Declaração Cafeana

14 Comments




Esta é, certamente, uma das declarações mais sérias e convictas que já publiquei aqui no Café Margoso. Orgulhosamente.


Carta de Princípios da Rede Laço Branco Cabo Verde
Homens contra a violência de gênero

Quem somos?

O Laço Branco Cabo Verde é uma rede fundada no dia 10 Julho de 2009, por um grupo de homens das mais variadas áreas de formação e de actuação. É um grupo que se caracteriza pelo forte engajamento na promoção da igualdade de género, pelo que fomenta alianças com outras instituições/organizações da sociedade civil que se posicionam a favor dos direitos humanos e contra a desigualdade de género e a todas suas manifestações, especialmente a Violência Baseada no Género (VBG).

Porque surgimos?

Na sociedade cabo-verdiana prevalecem preconceitos e estereótipos sexistas bastante enraizados. Uma das faces mais visíveis destas representações é os altos índices de violência contra a mulher (22%), que têm como efeito a deterioração de relações nos espaços privados e públicos. Os homens são ao mesmo tempo parte do problema e da solução. Confrontando os homens com atitudes, normas sociais e comportamentos discriminatórios em relação aos papéis de género e à violência contra as mulheres, queremos comprometer os homens nesta luta de identificando e eliminação das praticas sociais injustas em função do género e de pôr fim à todos os tipos violência contra a mulher.

Em que acreditamos?

Que ser homem NÂO é:
  • Ter muitas parceiras;
  • Usar violência contra mulheres ou homens;
  • Aguentar a dor;
  • Procriar um grande número de filhos e filhas;
  • Exercer o poder sobre outrem;
  • Ser heterossexual.

Que ser homem É:
  • Saber construir relações baseadas no respeito e igualdade;
  • Não tolerar qualquer tipo de violência;
  • Ter coragem de pedir ajuda;
  • Saber partilhar decisões e poder;
  • Saber respeitar a diversidade e os direitos de todas e todos.
O que queremos?
  • Difundir e multiplicar a mensagem do Laço Branco Cabo Verde;
  • Promover a igualdade e a equidade do género;
  • Combater todas as manifestações de violência, nomeadamente a VBG;
  • Promover e estimular a assumpção plena dos direitos e deveres próprios da paternidade;
  • Apoiar as políticas e iniciativas que fomentem a equidade de género na família, na saúde, na justiça, na educação, na política, na economia e na comunicação social.

Para tal, a rede tem o intuito sensibilizar, envolver e engajar os homens em Cabo Verde e a sociedade civil no geral no combate à violência baseada no Género e a todas as formas de desequilíbrio de género, e na desconstrução duma visão distorcida de masculinidade.

Quais os princípios dos quais não abdicamos?
  • Da visibilidade no combate à violência contra a mulher;
  • Da denuncia e combate a todos os actos de omissão, infracção, comportamento discriminatório, nomeadamente, machismo/sexismo, exclusão social, homofobia, racismo ou qualquer outro tipo de comportamentos contra mulheres, homossexuais, bissexuais, transexuais e violação dos direitos resultantes da desigualdade de género;
  • Da aliança com as mulheres para alcançar a equidade de género e conquistar direitos, saúde e bem-estar das mulheres e meninas;
  • Da assumpção e partilha das responsabilidades que a constituição da família implicam, nomeadamente o cuidado das crianças ou dependentes e as tarefas domésticas
  • De praticar uma nova masculinidade que respeita a diversidade sexual e os direitos reprodutivos de mulheres e homens;
  • De responsabilizar-nos pelo nosso bem-estar, pela nossa saúde, planeamento familiar e por uma pratica sexual responsável;
  • Da identificação e da denúncia das necessidades específicas e experiências de homens e meninos que não são tomadas em conta pelas políticas públicas e práticas profissionais em todas as áreas;
  • Da transparência, honestidade, justiça e ética em todas as nossas acções;
  • Da colaboração e diálogo com todo o tipo de instituições.


Contactos:

Email: lasubranku_cv@yahoogrupos.com.br
Facebook: http://www.facebook.com/home.php#/group.php?gid=240299560523&ref=ts
Rua Serpa Pinto nº68 CP 253 – Tel: 261 62 71/ 261 51 74 - Fax: 261 52 63




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14 comentários:

Helena Fontes disse...

