Perguntas Cafeanas

30 Comments




Com tanta formação média e superior, para onde é que está a ser canalizado o esforço intelectual e a cultura crítica do cabo-verdiano?


À melhor resposta, ofereço um café




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30 comentários:

Anónimo disse...

João
É preciso ver a qualidade das formações médias e superiores que existem cá...

A critica é sempre tida como algo ruim, (acho que o homem é por natureza averso a criticas). Por exemplo Demorou muito e foi penoso para mim aprender a ouvir e aceitar criticas. Mas quando digo criticas quero dizer critica e não mal dizer, que é o acontece na maioria das vezes( por exemplo isto está mal, porque está mal e pronto).

Por isso aqueles poucos que se esforçam intelectualmente ousam ser criticos, muitas vezes o fazem ANONIMAMENTE

Miguel Barbosa disse...

Para pagar os emprétimos do carro e da casa?

Anónimo disse...

só 7% da população tem formação superior e a massa critica e esforço intelectual não tem nada ver com formação nem média nem superior... tem a ver com cultura e a educação de mediocridade e alienação que as familias, escolas, grupos, politico, governo e religão andam a dar as criaturas das ilhas...

João Branco disse...

Pois é, Anónimo, isso é tudo verdade. Mas então, eu reformulo a pergunta: o que andam as nossas Universidades a fazer?

Miguel, essa foi mázinha! Mas pode vir a merecer um café à borla...

Anónimo II: concordo com parte. Mas dizer que massa crítica e esforço intelectual não tem nada a ver com formação média e superior?! Então tem a ver com o que? Não deviam ser, não são, em todo o lado, as Universidades pólo de conhecimento, de debate, de critica? Quanto à percentagem, tudo bem, mas é um facto que com a quantidade de Universidades que pululam hoje em dia em Cabo Verde, esse indice vai subir claramente nos próximos tempos.

Anónimo disse...

e os filosófos gregos iam a universidade? ...o meu avô tem quarta classe e tem massa critica para uma chouriçada inteira de jovens CV

Anónimo disse...

olha João

eu dou aulas em duas universidades, aqui na Praia e aquilo que eu percebo nos meus alunos é, nalguns casos (muitos ainda) que a educação, a escola que tiveram não foi capaz de fazer crescer esse bichinho da dúvida, da crítica. E isso eu tenho a certeza que tem a ver com a escola que estes memninos tiveram. Aceitam as palavras do professor como se fosse uma verdade absoluta. É claro que isso é mau em duplo sentido- para eles e para nós professores. Porque os alunos que mais fazem crescer um professor são aqueles que de alguma forma nos desafiam. Desafiam o pouco que sabemos, desarmam-nos e fazem-nos querer saber mais.
Já tive um ou outro assim e a esses sobretudo agradeço as críticas acutilantes ao meu suposto saber.
Para contrariar esta passividades já tive vontade de lhes dizer uns absurdos para ver qual é a reacção mas opto sempre sempre por estratégias mais ortodoxas porque as acho mais honestas.


Isto sim é um assunto to be continued....

catarina cardoso

Kuskas disse...

João, se tivesses acesso aos resultados do trabalho que foi feito sobre a qualidade do ensino nas Universidade de Cabo Verde, irias entender o Anonimo I.

Com estudantes do jeito que estão e com professores Universitários e não só que temos(salvo raras excepções), aliada aos valores agora propagandeados, essa massa critica vai demorar MUIIIITO para melhorar...

Isso porque, nem os pais, nem os professores SOZINHOS vão conseguir incutir o espirito critico nos filhos/alunos... tem de ser o somatório dos dois
Eu tive ajuda dos meus pais e de quase TODOS os professores que tive, deste ensino primário ao universitário.

Abraço

João Branco disse...

