & Letra que peças valiosas da história do artesanato nacional, recolhidas e/ou fabricadas no pós-independência foram roubadas, extraviadas do CNA e ninguém sabe ou explica o que aconteceu com esse património. Que eu saiba, ela não foi publicamente desmentida por ninguém, nem oficial nem oficiosamente, e portanto, das duas uma: ou não sabem o que se passa ou se sabem, não estão muito preocupados. Porque até agora ninguém foi responsabilizado pelo que aconteceu. Pior: ninguém sabe muito bem o que foi que aconteceu naquele lugar durante os últimos sete anos. A cidade importou-se? Reagiu? Deu um safanão no centralismo? Não;

12. O Centro Cultural do Mindelo está mais bonito, mas perdeu a sua alma. A saída do bar do corredor da entrada para um local pouco ou nada acessível, a nova decoração, acabou por fazer com que o que era antes um dos poucos locais onde artistas, actores, escritores, músicos, se podiam encontrar, num final de tarde, deixasse de existir. Há que reconhecer o trabalho da gerência do CCM, o esforço que é feito com pouco apoio da tutela e o orçamento ridículo que é disponibilizado, as parcerias que vêm sendo feita com grupos de teatro, dança, músicos e artistas plásticos. Mas há que reconhecer, hoje, que Mindelo perdeu um local que era de passagem obrigatória, mesmo que não houvesse actividades culturais a acontecer. Hoje, vamos lá, se houver um espectáculo, uma exposição ou para comprar um livro. Apenas e só. Os meus finais de tarde ficaram mancos;

13. Vários outros sintomas estão espalhados pela cidade, como uma peste, só não vê quem quer: a demolição do Café Royal; a invasão escandalosa e «betoniana» da marginal do Mindelo, que nos cobre o pássaro e a vista; o encerramento ou a morte lenta dos bares nocturnos de referência e das célebres noites cabo-verdianas; os concertos musicais concentrados nos hotéis de luxo; a falta de uma geração de artistas plásticos contemporâneos que ousem, reflictam, confrontem e desafiem com a sua arte o estado actual de coisas; o quase desaparecimento da associação Funaná e das actividades a ela ligadas, nomeadamente de edição – revista Da Fala – ou de promoção de ciclos de documentário e/ou produção vídeo. Muitos outros exemplos poderiam ser dados. Mas estes chegam, não?

Costuma-se dizer que o pior doente é aquele que não sabe – ou não quer – reconhecer os seus próprios sintomas. O mindelense deve ser capaz de olhar para si próprio e reconhecer que as coisas não estão nada bem. E reagir. Antes que a doença se torne terminal.


Mindelo, 30 de Maio de 2008






Do que falamos, quando falamos de amor?



À melhor resposta, ofereço um café




O realizador Júlio Silvão vai mostrar,
o seu documentário.


A não perder!


«BATUQUE - A Alma de um Povo»
Vamos ver, ouvir & comentar!


Quando: dia 30 de Maio
Horário
: às 18:30
Local: Centro Cultural Português - IC Mindelo

Esta sessão conta com a presença do realizador e será seguida de um debate






      Europeu, me dizem.
      Eivam-me de literatura e doutrina
      europeias
      e europeu me chamam.

      Não sei se o que escrevo tem a raiz de algum
      pensamento europeu.
      É provaável... Não. É certo,
      mas africano sou.
      Pulsa-me o coração ao ritmo dolente
      desta luz e deste quebranto.
      Trago no sangue uma amplidão
      de coordenadas geográficas e mar Índico.
      Rosas não me dizem nada,
      caso-me mais à agrura das micaias
      e ao silêncio longo e roxo das tardes
      com gritos de aves estranhas.

      Chamais-me europeu? Pronto, calo-me.
      Mas dentro de mim há savanas de aridez
      e planuras sem fim
      com longos rios langues e sinuosos,
      uma fita de fumo vertical,
      um negro e uma viola estalando
      .

      Rui Knopfli em «O país dos outros», 1959


Un tem um Talento Secreto di meu...




Massajar

...kual é di bô?





Preparem essas câmaras!