Quero tambem fazer parte e usar sempre o lasu branku.

Parabens pela coragem.

Bali

BFS

;)

HF

zito azevedo disse...

QUE A IDEIA CRESÇA E FLORESÇA ...

Anónimo disse...

Apesar da tua seriedade João, junto algumas perplexidades que me intrigam. Nada contra o movimento, antes pelo contrário.
Perplexidades:
1ª Rede fundada em 10 de Julho, e SÓ AGORA aparece? Não vi até hoje nos jornais ON-LINE a notícia. Uma coisa com esta pretensão (séria!) e com esta dimensão (nacional, julgo eu) para fazer frente a um flagelo destes NÃO MERECIA OUTRA DIVULGAÇÃO, OUTRO APARATO, OUTRAS ADESÕES que ajudassem a promover a ideia? Ou foi isso que aconteceu e eu andei distraído? NÃO HÁ NADA MELHOR PARA MATAR UMA BOA IDEIA DO QUE UM MAU COMEÇO, AUSÊNCIA DE VISIBILIDADE PÚBLICA, AUSÊNCIA DE NOTORIEDADE QUE A CREDIBILIZE.
2ª Formada por um GRUPO DE HOMENS? A meu ver começa mal. Então e as mulheres? (Parabéns Helena Fontes, é isso mesmo. As mulheres devia estar TAMBÉM à cabeça de uma tal rede.) E os Jovens? E até as crianças? Ou apostamos em ganhar os nossos jovens para estas causas, pois serão eles os futuros agressores, ou vai ser uma rede para inglês ver.
3º Entendo a ênfase no masculino, mas é com adesão da sociedade e das autoridades (não só prevenindo, formando, mas também PUNINDO EXEMPLARMENTE) que se conseguem resultados. Todos os anos volta-se à carga com este tema. Pergunto: desde o ano passado, p.ex., o que é que foi feito para combater este problema? Há alguma campanha nas ruas, nos jornais, nas rádios, na TV? NÃO? Ora porra, isto é que é fazer SERVIÇO PÚBLICO! Sem ganhar os media movimentos e redes como estes, UTILÉRRIMOS sem dúvida, não são mais do que tratar uma hemorragia com pensos rápidos.
4º Discordo de algumas conclusões, escusadas neste caso, mesmo que perceba a intenção, por entender que elas extravasam o âmbito do que está em causa, confundem e misturam objectivos, tanto mais por que se baseiam num moralismo duvidoso, para não dizer hipócrita:
• Ter muitas parceiras
• Procriar um grande número de filhos e filhas
• Ser heterossexual
• Aguentar a dor (esta deu-me para rir)
tudo isto é perfeitamente dispensável. QUEREMOS COMBATER A VIOLÊNCIA, tout court, OU QUEREMOS COMBATER A VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES E AS CRIANÇAS. A ambiguidade aqui não ajuda, tal como um certo Catecismo a cheirar a sacristia também não.
Repito: um movimento destes devia ter nascido associado a uma MEGA CAMPANHA PÚBLICA no género da que foi feita para a Dengue. E não assim tão envergonhadamente.
Entende isto mais como um desabafo de frustração do que uma crítica.
Forte abraço
ZC

JB disse...

ZC

Os focos de combate contra a violência baseada no género são vários. A campanha do Laço Branco, que é global, é apenas uma componente e pretende envolver directamente os homens. O que não quer dizer que não haja muitas outras iniciativas directamente relacionadas com mulheres ou com ambos.

Concordo que podia ter uma divulgação mais ampla. Mas mais vale tarde do que nunca e aqui estamos para dar a nossa contrbuição. Por mim, tento fazer a minha parte, e acredito que muitos outros também o façam.

Acho também que passas ao lado dessas "características" que temos que evitar classificar como "de macho". O homem não chora, o homem não sente dor, o homem fode tudo o que mexe, o homem responde sempre se for assediado senão é porque é viado, etc. etc. etc. É fundamental combater esta visão redutora do que é ser homem. Quando se diz que não se é necessariamente homem pelo simples facto de ser-se heterossexual, está se também a dizer que um homosexual é tão homem como eu ou como qualquer outro, e que isso independe da nossa opção sexual.

