Dos Templos nestes Tempos

6 Comments


          Do hiato ao dito, intervala-se o sol
          Esta rara premissa de mais um dia.
          No sob vestes, alforge de quem anda,
          Tua ímpia beleza a que tudo se reduz…

          Do dito ao sopro, reluza também a lua
          Descrita em faca esguia teu coração,
          Não mais que à chaga pura e sinecura
          Quão de melodia solta o que à sorte cura…

          Do sopro ao verbo, quando sussurrado,
          O que és tu, anátema de nada, vil adro
          Onde o calvário periclita-nos a cruz…

          Do verbo, que era primeiro, aos dias sete
          Pedro à pedra dos templos, e já medram
          Os tempos (de dureza) em que tu cantas…

          Filinto Elísio [soneto inédito, cedido pelo próprio]



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6 comentários:

zito azevedo disse...

Hermético...
Zito

ManuMoreno disse...

Dificil de compreender, mas depois de pensar que percebi, achei facil...por isso vou ser audaz em...

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Na poetica do proprio Poeta prevalece a lei da Natureza que nos instantes do seu dezababo finge ver a terra ter uma abertura, onde e' separada pelo proprio Ar que respira e ao mesmo tempo e' vizitado e controlado pela premissa que e' um dever perante aos navegadores da sua alma, e nos vestes e nas cores de quem ve^, que e' o proprio Poeta que no sentido figurado depara-a com uma especie de saco ao ombro(mas que nao chega cambalear a sua retumbante beleza), onde tambem o proprio Sol nao ajude-a esconder o seu sofrimento fazendo-a resplandecer mesma ferida...ela a Natureza Vida, desejosa por compartilhar mesmo sentindo que nao vai ganhar nada...ela a Natureza Vida geme sem poder cantar mas pedindo ao sorte que ilumine a sua alma presa. Ja' no primeiro terceto o Poeta acorda-se e finje nao ser finjidor e transforma-se num revoltador, mas nunca deixando de ser humilde mesmo sabendo que pode ser repreendido e castigado a levar a cruz ate' ao fim transformando a sua discordancia uma tarefa penosa mesmo em frente do atrio. No lirico final o poeta Crioulo aclama ao verbo e o desejar de inovar o vem com a metafora "Pedro a pedra do templos..." que medra a todos que possuem Vida com o seu choro e suspiro transformada em chuva.

ManuMoreno
Kel Abxom Di Kuraxom!!!

JB disse...

Um poema anti-preguiça, caro Zito!

Manu, excelente análise. Acredito que o autor irá ficar muito satisfeito com a tua visão da sua poética.

ManuMoreno disse...

Djonsa, fico feliz em saber que gostastes do comentario...tambem espero que o nosso grande Poeta goste.

ManuMoreno
Kel Abxom Di kuraxom!!!

zito azevedo disse...

JB-Já mereço essa preguiça que exerço às vezes em defesa da minha sanidade mental...Para mim, a beleza tem que ser núa e agradeço ao Manu ter tirado alguma roupa ao poema para que ele ficasse visivel!

Marta Andrade disse...

JB li o poema 4 veses e pouco percebi. Estou de acordo com o ultimo relator e estou curioso para conhecer esse tal ManuMoreno pelo facto de excelente comentario e aproveito o momento para felicitar-te de excelente trabalho que tens feito ao teatro em C.V.

bjokx
Marta Andrade