Via: aqui





Num dos meios passeios pela net descobri um site fenomenal, para quem gosta de cinema e, especialmente, para quem admira o grande mestre do suspense Alfred Hitchcock. Chama-se 1000 Frames of Hitchcock e consiste num site que reproduz cada uma das 52 longa metragens de Hitchcock em 1000 frames. A ideia central deste projecto é criar uma biblioteca de imagens que possam ser utilizadas para ilustração de sites, blogues, artigos, revistas, etc.

Estão lá os filmes todos. É admirável. Vão ver que vale a pena. Aqui.

Imagem: conjunto de frames do filme «Janela Indiscreta», com o mais belo beijo da história do cinema.





Não lho perguntou, e mesmo que perguntasse seria duvidoso que ela conseguisse responder, há memórias que por mais que tentemos que saiam cá para fora nunca conseguimos materializar em palavras, recordações que parecem ter vida própria, uma vontade férrea de permanecer na obscuridade, por mais força e esforço que façamos nada nem ninguém consegue desencravar, e aquela era uma dor demasiado profunda, não ia sair dali por tuta e meia, nunca o havia contado a ninguém, nem ao padre em confissão, nem ao médico de família em consulta privada, nem à melhor amiga em conversa intimista, muito menos com um namorado ainda pintado de fresco, como era o caso presente. E por muito que na sua cabeça mil e uma hipóteses lhe passassem pela mente a verdade é que ele nunca chegou a acumular altivez suficiente que lhe permitisse ir directo ao assunto, doesse a quem doesse, a verdade tinha que vir ao de cima, todos sabemos que é como azeite na água.


Ilustração: «defense» by anormals






Li na comunicação social, a intenção da Universidade de Cabo Verde em promover uma licenciatura em Estudos Musicais, tendo realizado um encontro de reflexão sobre o assunto. É de aplaudir essa intenção, mesmo que o inferno esteja cheio delas. Mas acredita-se, pela equipa e pelo trabalho desenvolvido, que não vamos ficar apenas por mais um mero anunciar de algo que nunca acontece. Pela importância que a música tem neste país, avançar com este projecto não só é fundamental, como é totalmente lógico.

Mais ainda, regista-se a (excelente) dinâmica da UniCV na promoção de encontros, debates e reflexões em assuntos relacionados com arte e cultura. Todos saimos a ganhar. Aplausos, pois!



Vocês são daqueles que sempre quiseram convencer a namorada(o) a colocar uma tatuagem com o vosso nome e nunca conseguiram? Pois, o Café Margoso está na fila da frente. A fama e o sucesso do blogue é tal, que já há quem registe para a posteridade, no local mais apropriado.

Que tal?




Na realidade foi só um delírio. Se quiserem experimentar a sensação, é só vir aqui.







«E podemos perguntar-nos como é que os honestos, aqueles que têm a bússola da integridade, podem funcionar num mundo em que há tantos poderosos corruptos e tanta gente sem escrúpulos? Não serão sempre derrotados? Nem sempre. Porque quem optou pela rectidão e renunciou a ludibriar, é levado a desenvolver outras capacidades. É um pouco como o cego que, por não ver, adquire uma extraordinária capacidade auditiva táctil e cenestésica. O honesto desenvolve muito mais a inteligência, a criatividade, a eficiência. Inventa, organiza, constrói, inspira confiança, consegue que lhe dêem crédito. Quando temos de confiar realmente em alguém, ver as coisas bem feitas, somos obrigados a virar-nos para ele. Ninguém, nem sequer o político com menos escrúpulos, pode viver sem isso. Esta é a sua força e, por essa razão, afirma-se e faz com que seja possível viver na nossa sociedade.»

Francesco Alberoni

Via: Jumento



Porque (algumas) imagens valem por mil palavras



Fotografia de Manuel Libres Librodo Jr., «Reflection», Filipinas

Fonte: aqui






      Nunca entregues todo o coração, pois não vale
      Muito a pena pensar no amor
      De mulheres apaixonadas desde que firme
      Nos pareça, e nunca elas imaginem
      Quanto vai definhando de beijo para beijo,
      Pois tudo o que nos seduz mais não é
      Do que fugaz deleite, doce e sonhador.

      Oh, nunca entregues o coração completamente
      Pois elas, por mais que os suaves lábios o afirmem,
      Entregaram ao jogo os seus corações.
      E quem poderá ainda jogar bem
      Se estiver surdo, mudo e cego de amor?

      Aquele que fez isto sabe o quanto custa
      Pois entregou todo o coração e perdeu.