Muita da violência doméstica contra as mulheres começa, do meu ponto de vista, nesta percepção do que um homem, para ser homem, tem que ser bruto, duro, insensível e tarado, "com muitas namoradas" (como muitos pais dizem, babados, dos seus próprios filhos, mesmo que estes tenham 2, 3 ou 5 anos.) Esta campanha do Laço Branco luta contra esta percepção. E deve começar por nós, homens sim.

Mas é apenas mais uma campanha. Não é A campanha. Acho que foi isso que não ficou claro no teu comentário.

Abraço

Ivan Santos disse...

Olá ZC!
A Rede foi criada a 10 de Julho de 2009. A iniciativa saiu de uma formação/capacitação que os próprios fundadores da Campanha Laço Branco Canadá, WRC (White Ribbon Campaign), ministrou para um grupo de 25 homens de 6 a 10 de Julho. A ideia inicial era engajar, sensibilizar homens de variadas formações e actuações profissionais, a tomarem consciência da importância, de seus engajamentos nesta luta. Podia ter sido criada semanas depois, meses depois. Mas todos concordaram a em criar, dar o primeiro passo naquele momento.
Posso até concordar que a referida campanha podia ter um outro começo, uma outra visibilidade, mas há que se levar em conta outros pormenores(logisticos, disponibilidade,financiamento, ligeireza, visto que estamos frente a uma sociedade bem machista, etc,etc), só não concordo com sua posição de "bota-baixismo".Em vez de se posicionar assim, podia era fazer parte desta luta,desta causa,saber o porque do envolvimento de homens e meninos na luta contra a violência baseada no género. Saber o perfil de cada membro, a sua área de actuação, saber que temos um plano estratégico, plano de acção, saber que temos 3 grandes temas que iremos focar por ex. VBG,Paternidade Responsavel,Saude Reprodutiva.
Fica o convite já agora. A adesão deve ser por iniciativa própria,mas neste caso fica o convite.Seja um homem Laço Branco.
A rede não é um espaço fechado para homens, não é um clubinho onde só entram homens, não é uma panelinha, não é uma brincadeirinha de amiguinhos. Mas a iniciativa da campanha é sim dos homens, temos que dar a cara e repugnar actos de violência contra as mulheres.Porque normalmente o que se houve por aí, é "ah igualdade e equidade de género?isso não é problema meu, ELAS que resolvam"...Não, basta. Nós homens deviamos tbm entrar nesta luta meu caro.

Outro pormenor. Do dia 25 de Novembro(dia internacional da eliminação da violência contra a mulher), ao dia 10 de Dezembro(dia internacional dos direitos humanos), celebra-se Os 16 dias de activismo. O lançamento da campanha da Laço Branco Cabo Verde está enquadrado nessa celabração, ou seja assim já estava agendado pra ser.Foi propositado.

E mais não digo.Um abraço
Fico à espera da sua adesão ZC, as portas estão abertas.Dê seu contributo.

Ariane Morais-Abreu disse...

Anonimo ZC, estou plenamente de acordo contigo acrescentando que começar pela negaçao "Que ser homem NAO é... " borra logo de entrada no espirito e na letra a intençao primeira. Pretender ter uma definiçao (negativa) do ser humano ja é a negaçao (anihilaçao)do mesmo !! Cuidado também com a confusao dos gêneros e o dogmatismo...

Ivan Santos disse...

É por acreditar que o que faz de um verdadeiro homem é ser forte fisica e psicologicamente, é ter várias parceiras, é desrespeitar a diversidade...que temos um homem que se acha no direito de exercer a violência sobre aqueles que ele crê serem inferiores, porque para ele é natural, é normal agir assim.

Alex disse...

PARA EVITAR DÚVIDAS, QUE AO PARECE O MEU COMENTÁRIO PROVOCOU EM ALGUNS ESPIRITOS, INCLUINDO O DA MINHA MULHER, MADO O MEU COMENTÁRIO COMPLETO, QUE SÓ NÃO SEGUIU NA ALTURA POR NÃO CABER. AS RESPOSTAS SEGUEM DEPOIS.

