Dois Cafés Curtos

4 Comments


1. Não tenho por hábito assistir a programas do género, mas ontem estive a ver a cerimónia dos Globos de Ouro na SIC, pelo facto da actriz Carla Galvão - com raizes cabo-verdianas, da ilha do Fogo - ter estado nomeada na categoria de melhor actriz de teatro, no espectáculo «Contos em Viagem - Cabo Verde», do Teatro Meridional. Uma peça que estreou mundialmente no festival Mindelact do ano passado e que nos mostrou uma actriz no seu apogeu, luminosa, plena de magia, sensualidade, talento, força e capacidade comunicativa. Foram momentos únicos que Carla Galvão nos proporcionou e estava curioso para saber se ela iria receber o prémio. Não ganhou. Mas o que ele nos deu, isso ninguém nos tira. Aplausos, Carla!
2. No mesmo programa, que fui espreitando depois com menos interesse, parei para ouvir a actriz Eunice Munoz, que acabava de receber um prémio de carreira e mérito. O que mais me impressionou naquela senhora foi a sua humildade e simplicidade. Com 80 anos de vida e mais de 60 de carreira, ainda nos conta que o que mais faz na sua profissão é auto-observar-se, procurar melhorar e aperfeiçoar a sua arte, não tendo problemas de ouvir a sua voz interior dizer-lhe: «que mal que estiveste hoje! Amanhã tem que ser melhor...». Uma lição.




You may also like

4 comentários:

Adriano Reis disse...

joão, todos nós estavamos a rezar que a carla ganha-se! o espect. foi reposto no teatro meridional em abril e até finais de julho estará em digressão pelo o país.
uma vez o miguel disse que um actor tornou-se mt bom depois dos 80 anos! a eunice deu-nos à nós actores uma lição de humildade!

João Branco disse...

Foi uma pena a Carla não ter ganho! Mas ganharam todos que tiveram oportunidade de a ver...

Anónimo disse...

Este ano não queria repetir a proeza do ano passado: não ir ver Contos em Viagem. Por isso, o Verão trouxe-me, entre outras coisas, esta vontade de ir ao Meridional espreitar o encanto de que ouvi falar. E como uma caboverdiana típica, no último dia da exibição em peça, cheguei ao teatro sem sequer ter feito reserva. Após uns minutinhos de angústia, a roer de vontade que alguém que tivesse reservado desistisse, disseram-nos que havia alguns (poucos) bilhetes. Mas foi a melhor notícia que me podiam ter dado ontem porque no ultimo lugar me sentei para deliciar tudo de bom que a peça tem e a excelente performance dos dois actors em palco. Numa sintonia espantosa, com um entusiasmo contagiante, transmitiram-me uma emoção tal que cheguei a casa e nem fechar os olhos queria, para relembrar aqueles momentos... Só não vim comentar logo esta notícia porque já se fazia tarde e a segunda-feira exige uma noite prévia de sono com todos os minutos que se lhe possam dispensar.
AV

João Branco disse...

E é ou não é um previlégio termos uma companhia deste gabarito a fazer uma peça destas sobre Cabo Verde? E saber que estreou mundialmente aqui no Mindelo? Fogo, fico logo todo inchado!