      W.B. Yeats


      Imagem: Ingrid Bergman in «Notorius»



Se estiverem no Mindelo, vão ver, que vale a pena.
Um grande musical, que homenageia um dos maiores compositores da nossa história!

«Biografia dum Criôl»


Biografia dum Criôl é uma revista que retrata a vivência do crioulo de Mindelo, suas raízes, suas venturas e desventuras, conquistas e derrotas, sua vontade de emigrar e descobrir novas terras, a saudade, as frustrações e decepções, as partidas, bem como o que mais nos faz viver – a nossa paródia. Enfim, a nossa cabo-verdianidade.

Imaginem as mornas e coladeiras de Manuel d’Novas. Engraçadas, não é? Tentem metê-las todas juntas num liquidificador e juntem um pouco mais de tempero. Pois é mais ou menos isso o resultado do texto de Neu Lopes. O texto é uma salada de textos e sua musicalidade com uma sequência lógica. Aliás, foram as músicas de Manuel d’Novas as únicas culpadas pelo surgimento dos personagens e situações que formam os três quadros desta peça.

Interpretação: Aguinaldo Monteiro, Edilson Fortes, Djay fortes, Manú Lopes, Nadira Delgado, Neu Lopes, Osvaldo “Shaka” Santos, Patrícia Alfama, Karina Lizardo, Mariza Santos, Micau Zacarias, Romilda Silva, Katy Rodrigues, Kleudir Lima, Mireille Delgado, Wesley Lopes, William Patrick

Dramaturgia, Direcção Musical e Encenação: Neu Lopes a partir de uma ideia original de Júlio Fortes

Onde & Quando?

4ª Produção Teatral do Sarron.com
Auditório do Centro Cultural do Mindelo

30 e 31 de Maio 2008 às 21h30
01 de Junho às 20h30




Um conjunto de gente interessante,
vai(-se) expôr e mostrar,
do que é feita a sua arte!


Ou a questão da arte contemporânea. Ou a questão da cultura urbana. Este grupo de pessoas não será certamente o único, mas será um dos que mais tem falado sobre o assunto. São no mínimo um grupo, o que implica identificação e vontade de colaboração. As ideias que circulam por este grupo de pessoas vêm se consolidando desde Praia.Mov 2006 e em mais outras intervenções individuais.

A cada um desses artistas foi pedido que participassem nesta exposição, onde é "proibida" a representação do mar e do céu; a ideia é voltar o olhar para dentro da cidade e das suas texturas. Participam na mostra:

  • Abraão Vicente, um dos rebeldes desta nova vaga, traz a sua linguagem exploratória, desta vez tridimensional.
  • Albertino Silva, conhecido pelas suas esculturas de sapatos, explorou novos materiais.
  • Baluka Brazão, que fez a sua 1ª expo há dias, traz o seu olhar fotográfico.
  • César Schofield Cardoso, atreve-se a mostrar arte plástica, que sempre esteve na base do seu trabalho.
  • Hélder Paz Monteiro, mestre da composição. Um fotógrafo absolutamente essencial para este novo olhar.
  • Soizic, uma francesa que vive na Praia e que faz poesia com a colagem de cartão e pintura.
  • WValente, fotógrafo brasileiro profissional, aceitou mostrar o seu lado artístico e crítico.
  • Zeca, o bailarino dos Raiz di Polon, ferreiro de profissão e escultor de coração.


A palavra de ordem é «exploração». É pedida qualidade de execução. Mas é pedido sobretudo sentido de busca, critica, partilha e encontro. Arte contemporânea, cada um tem a sua; vamos encontrar a nossa.

Vamos ver, ouvir & comentar!

Horário: abertura, dia 30 de Maio, às 19:00
Local: Fundação Amilcar Cabral, Praia

Fonte: bianda






Que futuro para (est)a África?



À melhor resposta, ofereço um café





1. Baluka, no seu Ta Sumara Tempo, cumpre a promessa e inicia a publicação de algumas das fotos que compõe a exposição anunciada aqui há tempos, dedicada ao grupo Raiz di Polon. A imagem que ilustra o presente post é uma delas, mas podem ver a galeria com mais fotos, aqui. Valeu!