1ª PARTE
Apesar da tua seriedade João, junto algumas perplexidades que me intrigam. Nada contra o movimento, antes pelo contrário. O maior problema das sociedades hoje é saber o que é que a sociedade civil (as pessoas concretas) está disposta a fazer por ela própria. Nomeadamente organizando-se. Por isso parabéns pela iniciativa. Meu apoio total.
Perplexidades:
1ª Rede fundada em 10 de Julho, e SÓ AGORA aparece assim nos Blogues? Não vi até hoje, nem vejo ainda hoje, nos jornais ON-LINE (em nenhum) a notícia. Uma coisa com esta pretensão (séria!) e com esta dimensão (nacional, julgo eu) para fazer frente a um flagelo destes NÃO MERECIA OUTRA DIVULGAÇÃO, OUTRO APARATO, OUTRAS ADESÕES (que ajudassem a promover a ideia: P. República, 1º Ministro, Entidades, e gente conhecida da sociedade civil, músicos, artistas, desportistas, etc., etc.)? Ou foi isso que aconteceu e eu andei distraído? Digo isto por uma e só uma razão (preocupação): NÃO HÁ NADA MELHOR PARA MATAR UMA BOA IDEIA DO QUE UM MAU COMEÇO, AUSÊNCIA DE VISIBILIDADE PÚBLICA, AUSÊNCIA DE NOTORIEDADE QUE A CREDIBILIZE.
2ª Formada por um GRUPO DE HOMENS? A meu ver começa mal. Então e as mulheres? (Parabéns Helena Fontes, é isso mesmo. As mulheres devia estar TAMBÉM à cabeça de uma tal rede.) E os Jovens? E até as crianças? Ou apostamos em ganhar os nossos jovens para estas causas, pois serão eles os futuros agressores, ou vai ser uma rede para inglês ver. As crianças (??), perguntar-me-ás? Sim! Das creches à primária começar a ensiná-las o que é correcto e o que não é, ensiná-las e ajudá-las a perceber e a lidar com este universo de violência com que convivem em casa (violência sobre as mulheres, mas também sobre os filhos). Só apostando no futuro (crianças e jovens, sem complexos) esta guerra será ganha.
3º Entendo a ênfase no masculino, mas é com adesão da sociedade e das autoridades (não só prevenindo, formando, mas também PUNINDO EXEMPLARMENTE) que se conseguem resultados. Todos os anos volta-se à carga com este tema. Pergunto: desde o ano passado, p.ex., o que é que foi feito para combater este problema? Há alguma campanha nas ruas, nos jornais, nas rádios, na TV? NÃO? Ora porra, isto é que é fazer SERVIÇO PÚBLICO! Sem ganhar este poderosos meios de comunicação como combater isto? O tema é tratado nas nossas Escolas e Liceus? NÃO? Enquanto isto não se fizer (combate em várias frentes) grupos, movimentos e redes como estas, UTILÉRRIMAS sem dúvida, não são mais do que tratar uma hemorragia com pensos rápidos. Será que os media estão à espera de receber dinheiro para aderirem a uma campanha destas?
...CONTINUA...

Anónimo disse...

...CONTINUAÇÃO...
2ª PARTE

4º Discordo de algumas conclusões, escusadas neste caso, mesmo que perceba a intenção, por entender que elas extravasam o âmbito do que está em causa, confundem e misturam objectivos, tanto mais por que se baseiam num moralismo duvidoso, para não dizer hipócrita:
• Ter muitas parceiras
• Procriar um grande número de filhos e filhas
• Ser heterossexual
• Aguentar a dor (esta deu-me para rir)
tudo isto é perfeitamente dispensável. QUEREMOS COMBATER A VIOLÊNCIA, tout court, OU QUEREMOS COMBATER A VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES E AS CRIANÇAS (maioritariamente exercida pelos homens). A ambiguidade aqui não ajuda, tal como um certo Catecismo a cheirar a sacristia também não.

Quanto ao resto, mais vírgula menos ponto, APOIADO!
O movimento tem de EXIGIR às autoridades e ao Governo, sob pena de serem cúmplices por inacção, campanhas nos media e nas Escolas;
Se a Justiça tem de se apoiar nas Leis para agir nestes casos, como não pode deixar de ser, (a Justiça tem de dar um sinal claro à sociedade que não contemporizará com a violência, venha ela de onde vier, numa espécie de TOLERÂNCIA ZERO para casos de violência), e a sociedade civil tem de fazer sentir a Justiça que tem o seu apoio inequívoco nesta campanha de luta contra todas as formas de violência.
Infelizmente cá em Portugal a coisa não tem melhorado. E com o agudizar da crise económica e social, a coisa tem atingido as raias do absurdo. Não há dia que um homem não MATA (sim MATA) a sua companheira. Já nem falo de agressões físicas que aumentou. Esta é não é só uma luta local, mas global, embora seja travada e ganha localmente.
Repito: um movimento destes devia ter nascido associado a uma MEGA CAMPANHA PÚBLICA no género da que foi feita para a Dengue. E não assim tão envergonhadamente.
Entende isto mais como um desabafo de frustração do que uma crítica.
Forte abraço
ZC