Anónimo: os filósofos gregos, que eu saiba, tinham outros centro de discussão, interesse, com o objectivo precisamente de alimentar o conhecimento e a capacidade crítica. O próprio conceito de Universidade tem aí a sua origem. Claro que com isto não estou a dizer que não é possivel haver pessoas como o teu avô, mas isso não invalida da importância que as Universidades têm enquanto centros potenciadores de espirito critico. Nem é preciso ir muito longe: há 40 anos, o Maio de 68 começou, precisamente, no Quartier Latin, com os estudantes universitários e do ensino secundário. Reflectir sobre esta questão lembrando o Maio de 68 talvez não seja assim tão descabido como isso, pois não?

Catarina: ainda bem que és assim, porque todos sabemos que apenas uma minoria se preocupa com estas questões.

Kuskas: foste uma pessoa abençoada, sem dúvida!

neulopes disse...

O caboverdiano não precisa de tanto, a não ser para o que o Miguel disse (não acho tão mau o que ele disse - tem o seu quê de verdade). Eu não tenho formação superior e tenho um salário que não está tão mau. Meu irmão é licenciado em Relações Internacionais e meu vencimento é de cerca de trinta contos a mais. Como um colega meu diz, três vencimentos de fábrica. Mas estudei muito, e continuo a estudar. As mulheres geralmente têm mais sorte. É lógico que têm algo a oferecer aos homens que sónelas um pobre diabo poderá encontrar. Sexo fraco? Isso na tempe que bengala tava dá tir.
Contudo, no que o crioulo é mais formado é...
Bom diria catedráticos em macacagem e basofaria.

'Deus!

João Branco disse...

Neu, a questão aqui nem está no dinheiro, mas no fazer das Universidades aquilo que, efectivamente, elas deveriam ser: centros de conhecimento, onde se produz, incentiva e premeia o sentido critico e a criatividade dos formandos, futuros quadros deste país. Essa parte é que me parece importante!

Teatrakacia disse...

É claro que as nossas Universidades, por muitas que sejam, estão todas a 'aprender' (posso dizer que estão na Escola Primária?);
Mas pr'aqui, acho que o que é chamado mais é uma cultura que não temos, e que espero que as Universidades vão - com o tempo - empurrar para que tenhamos: Investigação científica, estudo de casos mil - comparados ou não - publicação e massificação de ideias e ensaios e críticas... tudo isto a partir da utilisação da 'massa cinzenta', num esforço intelectual sistematizado.
A massa cinzenta até hoje é mais utilisada para 'garantir um bom vencimento para pagar as obrigatórias manifestações de riqueza e disputa com o colega do lado...
Tchá

João Branco disse...

Excelente comment, Tchá!

Alex disse...

