Declaração Cafeana

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O meu país está invadido por um estranho fenómeno metereológico mas que, ao que parece, está a ter repercussão em muitos outros sectores da actividade do arquipélago. "Cabo Verde está sob influência de um fluxo anticiclónico zonal que favorece o transporte de poeira espessa, proveniente da costa da Mauritânia. É a chamada bruma seca.", pode-se ler num jornal online. Mas logo de seguida fazemos a nossa volta diária pela imprensa e blogues nacionais e ficamos com aquela sensação de que a bruma seca invadiu tudo e todos porque o que se deveria ver não se vê e muito do que parece não é. Um caleidoscópio de miragens. Uma imagem que, em termos poéticos, até pode ser interessante, mas que na realidade real confunde quem anda por aqui.

O aeroporto internacional de S. Pedro já é internacional, mas ainda não é. Faltam não sei quantos testes, parece que vai haver um "último e decisivo" por estes dias e ai sim, poderemos fazer a festa, lançar os foguetes, apanhar as canas e dizer alto e bom som "Aleluia!"... Embora já se garanta que antes de 2010, voos directos entre S. Vicente e Lisboa nem pensar. Por causa... da bruma seca, certamente. O parlamento continua a fazer claras demonstrações do seu nível geral na discussão do orçamento para o próximo ano e para além de algumas das intervenções em particular, a roçar o indigno de uma casa parlamentar, voltamos a acordar para a nossa triste realidade: para os da oposição, tudo mal; para os da situação, tudo bem; a UCID, como sempre, na expectativa. Por causa... da bruma seca, certamente. A epidemia do dengue está dominada, hip hip hurra, mas ao que parece o pessoal de saúde de S. Vicente está aflito porque não tem sequer meios de diagnóstico para entender o que se passa, meios esses que ainda não chegaram certamente por causa da... bruma seca.

Depois, a um nível mais micro, este fenómeno, que provoca em simultâneo cegueira e turbulência, nos dá um nó no coração, fica mais penoso respirar, a paisagem fica agreste, o monte cara mais tímido, os escapes dos automóveis mais barulhentos, a nossa paciência mais curta. Maldita poeira da Mauritânia! Voos são cancelados, medidas importantes são adiadas, discursos que marquem pela diferença não se materializam e nós, aqui, que temos que escrever algo sobre o que se passa à nossa volta (e não se passando nada), ficamos com uma névoa a invadir o cérebro, desejosos que venha um vento forte que leve esta poeira para outras margens e nos faça ver o mar e as montanhas de Santo Antão, ali, do outro lado.



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3 comentários:

Anónimo disse...

Tens razão JB. É muita areia para a nossa camioneta!

a) RB

zito azevedo disse...

Azar dos azares era vir levantar a bruma o "amigo" vento leste...

Anónimo disse...

E quando se juntam, "pô di terra" mais "óculos côr de rosa" que o Governo anda a distribuir gratuitamente pelo país, mais míopia crónica dos nossos políticos no que concerne a políticas para determinados e bem identificados sectores, aí então é que é ver tudo distorcido e nebulado!

Pimintinha