Língua Chumbada

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O Parlamento cabo-verdiano acabou de chumbar a paridade entre as línguas cabo-verdiana e portuguesa no processo de Revisão Constitucional em curso, tendo o debate terminado neste preciso momento. Estranhamente, não me apercebi de nenhum deputado que tenha levantado a questão da (eventual) inconstitucionalidade da medida que aprovou o Alfabeto Cabo-verdiano (ex-Alupec), na senda do que foi defendido pelo Dr. Virgílio Brandão nos seus artigos no blogue Terra Longe. Dado importante: o Ministro da Cultura, o maior defensor deste processo de oficialização, não esteve presente por motivos de agenda, facto que foi, naturalmente, criticado pela oposição. De resto, os argumentos esgrimidos primaram pela superficialidade e pela rivalidade partidária.

A UCID votou contra porque considera que não foram criadas as condições para esta oficialização e que o povo de Cabo Verde não foi tido nem achado nesta matéria.

O MpD absteve-se porque considera que esta oficialização seria só uma operação de cosmética e que não existem condições, neste momento para que isso possa acontecer.

O PAICV votou a favor porque considera que este seria o único passo válido para uma dignificação da língua cabo-verdiana, e que passados 10 anos da última Revisão Constitucional, esta era a hora para dar este passo em frente.

E agora? Quo vadis, kriolus?





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10 comentários:

zito azevedo disse...

Será uma "guerra" de gerações, em que se ganharão e perderão muitas batalhas...No fim, a evidência vencerá!
Zito

Virgílio Brandão disse...

João,
só agora consegui ter acesso a RCV... estava off. Só agora tive acesso à discussão.

Od deputados sabem que o DL do ALUPEC/Ak é inconstitucional, mas falta coragem para o assumirem. As razões?...

Não podem ter dito que não aceitam a oficilização do crioulo, pois ela foi oficiolializada como lingua cabo-verdiana pelo DL de Março. Isso em consequências. Não entendo esses deputados...

Abraço fraterno

Tchale Figueira disse...

Nao se pode criar uma lingua com o intento de uns dominarem os outros. Sou a favor de um caboVerde unido.

Como diz Zito Azevedo: A evidencia vencerà...

Tina disse...

O MpD absteve-se??? Ainda bem que houve quem votasse contra no seio do PAIGC... e certamente da UCID também!

Esclareço que não sou contra a oficialização do crioulo como língua oficial, o que não aceito é um alfabeto baseado numa simplificação extrema!

A capacidade de análise e crítica é importante em qualquer área da actividade humana, convenhamos!

E eu que já tinha perdido a confiança na inteligência e bom senso dos nossos pois já via o Alupec aprovado...

Abraço.
Tina

Et disse...

JB, es e di … Bakon, bakan i bakandezas
Forti N ten Kuza fla, ma li sta fladu so na purtuges… Paxenxa! O parlamento VOTOU a oficialização da Língua Caboverdiana: MPD votou abstenção, a UCID votou contra e o PAICV votou a favor. Ninguém pode querer desresponsabilizar os PARTIDOS e os nossos Deputados… Eu acho, muitos de nós achamos, que o MPD devia ter votado favoravelmente porque todos nós falamos e entendemos em LCv e escrevemos a LCv de uma das duas maneiras possíveis. Votasse favoravelmente, era votar a favor da dignificação da Língua que falamos e deixar que cada um de nós escolhesse a “moda” de escrever. Desresponsabilizou-se! Este é um facto, não há como escondê-lo.

Carla disse...

AINDA BEM!
Já estava a ver o MpD a viabilizar a oficialização do criolo apenas para que o PAICV aceitasse as suas propostas no sector da justiça.
Se bem que ainda não estamos livres disso porque agora voltam a comissão eventual para tentar consenso até segunda-feira.
Gostei da atitude da UCID. não há condições, não houve discussões e estudos aprofundados portanto, voto contra (de forma clara, nada de abster-se num assunto tão importante).
Espero que na segunda-feira não voltem outra vez com esta mesma proposta.

Paulo Santos Silva disse...

Comento só para confessar a minha Ignorância sobre esse assunto: Estão a falar de quê ? O que é isso de paridade ? Os Deputados devem aprovar o quê ? Aliás (Terminou o comentário ignorante, agora é boca mesmo ! ) não deveriam estar estes idiotas dos deputados com pá numa mão e outra coisa qualquer na outra a tentar limpar os focos do veículo transmissor da Dengue, ao menos estariam a fazer algo de útil ? Eu disse idiota dos deputados ? Pronto está dito, está dito ... "ques que são"

MRVADAZ disse...

Ainda bem! Espero os caboverdeanos trabalharem seriamente para criar condições para que isso aconteça um dia, a começar pelo melhor ensino do português. Nada de imposição, parabéns à UCID pela clarividência das ideias.

Anónimo disse...

Ó joão,

Os Deputados pela tamanha ignorância que o Parlamento demostrou mais vale tirarem todos e qualquer artigo que fala sobre lingua porque estamos a caminhar para um país sem língua quer...isso só nãoa contece graças aos estudos acdémicos sobre a lingua cabo-verdiana e portuguesa que vem acontecendo fora de Cabo Verde! Com Sim ou nao do Parlamento a língua cabo-verdiana continua a ser ensinada para além dos Estados Unidos e Holanda,a gora em Portugal ( vide o jornal português "Público" do dia 29 de Outubro). O Parlamento que faça o trabalho de casa antes de falar de coisa sérias.

Sisi disse...

Assino embaixo das razões da UCID, pois toda mudança tem as suas consequências e não houve um preparação para tal, logo a probbilidade das coisas correrem bem era 0.
Todo assunto tem a sua importância, mas penso que o Paulo Silva tem toda a razão, numa altura dessas as preocupações deveriam ser outras. Tenho a sensação que ainda não caiu a ficha da gravidade da Dengue...ela mata e feio!!!