Triângulo kabalístico

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          Eu sei que as túlipas
          são os olhos de todos os aviões perdidos

          Eu sei que as cidades
          são os esqueletos das aves de rapina

          Eu sei que os candeeiros ardendo de noite
          são os pulmões dos peixes-voadores

          Eu sei que o mistério
          é uma dentadura abandonada

          Eu sei que a loucura
          é um braço solitário sorrindo eternamente

          Eu sei que os meus olhos
          são as tuas pernas frementes

          Eu sei que os teus cabelos
          são o meu acendedor de pirilampos

          Eu sei que a tua boca
          é o meu uivo solar

          Eu sei que o teu peito e o teu sexo
          são a minha água profundamente azul
          onde se encontram todos os fantasmas
          já perdidos há séculos.

          Mário Henrique Leiria

          Fotografia: «Air air» de José Ferreira




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4 comentários:

moreia disse...

Boa prática do florete. Touché!

João Branco disse...

Moreia, entendi que gostastes. Não entendi o comentário... (Será que estou especialmente lento, hoje?)

moreia kpressa disse...

http://pt.wikipedia.org/wiki/Florete...

João Branco disse...

OK. Eu sabia que era algo relacionado com capa e espada, mas ainda pensei que podia ser algo mais... como direi, erótico. Hehe