2. Mais uma voz blogueira mad in CV. Desta vez é Salim, com a sua Tori di Kontrol, emitindo directamente da cidade da Praia. Começa com análises interessantes às últimas eleições, falando, entre outros assuntos pertinentes, de algo que eu também venho presenciando há já algum tempo: a melhoria substancial a todos os níveis do jornal Expresso das Ilhas, mormente na cobertura da campanha eleitoral. Mas há mais. Destaca-se o post «se eu fosse JMN», escrevendo que se assim fosse, «faria de Ramiro Mendes o nosso próximo Ministro da Cultura».

3. Ainda noutros blogues cabo-verdianos, dois assuntos dominam a actualidade: o balanço e reacções às últimas eleições autárquicas e a referência ao dia de hoje, 25 de Maio, como o Dia de África. Mais uma vez, o Abraão Vicente arrasa nos seus textos, o Salim é mais uma lufada bem vinda, o Hiena não deixa o seu crédito por mãos alheias e o Tide, coloca os pontos nos ís, no que diz respeito ao trabalho da comunicação social. Bravos guerreiros!




Acorda, África!

Imagem: publicidade da Rádio SABC, na África do Sul




As primeiras imagens de «Vicky Cristina Barcelona», o novo filme de Woody Allen, apresentado no Festival de Cannes.


Scarlett Johansson, a nova musa de Woody Allen


Penélope Cruz & Javier Bardem


Bardem, entre o amor duma morena, Penélope Cruz,
e duma loura, Scarlett Johansson



Abre o apetite, não é?

Via: www.20minutos.es





Que legenda, para esta imagem?

À melhor legenda, ofereço um café

Fonte: aqui





O Homem e os Peixes

- «Se o homem é tão perigoso para nós quando lança as redes ao ar, o que faremos quando ele conseguir penetrar nas nossas águas?» - perguntou uma dourada.

E o tubarão, que tinha experiência, respondeu: «Uma boa refeição



Italo Svevo, in "Fábulas" & etc
Via: aqui








Dicionário do Diabo Margoso

Decidir
Sucumbir à preponderância de um determinado
conjunto de influências sobre um outro conjunto
de influências.

Uma folha, que da árvore se soltou,
Disse assim: «Para o chão eu vou».

O vento Oeste logo a fez desviar.
«Para Este», disse ela, «vou-me virar».

Quando o vento Este, soprando, crescia,
Ela disse: «Mudei de rumo, tal como queria».

Eis que sopram os ventos com igual poder.
Diz ela: «Agora espero e nada vou fazer».

Cessam os ventos, diz a folha, satisfeita:
«Sempre a descer, no chão vou direita».

«As primeiras ideais são melhores?» Não é esta a moral;
Escolham, pois, a vossa e não nos daremos mal.

Escolham bem ou mal, entre o sim e o não,
Pois nada, afinal, depende da vossa decisão.

Ambrose Bierce






1. Luanda é uma cidade em construção. Depois de tantos anos de guerra, o que se percebe na cidade é um ritmo frenético de construção, procurando recuperar aos poucos a cidade e devolvê-la aos moradores. O que mais se vê por ali são obras. Passeios, ruas, prédios, quarteirões inteiros. Claro que tudo isso torna um pouco dificil a circulação das pessoas - e eu gosto especialmente de tomar pulso às cidades, andando pelas ruas - mas não é muito dificil prever que daqui alguns anos, teremos uma Luanda orgulhosa, pungente, recuperada. Destaca-se o trabalho de fundo que está neste momento a decorrer na Baia de Luanda, que se prevê venha trazer uma outra beleza à parte nobre da cidade.

2. Luanda tem um trânsito insuportável. Filas e filas, horas de espera para andar alguns metros, regras de circulação desrespeitadas por todos. Muito complicado. Contam-se, a propósito, duas piadas que são sintomáticas. Uma delas que diz que Luanda deveria mudar o nome para «Nãoanda»; a outra que relata que esta é uma cidade onde são os peões que atropelam os veículos e não o contrário. E se tivermos em conta que estamos numa cidade em construção, tudo piora. Não há muitos passeios circuláveis, e aqueles que resistem, são invadidos pelas motas, que por ali se metem para fugir ao tráfego.

