Esquece o amor

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Esquece o amor, os tempos não estão para isso. Vamos mas é festejar o anúncio da abertura do aeroporto internacional do Mindelo pela 57ª vez ou o novo plano para a recuperação da réplica da Torre de Belém. Será uma festa ainda maior do que as outras cinquenta e seis anteriores e na festa não se ama. Bebe-se, dança-se, grita-se, exalta-se, conforme os locais, havendo aqueles locais de cem escudos a entrada com direito a uma garrafada ou aqueles outros de cinco contos casal com direito a bar aberto num local tão inacessível que oitenta por cento do pessoal desiste de beber seja o que for a meio caminho. Vamos lá, vai-te habituando à ideia que vem aí o Reveillon e desta vez nem o banho na praia de catxor da marginal do Mindelo te vai salvar. Esquece o amor, que a tua festa pode muito bem ser invadida por um grupo de jovens em fúria de pedras na mão prontos para quebrar carros, vidros e até cabeças, nunca se pode adivinhar o que se passa nas mentes de um gang urbano. Esquece o amor, que as doenças andam por aí e mesmo que tenham sido anunciados projectos fantásticos e irresistíveis para acabar com o lixo em todo o arquipélago, parece que já vimos este filme, mas esquece, nem penses em começar a engendrar grandes ficções que isto não é o amor em tempos de cólera, isto não é um romance, é a vida real, vai mas é tratar da tua que eu trato da minha. Até porque daqui a nada temos eleições e é importante ouvir o que o Filú tem para dizer sobre o mosquito maldito ou o que o Veiga tem a falar sobre o seu desejo altruísta de voltar a ser o bigboss do pedaço e não podemos andar distraídos com coisas menores. Esquece o amor, que os tempos não estão para isso. E se mesmo assim insistires nessa ideia peregrina, prepara-te meu caro, que o pior ainda está para chegar.




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3 comentários:

Tchale Figueira disse...

Politica e mais politica, promessa e mais promessa, malcriaçom de borla, festa e mais festa: Depôs de sabe morrê ca Nada... Assim vão as coisas e merdosos disfarçados de politicos prometendo a lua aos ingénuos.

PS: O texto é bonito, tudo é bomito!!!

Tiago disse...

Texto de desilusões mil. Esquecer o amor é a última coisa a fazer...

zito azevedo disse...

Com ou sem apocalipse, esquecer o amor, "jamais"....