Declaração Cafeana

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Há dias - ou noites - em que não nos apetece escrever sobre nada. Ou porque os assuntos não nos motivam, ou porque estamos mal dispostos, ou simplesmente porque nos falta a inspiração. Foi o que me aconteceu ontem de noite, naquele horário em que habitualmente coloco os novos artigos do Café Margoso no ar, um hábito criado por mim para os leitores deste blogue e que para mal dos meus pecados tem feito com que cada vez que falho a colocação de novos post's de madrugada, receba na manhã seguinte uma série de mensagens de protesto da clientela a bradar "então, hoje não há café fresco, é?!" Foi o que aconteceu hoje.

Tentei inspirar-me no entusiamo biandástico mas não resultou. Tentei sentir-me provocado pelas linhas rosas mas nada mexeu. Tentei informar-me com o sempre informado Micau, mas dessa informação não resultou temática que me apetecesse desenvolver. Senti-me um vegetal. Em autêntico coma blogueiro. Nos jornais electrónicos, sempre tão inspiradores, o que é que vemos? Que Cabo Verde está a transformar-se num farwest, com mais um assassinato em plena via pública ou uma senhora transloucada que entre em plena Câmara Municipal com o intuito de ceifar um vereador, assim mesmo, strictus sensus. Passo.

Há dias assim. Eu gosto mesmo de falar, discutir, conversar e debater sobre política cultural. Sobre arte e o sublime acto da criação. Nestes dois últimos dias na rádio nacional, ouvindo o debate na Assembleia Nacional, ainda houve aquela esperança de que algum deputado se lembrasse de fazer algum questionamento ao Ministro da Cultura, na sessão de perguntas ao Governo. Que alguém lhe perguntasse, por exemplo, da eventual inconstitucionalidade da medida que aprovou o novo alfabeto cabo-verdiano, dos muitos anúncios públicos que são feitos no sector e aos quais depois não é dado qualquer seguimento, ou apenas pela curiosidade de se querer saber de novas iniciativas e projectos que possam substituir aqueles que já se encontram moribundos pela passagem implacável do tempo. Mas não. A única palavra que se ouviu aobre esta área da governação foi um voto de pesar, proposto por um deputado da UCID, em relação aos artistas que pereceram nestes últimos tempos. Foi bem, mas eu queria mesmo saber é o que fazer com os que (ainda) cá estão. Mas pelos vistos a nossa política cultural merece os deputados que tem. E vice-versa.




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7 comentários:

zito azevedo disse...

Bem prega Frei Tomás!
Zito

Anónimo disse...

Como diz o Juvenal Antena, muita calma nesta hora. A força está na tranquilidade de espírito.
Os roses lines, aquilo mais parece daqueles mísseis que se multiplicam em milhares de mísseis mini desgovernados sem alvo, sem objectivo, sem sem paixão, sem nada, como o próprio assume.

Flocos de trigo...amarelos

Victor Afonso disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Neu Lopes disse...

...

Paulo Santos Silva disse...

Essa malta de UCID gosta de brincadeira. Voto de pesar para os artistas que morreram ? Morrer e triste mas ê "move de deus" como dizia o outro. E não há a b s o l u t a m e n t e nada que possamos fazer !
O António Monteiro tchá de gozo bsot propô cosa a sério na Parlamento !

Lily disse...

Acontece!

Ó João, mas quase que já parece o PR de Portugal... ele perante uma audiência de jornalistas usou a táctica de "falar, falar, mas não dizer nada".
O João nada tinha para dizer, mas escreveu, escreveu...
;)

JB disse...

Tens razão Lily. Tanto barulho para nada...