3. Luanda tem um teatro notável. Tive oportunidade de ver três espectáculos de grupos de Luanda, e nos três casos vi aspectos interessantes, inovadores, excelente energia e muita vontade de aprender e partilhar. Era algo que já adivinhavamos tendo em conta as participações de Angola no Festival Mindelact, mas ver no próprio local é outra coisa. O nível global de interpretação é muito bom e isso explicará também a elevada produção e a grande aposta que a Televisão Pública de Angola vem fazendo no produto nacional, com séries, novelas e programas próprios. Um excelente exemplo, a esse nível.

4. O Festival Internacional de Teatro e Artes, organizado pelo Elinga Teatro, que comemora o seu 20º aniversário, liderado pelo dramaturgo José Mena Abrantes, tem uma programação de alto nível e uma organização excelente. Fomos muito bem tratados, o nosso espectáculo estava com a sala cheia de um público ávido por novas linguagens cénicas e troca de experiências. Esperamos que possa continuar nos próximos anos!




Uma campanha eleitoral é como um longo e profundo orgasmo. Uma vez terminada a função, há quem goste de relaxar, fumar um cigarrinho, comer que nem um desalmado, chorar que nem um bébé, rir que nem um transloucado, ficar inerte fixando o vazio, em relação directa com a linha do horizonte. E agora?

E agora, apetece-me...?

As opções são as seguintes:

1. Rir
2. Chorar
3. Desaparecer
4. Vigiar
5. Consolar
6. Conspirar
7. Beber para esquecer
8. Correr nú pelas ruas do meu município

Vamos lá a votar! E agora que a campanha terminou, o que vos apetece realmente?

Urna de voto, na coluna da esquerda. Pode-se votar em mais do que uma opção (em todas, inclusivé) Não é necessário estar-se recenseado.






Quem tramou Felisberto Vieira?



Pergunta inspirada no post do Abraão Vicente, aqui

À melhor resposta, ofereço um café



Eis os resultados da oitava sondagem do Café Margoso

Pergunta: Palavra-chave da campanha



Número total de votantes: 28

Resultados:

Inteligência - 2 (7%)
Criatividade - 4 (14%)
Fé - 2 (7%)
Surrealismo - 13 (46%)
Frontalidade - 1 (3%)
Basofaria - 13 (46%)
Vazio - 11 (39%)
Quero lá saber - 5 (17%)

Mais um estudo altamente científico e de enorme valor académico promovido aqui pelo margoso e que nos permite tirar aqui algumas conclusões interessantes:

Então é assim:

1. Apesar de ser precisamente em alturas de campanha que os políticos / candidatos saem a terreiro denunciando todas as ilegalidades possíveis e imaginárias nas equipas adversárias, denúnicas essas que, curiosamente, só são feitas a poucos dias de eleições (o que nos faz perguntar porque não foram concretizadas essas queixas na mesma altura em que as referidas ilegalidades foram, supostamente, descobertas), a palavra «frontalidade» foi a que teve menos votos. Vá-se lá saber porquê.

2. Ao contrário, os termos «basofaria» e «surrealismo» foram as mais aceites como definidoras da campanha que agora termina. Não é preciso ser-se cientista político ou especialista em sondagens para se saber que esse valor está sobre-valorizado devido ao cartaz do candidato da UCID pela cidade da Praia!

3 De resto, o «vazio» também consegue eleger-se como palavra veredora, com um score aceitável, o que até nem é muito mau, tendo em conta que um bom vazio é sempre um excelente começo de qualquer coisa. Pelo menos a limpeza já está feita.

Até à próxima!





«Os dirigentes políticos cabo-verdianos são gente advertida, informada, séria e de excelente formação política.»

Mário Soares, num artigo no DN, aqui






E agora, façam o favor de ir votar, porra!



«Campanha política é o tempo em que o mais maravilhoso de cada um desponta: a visão, o cérebro, os músculos, a capacidade atlética, a resistência, a disponibilidade e o sacrifício absoluto, em nome dos elevados valores da cidadania e da pátria. É o tempo em que os generosos podem provar o quanto se dão à causa pública; o quanto estão dispostos a sacrificar as suas vidas em prol do povo, esse que lhes inspira, lhes elege e morre esperando que um dia faça sol e faça chuva. Por amor ao povo, perdem a voz, desafiam o coração, as articulações, a ciática, o reumatismo, as enxaquecas, a diabetes, as contra-indicações médicas e os avisos da idade. Por amor, podem morrer

César Schofield in Bianda

Ilustração de Robert Rauschenberg






Os jovens cabo-verdianos foram aos comícios desta última campanha eleitoral fazer o quê?