1- Boa hipótese Miguel. Gostei. A ironia aqui é certeira e eficaz. E não é só com os Dr's, PhD's ou Prof's. Com muito boa gente cuja função é usar o intelecto como instrumento. Jornalistas p.ex. (falo do estado geral da nação, e não das excepções).
2- Os 'anónimos' que aí falam da questão pertinete da QUALIDADE, têm razão, mas... O mas tem a ver com o comentário do Tchá. Concordo Tchá. Estamos a aprender a caminhar, e infelizmente a falta de qualidade é (e vai continuar a ser) uma das muitas DORES de que o sistema padece, e irá padecer, infelizmente, por muito tempo. Mas faz parte do processo. O importante é saber se as Universidades, os Institutos também sabem isso, e o que é que estão a fazer para corrigir e melhorar, nomeadamente avaliar regularmente, a qualidade do ensino que ministram, e a qualidade dos docentes que contratam.
3- A Catarina toca num ponto crucial. Reconhece que a "culpa" é da escola que temos. Não desperta nos alunos a vontade, o desejo de aprender. Já aqui falamos disto noutro lugar. Onde defendia uma outra escola, para este tempo outro em que vivemos. Da tua abordagem resultam para mim algumas interrogações essenciais. E o que está a Universidade a fazer para, em diálogo com os Ministérios da Educação e da Cultura, isto é em diálogo com o sistema que injecta no Superior esses alunos impreparados, contrariar este processo? Limita-se a ver passar a banda? Assobia para o lado? Ou vai fazer o papel de "ama seca", isto é fazer algo que não lhe compete fazer (que competia sim aos 1º e 2º Ciclos fazerem, e não fizeram), ser mais brando no seu grau de exigência(?), facilitar as coisas(?)?? Que qualidade, que mais valia pode sair de uma Universidade se a massa crítica do material que lá chega é pobre? Qualidade não será com certeza. Lá está. Isto ajuda a explicar, mesmo que simplisticamente, um circuito de menos valias que só pode gerar maus/fracos resultados, ou, no limite, resultados duvidosos. O que há que fazer é saber como quebrar este ciclo, agindo (entenda-se investindo fortemente na preparação e nos meios) lá onde o mal começa a despontar. E as Universidades e os Institutos têm um papel fundamental (não se podem demitir do processo, tanto mais que eles também são "vítimas" dele, mas também porque estas Instituições a juzante conhecem, ou deveriam conhecer, grande parte das fragilidades com que os alunos lá chegam) na análise deste problema, no apontar de caminhos, e na implementação de soluções. Para quê Universidades e Institutos Superiores se não tivermos 1º e 2º Ciclos QUALIFICADOS? As Universidades e os Institutos não podem ser o SERVIÇO DE URGÊNCIA do sistema de ensino, ou os briosos BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS para apagar os fogos. Têm de fazer parte da solução, senão fazem parte do processo de perpetuação do ciclo reprodutivo de incompetências.
4- João, se achas que aqui, como noutras coisas, o dinheiro não conta estás enganado. Conta e muitíssimo, pela forma como condiciona quase tudo (e aqui volto ao comment do Miguel). Nomeadamente a capacidade de ajuizar e decidir. Ficamos sem saber quem decide com a cabeça, e quem decide com a barriga, com a carteira, ou com as contas bancárias. E para este tipo de decisões (entenda-se, escolhas) é tão grave e catastrófico estarmos limitados por outras dependências que não as da nossa consciência, como um médico perante o seu doente, ou um engenheiro perante uma obra, estarem condicionados por outros critérios que não os objectivamente técnicos. O dinheiro/salário, e a relação de tutela que estabele por via de uma imposição contratual, o medo do desemprego (das contas por pagar, lá está), o desejo desmedido de status, colocam certas profissões (numas mais graves do que noutras) no limiar de contradições, na fronteira e nos limites de práticas de duvidosa exigência ética (e não é um juizo sobre essas pessoas, é só uma constatação - o que temos todos de perguntar é, "E Eu? O que é que eu faria no lugar deles?").
5- Ultima perplexidade. Porque razão quase nunca vemos os nossos Governantes (actuais e ex's), (Ministros e todo o resto da pandilha hierárquica), os líderes partidários, Presidentes de Câmara, Universitários, eu sei lá, toda esta gente ilustríssima a defender na praça pública (Jornais, p.e.x) o que pensam sobre questões essenciais do País e do Mundo? Falo de textos de opinião, como em qq país do mundo acontece? Não falo das honrosas excepções que fazem isso há já muitos anos. Mas de toda essa outra gente que tendo ocupado cargos e funções importantes neste país, se demite de intervir, no que deveria ser uma obrigação cívica indeclinável.
Perguntar (ainda) não ofende pois não?
O debate está no 'ponto de rebuçado'.
Abç's a todos
ZCunha

Sisi disse...

