Um Café com o nosso Primeiro

8 Comments




Foi bom ver o Primeiro-Ministro assumir as rédeas desta crise com vigor e determinação. Foi bom ver o Primeiro-Ministro dar o exemplo e pôr a mão na massa, para limpar o seu próprio quintal. Foi bom ver outros ministros acompanhar o Chefe do Governo. Foi bom ver a população mobilizada, empenhada, consciente e solidária. Foi bom sentir a massiva campanha de divulgação na rádio e televisão nacional, nas cidades, nos bairros, nas vilas, no porta a porta. Foi bom saber da existência de um número de telefone para as emergências. Foi bom saber que vem aí ajuda internacional de quem está habilitado para este tipo de combates. Foi bom ver os militares em actividade. Foi bom sentir o ar mais respirável.

Mas tudo isto não servirá de nada se não tivermos a noção clara de que foi apenas um princípio de um começo. Neste momento urge:

1. Não parar e fazer deste dia D apenas um exemplo para todos os outros dias que aí vem. A preocupação com a limpeza tem que ser constante, a monotorização a possíveis focos tem que ser contínua, a recolha do lixo tem que ter outra eficácia;

2. ter mão pesada para comportamentos que, juntamente com o clima, estão quase sempre na origem deste tipo de doenças. Há por aí muitas colinas e lixo para recolher. Que quem for apanhado a cagar, mijar, cuspir ou a deitar lixo e água suja nas vias públicas, seja multado e obrigado a trabalho comunitário forçado. Se não está previsto na Lei que haja acordo parlamentar para que passe a estar e dessa forma os senhores deputados poderão também dar a sua contribuição;

3. rever e repensar toda a política de saneamento, a nível nacional. Pensar se neste momento, é mais importante mais uma estrada alcatroada ou uma estação de tratamento de resíduos sólidos. Se são mais urgentes certos investimentos públicos em empresas sorvedoras de dinheiro do que aplicar essas verbas em aterros sanitários, neste momento absolutamente decisivos para a manutenção de Cabo Verde como destino turístico atractivo;

4. ter coragem de olhar para trás e entender como podemos ter chegado a este ponto. Não podemos cair no discurso fácil onde a culpa é de todos e não é de nenhum, ou seja, é de todos em particular e de ninguém em geral. Isto passa, obviamente, pela responsabilização social no que diz respeito ao comportamento de cada cidadão mas também passa pela responsabilização política, porque por muita água que se sacuda do capote, algo não funcionou como devia no que diz respeito à preparação e resposta dos serviços públicos no sector da saúde.







You may also like

8 comentários:

Dennis disse...

Caro JB de facto foi notável o grande frenesim da população, algo de louvar.Em relação aos nossos dirigentes espero que esta mão na massa, que logo noite vai doer, lhes chame a atenção para tomar certas medidas que lhes compete e em relação a população a ideia que tive hoje é que tiveram a noção que de facto a capital tem muito lixo. Como disseste e bem é só inicio caso contrário não conseguiremos combater esse Cocktail Molotov de doença formada pelo Dengue + Paludismo + Gripa A .

Saudações Mindelenses

Lily disse...

Apesar dos problemas subjacentes tenho de dar os parabens aos Caboverdeanos pelo excelente sentido comunitário e de entreajuda.
Quem sabe não foi um bom exercício de reflexão, um despertar de consciencia da população e dos políticos para o que não deveria ter sido feito e para o que deverá ser feito...

zito azevedo disse...

A caça às bruxas, agora, não interessa a ninguém: só aos mosquitos...Agora é preciso que todos os dias sejam SEXTA-FEIRA!
Zito

Dany disse...

Os serviços de saúde falharam? afirmação precipitada e temerária quando estão a conseguir dar resposta a uma procura sempre em crescendo. Na Praia conseguem responder a 1000 casos dia
Que se saiba a limpeza das ruas e das cidades não cabe ao MS nem a nenhum outro ministro. Saneamento público sempre foi das câmaras. A omissão delas provocou que fosse o Governo a assumir a luta. Supostamente as delegacias de saúde intervêm com os serviços camarários quando são por estes chamados...
Sem demagogias pois são precisas estradas para se chegar aos aterros e para construí-los a maquinaria pesada tem de passar... se calhar vai pelos ares.
Ainda me lembro do reboliço quando o governo quis avançar com uma solução para o lixo: esqueceram-se que o lixo hospitalar é tóxico, tal como o e-waste como os pc`s, telemóveis e tantas outras coisas. Esqueceram-se que em Portugal não se discutiu a necessidade das incineradoras mas onde colocá-las.

JB disse...

Ah não falharam? Então como se chegaram aos mil casos por dia? Porque estavam muito atentos e prontos para atoar? Não, meu caro, não estavam. Tanto não estavam que ficaram completamente atordoados quanto isto tomou proporções enormes e teve que vir o Primeiro Ministro, e bem, assumir o comando da situação. É responsável também por, a dois dias da grande assunpção pública de que estavamos perante um caso de calamindade, ter-se dito à comunicação social que a situação estava "controlada".

Quanto ao argumento de porque é que (mais) estradas são hoje mais importantes do que resolver o problema do saneamento, é tão risiivel que nem merece mais nenhum comentário.

Dany disse...

não chegam aos mil casos por culpa dos serviços de saúde. o serviço de saúde tem é de ter capacidade de dar resposta aos mil casos e ter soro para toda a gente (pelo menos para aqueles que querem receber o soro).
Chegam aos mil casos porque os mosquitos encontraram as condições propícias para se propaghar. Lixo, lixo e mais lixo.
Risível. Pois. As coisas caem do céu. Sabe como se constrói um aterro? Que tipo de máquinas são precisas? como é que elas transitam? E como é que os camiões do lixo chegam aos aterros? Pois é absurdo que sejam necessárias estradas. Faz-se aqui já na morada um bom aterro.

Tchale Figueira disse...

Parabens a todos caboverdianos que estao metidos nesta luta contra esta doença. Creio que agora é o momento de ensinar as pessoas quao necessario é a saude. Lamento os obitos mas agora é tempo de uniao de todos os Caboverdianos e dos estrangeiros que vivem no arquipélago na luta contra todos os males. Ficamos gratos a França e a todos os que vierem ajudar-nos. Pode soar um pouco ingénuo mas direi que nada melhor entre os Homens do que partilhar.

Anónimo disse...

Caro João Branco, os códigos de posturas municipals sancionam quem urinar ou defecar na via pública. Para que haja efectividade na aplicação dos tais códigos, urge que os municipis tenham nos seus principais certos urbanos sentinas públicas de utilização a preços módicos ou mesmo gratuita! Isto não acontece em Cabo Verde