Declaração Cafeana

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Segundo escreveu Lourenço Lopes na crónica desta semana no jornal A Nação, os "sem partido" representam cerca de 17% do eleitorado. Não sabendo onde é que ele foi buscar este número - certamente num estudo abalizado - mas considerando que os "sem partido" serão aqueles cidadãos que não estão directa ou indirectamente veículados aos partidos políticos cabo-verdianos (e dentro destes, o PAICV e o MPD), quererá isto dizer que 83% dos eleitores já sabem o que vão fazer daqui a dois anos, ou seja, não questionam nada nem ninguém que esteja directamente ligado à sua cor partidária.

Eu, obviamente, incluo-me nestes 17% dos "sem partido", e reconhecendo que uma das possibilidades (e direitos) de participação cívica do cidadão é fazê-lo por intermédio da intervenção política, nomeadamente a partidária, não deixo de ficar preocupado com este dado, porque a sensação que tenho é que estamos a criar uma sociedade de seguidores passivos que não questionam, não debatem, não aprofundam ou pior ainda, não querem saber. É o discurso do Veiga ou Neves é kampion e o resto que se lixe.

Nada seria tão mau se os "com partido", apesar de sê-lo, não vissem o mundo que os rodeia apenas nas cores que lhes convém, porque como já escrevi a propósito da figura única de Eugênio Tavares, "se tomamos determinadas posições, somos amarelos; se, pelo contrário, assumimos uma atitude antagónica relativa ao mesmo assunto, somos verdes. No país do mar, há cada vez menos espaço para o azul." E esse é o maior crime que podemos cometer contra nós próprio.



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3 comentários:

zito azevedo disse...

O mal de tudo isso é que os tantos por cento de partidários não o são por convicção politico-ideologica mas apenas para defender, cada um, o seu tacho, panela, frigidira, conforme o volume do pré...
Zito

Amílcar Tavares disse...

Onde foi ele buscar esse termo "sem partido"? Se ele pensa que todos devem ser "com partido", está, redondamente, enganado.

Sou, orgulhosamente, independente.

JB disse...

Somos dois, Amilcar.