Declaração Cafeana

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Participei ontem num programa da Rádio Nacional, "Palavras Cruzadas" sobre a temática da liberdade de imprensa e de expressão, tendo dado a minha opinião sobre o actual panorama em Cabo Verde nessa matéria, que considerei, de uma forma geral, globalmente positivo. Acredito que só não fala ou escreve quem não quiser. Pode haver um ou outro caso em que alguém se sinta condicionado por alguma razão pessoal mas quero acreditar que isso é a excepção e não a regra.

Eu próprio tenho escrito praticamente todos os dias, comentando, questionando, opinando, umas vezes de forma mais séria, outra utilizando algum humor, sobre os mais variados assuntos relacionados com a actualidade cabo-verdiana e nunca, de nenhuma forma, me senti condicionado ou pressionado seja por quem for. Antes pelo contrário: temho recebido de vários titulares de cargos públicos, de todos os quadrantes politicos e independentes, incentivos e cumprimentos pela intervenção cívica que este blogue procura cumprir diariamente.

Falou-se na rádio da necessidade de regulação e isso foi de imediato confundido com censura. A liberdade de expressão é o maior dos valores mas isso não implica que possamos sair pela rua fora a difamar, a agredir verbalmente e a insultar o primeiro que nos aparecer pela frente. É o que tem acontecido nalguns blogues e nos jornais online e daí ter-se falado da necessidade de regulação, até porque no caso dos online e dos blogues cujos autores dão a cara, como é o caso presente, pode haver responsabilização criminal de tudo o que é publicado, incluindo os comentários. Claro que com a falta de argumentos que grassa por aí, vem logo a conversinha de merda do tuga branco com tendências neocolonistas que quer voltar aos tempos de Salazar. É que já cansa!

A esses digo: tenho orgulho das minhas origens. Nasci em França porque os meus pais estavam foragidos da PIDE, tendo arriscado a vida na luta contra a guerra colonial. O meu pai esteve preso e foi torturado. Cantou - e continua a fazê-lo - contra todo o tipo de opressão do homem contra o próprio homem e é considerado um caso exemplar de intervenção na luta pela liberdade (o tema FMI continua hoje a ser um hino para muitos em Portugal). Por isso mesmo só pude conhecer o país dos meus antepassados depois do 25 de Abril de 1974. Portanto, que isso fique bem claro, não recebo lições de liberdade de ninguém, muito menos de pessoas que continuam a achar que é insultando os outros sob a capa do anonimato que mostram que são melhores do que o resto da humanidade (que não está à sua, deles, altura!).




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10 comentários:

zito azevedo disse...

A LIBERDADE É ISSO MESMO: A CAPACIDADE DE SER QUEM SOMOS SEM TER QUE DAR SATISFAÇÕES A NINGUÉM!
zito

Álvaro Ludgero Andrade disse...

Meu amigo João, não dê troca a quem não merece meio tostão. Não gastes o teu tempo e o teu extraordinário blog para responder a esses atrasados. Força. Ês café margoso tá sabe pa ....

Anónimo disse...

Só quem é ignorante é que não sabe que o seu pai (Zé Mário Branco) é um simbolo da Liberdade em Portugal !!! Não é por mero acaso que ainda no dia 31/10 deu um grande concerto no Coliseu do Porto que foi a delicia de toda a gente.
Por favor JB, não de esqueça que está muito acima dessa gentinha -;)

IM

Anónimo disse...

Pano para mangas, pano para mangas!

Por exemplo: o que dizer aos fenómenos cada vez mais visíveis de sistemas de auto-censura, sobretudo quando - cada vez mais - os órgãos de comunicação social pertencem a poderoso grupos económicos com fortes conexões políticas?

Aonde a liberdade do jornalista (da rádio, da televisão, da imprensa escrita) cujo salário deles depende? Arriscar-se-á ele a pô-lo em causa articulando contra os seus interesses?

Ou seja: tal poder concentracionário é ou não um inultrapassável obstáculo à liberdade de imprensa, nada dela mais restando do que a liberdade de cada um comprar e ler o Jornal (Rádio, Tv) que quiser?

E é fácil constatar que, infelizmente, assim é: basta tentar colocar num deles um artigo de opinião que contrarie a voz do dono! Quanto mais para um pobre de um assalariado, as mais das vezes em regime de trabalho precário!

a) RB, pessimista nesta matéria

Tiago disse...

E quem fala assim, não é gago! É como dizem, há quem nem sequer mereça resposta. Abraço.

Felina disse...

Estou a aplaudir te de pé... e com uma lágrima ao canto do olho... bem hajam os que se sacrificaram pela liberdade... tenho pena que ainda haja quem não perceba o significado dessa palavra

Sarabudja disse...

Caro João, ouvi alguém dizer: não perco tempo com esclarecimentos sobre o que sou: os meus amigos não precisam, e os meus inimigos não acreditam!
Continuo a provar os cafés com satisfação, alguns despertam-me os sentidos.

Lily disse...

Um lindo exemplo (individual e familiar) de liberdade.

Anónimo disse...

Passe por cima desses "injavosos" anónimos made in CV. O JB tem sido um cidadão exemplar...

maria.rosendo@gmail.com disse...

João - grande revelação esta: não sabia que eras filho do mais extraordinário e livre cantautor português ! Viva o Zé Mário - ainda há dias, com Sérgio Godinho e Fausto no Campo Pequeno estive todo o espectáculo arrepiada com a ternura e liberdade que dele emana!
É sempre liiiinnndddoooo vê-lo e ouvi-lo e Ser Solidário!