À melhor resposta, ofereço um café



Imagens de gente, tomando café...




Imagem: fotografia de Anton Postnikov


O César Schofield Cardoso ganhou vergonha na cara e - finalmente! - abriu o seu estabelecimento, aqui.


Mais vale tarde do que nunca...



      Naquele tempo falavas muito de perfeição,
      da prosa dos versos irregulares
      onde cantam os sentimentos irregulares.
      Envelhecemos todos, tu, eu e a discussão,

      agora lês saramagos & coisas assim
      e eu já não fico a ouvir-te como antigamente
      olhando as tuas pernas que subiam lentamente
      até um sítio escuro dentro de mim.

      O café agora é um banco, tu professora de liceu;
      Bob Dylan encheu-se de dinheiro, o Che morreu.
      Agora as tuas pernas são coisas úteis, andantes,
      e não caminhos por andar como dantes.

      Manuel António Pina


P.S. O belo e velho edificio colonial onde o Grupo Elinga Teatro desenvolveu o seu trabalho durante 20 anos em Luanda, vai ser demolido porque um qualquer empresario vai ali construir umas torres. Por vezes, o desenvolvimento e' mesmo uma grande merda.




Por motivos profissionais, o Café Margoso faz uma pausa de alguns dias. Mas há por aí muito post para comentar!

Boa semana!

João Branco






Os eleitores que votam em branco podem dobrar o boletim e enfiá-lo na urna assim que o recebem, ou também têm que ir para a cabine de voto e fingir que põem a cruzinha?


Autor: Ricardo, do Perguntar Não Ofende


À melhor resposta, ofereço um café




Mais uma campanha que está a chegar ao fim. A sondagem do Café Margoso, não dizendo nada, vai querendo dizer alguma coisa, relativamente ao nível geral desta campanha. Eu, pela primeira vez desde que existem eleições autárquicas em Cabo Verde, não vou poder votar, por me ausentar do país, em trabalho. Tenho pena. Penso que é importante participar.

Quem se abstém, não tem o direito à palavra. Esta é a minha posição. Se não estamos de acordo com nenhum candidato, há uma boa alternativa: vai-se às urnas e vota-se em branco. O voto em branco é o melhor, e o único, voto de protesto que existe, para quem não se revê em nenhuma das candidaturas colocadas à disposição.

Por isso, votem. Amarelo, verde, azul ou branco, mas votem. Em consciência. Um abraço!



Porque (algumas) imagens valem por mil palavras



Imagem: fotografia de Georgina Cranston, «Unclean Water», Sudão





«Põe a tua mão no forno durante um minuto e parece uma hora. Senta-te com uma mulher bonita uma hora e parece um minuto. Isso é a relatividade

Albert Einstein

Na foto: Mayra Andrade




Vamos falar de Direitos Humanos

Embora possam mudar as palavras, conforme o país de que estamos a falar, os Direitos Humanos representam a mais universal ideia concebida pela Humanidade: aquela que nos diz que todos os indivíduos nascem com os mesmos direitos básicos como a Direito à Vida, Liberdade e Justiça. Este é também o ano em que se comemoram o 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adoptada pelas Nações Unidas.

A este propósito dei de caras com um site, Bloggers Unite For Human Rights, que desafia todos os blogueiros do mundo a falar de Direitos Humanos no dia 15 de Maio (amanhã, portanto). Tópicos que falem e denunciem alguma violação dos direitos humanos, nomeadamente, prisões de jornalistas, governos que ignoram os próprios cidadãos ou censura na Internet. Seja o que fôr. Importante é que pelo menos nesse dia, milhares de blogues por todo o mundo o façam, unificando o esforço para que os Direitos Humanos aconteçam em todos os cantos do planeta.

Já agora, podem colocar um sêlo do Bloggers Unite For Human Rights no vosso espaço, que fica sempre bem. Para escolher o sêlo preferido (alguns estão na imagem), venham aqui.

Como não vou poder postar amanhã, fica desde já uma imagem de dois cartazes, numa campanha pelos Direitos Humanos, extremamente criativa, e que nos faz lembrar o nosso famoso «façam barulho!!!!» dos festivais, comícios e similares.