O número de caracteres obrigou-me a cortar partes do meu comment. Julgo que o texto integral responde às observações feitas. Não que tenha de me justificar, mas é sempre bom esclarecer estas coisas. Portanto caro Ivan, SOU E ESTOU com o movimento, nem podia ser o contrário. Mas lamento que as críticas sejam mal-vindas, mesmo que da parte de quem apoie. Se reler o meu texto, na parte final sou claro quando falo em frustração. Frustração por o movimento não ter tido o impacto que deveria ter tido, e a adesão que merecia por partes de Autoridades, Entidades e Media. Quanto às minhas observações mantenho-as integralmente, porque reafirmo que há ali observações deslocadas do contexto, mas isso já é conversa a manter com o JB. Força!

JB disse...

Isto é como noutros assuntos: a falar é que a gente se entende. E este debate só vem favorecer a causa. Keep going!

Ivan Santos disse...

As criticas não foram nem bem-vindas, nem mal-vinds, simplesmente foram recebibas, pq é assim que elas devem ser tratadas.O JB até já disse, é a falar que a gente se entende.
Só quis esclarecer alguns pontos. A Campanha está no inicio.Tudo o que o caro ZC já frisou está para ser feito. Portanto é cada coisa no seu tempo, cada coisa na sua hora.

abraço.

Carlos Reis disse...

Aderindo a tudo o que entretanto já foi dito pelo Ivan, gostaria de esclarecer mais algumas questões.
1º - Quando se diz que ser homem não é ... e se apresenta um rol de atitudes e comportamentos que normalmente estão intimamente associadas à masculinidade, não queremos dizer que o facto de ser ter, por exemplo, muitas parceiras, faz com que não se seja um homem. Queremos dizer que isso não é o que define um homem. E o mesmo vale para o restante elenco. Que é propositadamente controverso, obrigando exactamente a este tipo de discussões. Quanto à questão do início da camapnha e seus destinatários, bom, laço branco é uma vertente, que como costumo dizer, é a tradução daquela frase "conversa de homem para homem". Somos homens e procuramos homems como destinatários do nosso discurso, que obviamente não exclui mulheres. Mas a verdade é que procuramos o calcanhar de aquiles do que vem sendo feito até agora, acreditando que mensagem chegará melhor aos homens quando outros homems a divulgam, trabalhando a comunicação tendo em conta o receptor.

alex reis disse...

E para completar, queria esclarecer que a violência que pretendemos combater está centrada na VBG (violência baseada no género)em todas as suas manifestações, violência doméstica ou no trabalho, entre cônjuges, unidos de facto ou com qualquer tipo de outro laço de afectividade, física, psicológica, sexual, moral, como acto isolado ou reiterado. Mas é muito mais do que isso. O que pretendemos realmente é que a eliminação da violência de género catapulte uma verdadeira igualdade de género e, essa, só se consegue com uma discussão mais alargada sobre os modelos de masculinidade e a própria consciência de que o modelo imposto pelo patriarcado, ainda que não nos dermos conta, é também injusto para os homens, que são formatados para ter comportamentos de risco (tenta encontrar a diferença estatística nacional e mundial de mortes entre os 19 e 40 anos, para as mulheres e homens e sua causas, para poderes perceber isso), para darem uma importância relativa e centralizada mais no sustento económico do que nos laços de afectividade, no que toca à paternidade e ao seu papel na família. E isso, meus senhores, é o que nos move: A igualdade do g´nero. A violência baseada no género é apenas o primeiro passo. Assim como acho que seria justo perguntar o que é que o Laço Branco teria de pferecer a 10 de Julho de 2009 e se o que interessa é apenas a divulgação, antes mesmo de sabermos, divulgar o quê. Os membros fundadoeres do Laço Branco assumiram esta como a sua primeira conclusão: precisamos de formação sobre género, urgente. Somos sensíveis, mas ainda nos falta muito. Bem-vindos os que se vão aproximando.

JB disse...

Muito bem...