Concordo plenamente com o Tchá, quando ele fala da cultura. Não podemos esquecer, que para início de conversa, em CV não existe uma cultura de crítica, as pessoas ainda têm muita dificuldade em criticar (de forma construtiva)e de receber críticas. E como era de esperar, isso reflectiu nas nossas escolas. Como disse a Catartina, os alunos não foram incentivados e nem ensinados a duvidar e questionar aquilo que é dito pelos professores. Relativamente as nossas Universidades, penso que acontece o mesmo (ñ estou por dentro da realidade). Acho que a resposta a tua questão João, é muito mais embaixo dos quadros médios e superiores, apesar de teres razão quando perguntas o que as nossas universidades estão a fazer. Penso que é preciso começar por intervir a nível da escola primária mesmo, ensinar as crianças a questionar, criticar de forma correcta e saber receber críticas. Contudo, é claro que apesar da nossas universidades ainda estarem numa fase de amadurecimento, acho que cabe aos professores desafiarem os seus alunos nesse sentido e ao próprio aluno, tendo em conta o nível de ensino, ser mais proactivo e adoptar uma postura mais crítica, até porque nunca é tarde para aprender algo que não sabemos e
melhorar aquilo que sabemos ou fazemos mal.

moreia koks disse...

Numa arena onde criticar é expôr a pessoas com argumentos castradores nem vale a pena começar porque é energia perdida. Ocupa-se o tempo em outros assuntos mais portadores que zurrar num blog, por exemplo.

As universidades dão às vezes as chaves mas é uma questão de educação social, familiar etc. Não esquecer que a democracia em Cabo Verde é ainda verde e que exprimir a sua verdadeira opinião não foi prática corrente nos antigos regimes.

Almiro Rocha disse...

Temos que ver que as prioridades em C.V foram mudando e com ela as estratégias. Eu concordo que realmente não temos (de uma forma natural) esse espirito critico. Temos que o criar agora porque antigamente (em 75, por exemplo) as nossas necessidades eram mais básicas. Penso que agora já não o são tanto porque o país já criou uma estrutura social razoavel em termos de desenvolvimento, que nos está a impulsionar para pensarmos mais além em termos daquilo que nos afecta. Alias, eu sempre estranhei porque é que não existem programas permanentes de discussão na TV pública. Ninguem fala da forma como o problema dos cereais, combustiveis, Inexistência de projectos de energias renováveis, etc, pode nos afectar, porque ninguem tem como criar soluções para isso, penso. Por isso vejo com bons olhos esse "boom" de Universidades. Agora, é preciso que elas não priorizem a parte financeira e sim a qualidade de ensino, ou seja, ensinar os alunos a pensar (pois, isso se treina) e concomitantemente, temos que mudar o nosso método de ensino básico e pré Universitário para que os alunos que cheguem á Universidade não sejam tão passivos. É claro que isso também passa por garantir-lhes (aos estudantes) condições de poderem não se preocupar em demasia com, por exemplo, como vai fazer para viver condignamente, depois de formado? compreendem? Casa, Carro...As necessidades dele precisam evoluir, para libertar-se do que é basico

Parabens pelo blog, João....alias, acho que os blogs fazem um pouco aquilo que as TV's não fazem, falando sobre as discussões...mesmo sendo efémeras, como disse alguem aqui (eu, por exemplo, tenho o hábito de ler os post anteriores, quando encontro um novo blog)

Hiena(tb conhecido como Hans Lujberg,do comité de estudo da anexação de cabo verde à Suecia) disse...

do meu ponto de vista problema està na "concepção" do modelo universitario, enquanto ficarmos numa de importar (de vez vem quando,adaptar), acho que temos de ter em conta varios factores e um dos importantes e negligênciados é a insularidade e tudo o quêl ta trazé ma el...devia-se criar um modelo caboverdiano, por exemplo ,porque não estudar modelos diferentes como dos paises nordicos , são mais atractivos , desde uma menor carga horaria,flexibilidade,metodologia de ensino e pora! aprende-se...mas é claro que têm e trabalhar a base (,primaria,2°daria etc)

Hiena(tb conhecido como Hans Lujberg,do comité de estudo da anexação de cabo verde à Suecia)

João Branco disse...

Porra, como disse o ZCunha, o debate está «no ponto de rebuçado»! Neste momento, nem tenho muito acrescentar ao que está sendo escrito, quase sempre bem. Vou digerir a coisa. Agradecendo a participação activa do ZCunha, Sisi, Almiro (bem vindo e volta sempre!) e Hiena dos mil nomes.