Vamos juntar a comunidade Blogues Mad in Cabo Verde nesta corrente?





Que legenda, para esta imagem?

À melhor legenda, ofereço um café




A nossa basofaria crioula não deixa margens para dúvidas: o Café do Fogo é o melhor café do Mundo. Graças ao Djinho fiquei a saber que já foi premiado internacionalmente e encontrei estas informações. Quem provou, não esquece. É o meu caso.

O que sabemos do Café do Fogo?

O Café do Fogo, é cultivado numa vasta área no concelho dos Mosteiros, ilha do Fogo, e desenvolve-se nas zonas mais húmidas da região, sendo hoje considerado «um dos melhores do mundo». A introdução do café, pensa-se que ocorreu no século XVIII quando da criação do margadio de Monte Queimado no Concelho dos Mosteiros, pelo seu primeiro proprietário, Pedro Fidalgo de Andrade.

A fama do café começou a galgar as terras da província de Cabo Verde, na altura província ultramarina, para depois chegar a Portugal continente. O café era o produto de ultramar português de máxima categoria e de grande influência na balança comercial do arquipelago.

É na terra úbere (fertil) onde o café encontra as melhores condições climatéricas para o seu desenvolvimento e sua frutificação. Do grão da nobre rubiácea, tratado por processos artesanais e mecanicos surgem dois tipos de café: Moka e primeira qualidade.

A totalidade da produção é maioritariamente cultivada a uma altitude que varia entre os 350 e os 1000 metros acima do nível do mar. a qualidade superior deste café deve-se em grande parte as condições de cultivo do grosso da produção. Os pés de café foram plantados no solo inóspito (que apresenta más condições para a vida do homem) e vulcanico das encostas do vulcão, cultivado de uma forma rica em materia orgânica.

O Café do Fogo, Monte Queimado, arrecadou primeiro e segundo prémios da exposição agricola da Praia em 1917 e 1918, Medalha de ouro da exposição colonial do Porto em 1934, além de participação na grande exposição na India Portuguesa em 1954.

Fonte: aqui

Imagem: o Café do Fogo segundo o Desenhador do Quotidiano





          Eu sei que as túlipas
          são os olhos de todos os aviões perdidos

          Eu sei que as cidades
          são os esqueletos das aves de rapina

          Eu sei que os candeeiros ardendo de noite
          são os pulmões dos peixes-voadores

          Eu sei que o mistério
          é uma dentadura abandonada

          Eu sei que a loucura
          é um braço solitário sorrindo eternamente

          Eu sei que os meus olhos
          são as tuas pernas frementes

          Eu sei que os teus cabelos
          são o meu acendedor de pirilampos

          Eu sei que a tua boca
          é o meu uivo solar

          Eu sei que o teu peito e o teu sexo
          são a minha água profundamente azul
          onde se encontram todos os fantasmas
          já perdidos há séculos.

          Mário Henrique Leiria

          Fotografia: «Air air» de José Ferreira




Mais uma vez vem aqui à baila esta pergunta cafeana do Margoso que continua a dar muito que falar. A Margarida, no seu espaço Pedaços de Mim, escreveu um texto frontal que toca na ferida, no ego e em outros pontos críticos. Vale a pena ler.

Então ela escreve assim:

«Não sou especialista, mas sinto a ausência de sentimento, nem que seja o sentimento de não haver sentimento. Percebo quando falta a alma, o espírito, o sentido do artista. Quando não há linguagem, quando a obra que se contempla não fala, não diz nada, nem põe o contemplador a falar.

Assim tem sido nalgumas das exposições que tenho visto. Meras montras de tudo e de nada, aglomeradas em mostras "de arte".

Expõe-se o ego, muito mais do que as peças. Expõe-se a vaidade de se conseguir expôr. A exposição passa a ser o fim e não a consequência da obra, do trabalho, do caminho do artista.

Na "mostra" os artistas visitam-se e muitas vezes deixam o sentido crítico à porta. Lá dentro, por solidariedade de profissão, trocam mimos e elogios, numa espécie de "masturbação colectiva do ego". Juntos em irmandades intelectuais, "maçonarias de arte". Fechadas, exíguas, de acesso muito limitado.

Começa a sentir-se a falta de sangue novo, ideias arrojadas.. outras gentes talvez. Quem paga é a arte em si

Quem escreve assim não é gago.


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