Abraço a todos e não deixem morrer esta importante conversa.

hiena(com seu novo cd de zouk no mercado,Hiena Love-aceito criticas) disse...

quanto a cultura critica do caboverdiano é quase um nome feio(palavrão), fazer uma critica em cabo verde é arranjar um inimigo, as pessoas confundem critica com "outra coisa", como ja se disse ou não sabem ouvi-la ou não sabem faze-la, um espada de dois gumes(ou legumes eh eh), não digo que se deva criar uma "instituição" pros criticos mas hà trabalho a fazer,que,como, e quando ,não sei ...
é a eterna questão da duvida,da curiosidade,da opinião,etc que muitas vezes passa ao lado da formação,e se não tiveres a sorte de te-la em casa(ou outro), tas F*D*Do, porque na "escola" sô estudam pra ter diploma ,mais nada,sai-se sem conhecimento e sem opinião formada...ta complicado , Ze Cunha onde bô esta? help help eh eh eh

Anónimo disse...

Z Cunha,

De facto o que acaba por acontecer nas Universidades é aquilo que referiste- os critérios de avaliação baixam, há menos exigência porque os alunos nos chegam com competências muito aquém do esperado (tirando as excepções). Dou-te o exemplo do domínio do Inglês. Nesta disciplina o nível de insucesso anda à volta do 70%. É mutio não achas? Agora pensa que a investigação se escreve sobretudo nesta língua e transpõe isso para o estudo da investigação que os nossos alunos fazem? já fizeste as contas....pois é 0! Não leêm uma linha em Inglês! Recusam toda a documentação que lhe damos em Inglês, traduzem-na, etc....

A dada altura decidimos, numa reunião sugerimos que os profesores de Inglês (disciplina transversal a par das Técnicas de Exressão Oral e Escrita) dessem textos técnicos em Inglês aos alunos, para estes trabalahrem e para se familiarizarem com a terminologia técnica de cada área. Resposta dos professore de Inglês: "Mas eles não conseguem dizer as horas em Inglês!!!!"
De facto eu acho que não é por aqui- se eles são fracos no domínio da língua estrangeira não podemos baixar mais a fasquia porque isto é alinhar com a mediocridade.

Muitas coisas não se alteram por guerrilhas de poder dentro da Universidade e este é um exemplo disso.

Abraço
Catarina Cardoso

Django disse...

Olá a todos...os vários comentários têm focado correctamente sobre a insuficiência intelectual e curricular dos alunos ao longo do seu ciclo de vida escolar:da primária à universidade.Ou seja,a culpa é das escolas que preparam mal os estudantes,a culpa é dos professores que são poucos exigentes e a culpa é dos pais que "lavam as suas mãos",etç.Falta esta pergunta:e as faculdades/universidades?Qual é a culpa de cada uma delas quando são poucos exigentes nos critérios de admissão dos seus alunos e dos professores?Alunos que não conseguem ler uma linha em inglês como foi dito acima conseguem entrar em cursos de linguas...pessoas com média que não ultrapassa o suficiente (13 valores) e que não têm nenhuma preparaçao ciêntifica conseguem ser preofessores universitários...isso tudo também "faz a sua parte" na qualidade intelectual dos nossos quadros..

João Branco disse...

Amanhã, vou publicar um texto que encontrei sobre este assunto, muito interessate - e que por acaso é sobre a realidade portuguesa - que vai dar pano para mangas e continuar este interessante debate. Estejam atentos.

JP disse...

Boas tardes blogueiros margosos,

Só uma pergunta: de que "formação média" falas tu, João? Em CV (e Portugal), só vejo doutores, muitos a saberem pouco mais do que o nome.

Aflige-me verificar que CV também embicou pelo mesmo caminho das "fábricas de canudos" que existem em Portugal. Daí não se pode esperar profissionais competentes (o mínimo exigível), quanto mais espírito crítico para pensar (e desenvolver) o país...

my 2 cents

João Branco disse...

Falo da que temos, JP, da que temos, e que provavelmente originou e motivou o teu comment...

Paulino Dias disse...

Alô, João, qui tal? Posso meter a minha "colherada" também?

Olha, na minha modesta opinião, a deficiente cultura crítica em Cabo Verde alimenta-se de 3 pilares fundamentais: a família, a envolvente cultural e a instituição de ensino.

A família. Apesar do número elevado de famílias chefiadas por mulheres solteiras, a maior parte da nossa "elite" advém de famílias do tipo patriarcal onde, muitas vezes, a "crítica" durante a fase de crescimento é confundida com o desafio à autoridade do progenitor. Por isso, muitas vezes reprimida. Que influência isso terá tido no fraco desenvolvimento de uma cultura crítica?

A envolvente cultural. É meu sentimento (muito pessoal, sem nenhuma sustentação "científica"...) de que em Cabo Verde o comodismo, o alinhamento com as regras e normas pré-estabelecidas, é melhor reconhecido do que a crítica, a subversão, o pensar diferente. Ver apenas os debates ou certas reacções que encontramos em artigos de opinião na blogosfera, por exemplo.

Instituições de ensino. Aqui, não meto apenas as Universidades. Falo do universo global, desde as escolas primárias. Qual a relação entre o aluno e o professor em Cabo Verde no que diz respeito ao pensamento crítico? É minha impressão ou também existe aqui a mesma tendência para confundir a crítica com o desafio à autoridade do professor? Os professores - em todos os níveis - estão preparados para aceitar de animo leve as opiniões contrárias dos seus alunos? Lembro-me de um episódio quando eu estudava o então Ano Zero em São Vicente: quando contestei um dos meus professores, que dizia do grande número de trapiches tradicionais ainda existentes em Santo Antão, rapaz, levei um raspanete dos diabos com pérolas do tipo que tinha saído do campo e que agora que estava na cidade estava a armar-me em espertinho...er. E estamos a falar de alguém que é tido como uma autoridade no que diz respeito ao ensino... Qual a responsabilidade de nós, os professores (que também sou), em cultivarmos uma mentalidade crítica no seio dos nossos alunos?

Bem, sorry ter alongado. Amanhã estarei em São Vicente, e quem sabe será tema para um café, ahn...

Abraço,
Paulino

João Branco disse...

Paulino, belo e pertinente comment. Muito possivelmente, com a tua autorização, será transformado num post próprio. Valeu?

Quando o debate sobre este assunto FUNDAMENTAL esmorecer, venho cá buscar este texto. Abr.

Anónimo disse...

Aqui há uns dedos na ferida que merecem são verdadeiros interpelações a nossa forma de estar, viver e criticar...

João Branco disse...

Exactamente, Anónimo. Espero que o debate possa continuar, porque sempre é uma forma - mesmo que exigua - de proceder a este combate diário, e sempre inacabado - por uma verdadeira mudança de mentalidades.

Anónimo disse...

Eu acho que em Cabo Verde muita gente ainda acredita que quem ñ apoie a sua opiniao é porque está contra ele. Se calhar podia-se fazer um estudo para ver quantos projectos de deputados da oposição conseguiram ter o aval da maioria dos seus colegas. Ou mesmo quantos desses projectos acabaram por subir a plenária. Porque mesmo a nossa elite tem esse problema. Na minha opinião o sistema está sem qualidade porque objectivamente pretende-se manter as nossas crianças mais tempo nas escolas, o que não tem favorecido o melhoramento da cultura cívica. O que está faltando em Cabo Verde na minha modesta opinião é a falta do esforço intelectual. Se formos ver na nossa legislação em geral e em muita coisa que se passa na nossa terra vejamos que a maioria delas são cópias mal feitas das coisas que existem lá fora.

João Branco disse...

Pertinente comment, Anónimo! Volta sempre!