Declaração Cafeana

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O blogueiro português Marcos Santos, do Bitaites, escreve um texto com muita piada sobre mais algumas regras de como blogar (leiam porque vale a pena, aqui). E começa nos dizendo que se queremos ter uma vida descansada enquanto nos dedicamos ao nosso blogue não devemos nem falar de política, nem de futebol e sobretudo, não falar de política como se estivéssemos discutir futebol, nem falar de futebol como se estivéssemos a discutir sobre política. Mais importante: se estamos dispostos a seguir qualquer uma destas regras, então é porque não temos nem o espírito, nem a paciência indispensável a qualquer blogueiro que se preze.

Aqui é um pouco a mesma coisa, mas o leque de temas proibitivos sobe de forma exponencial, deve ser por estarmos num local pequeno onde toda a gente se conhece. Deus defende, se falarmos do crioulo ou do Alupec, é um rodopio de comentários, de guerras e maledicências que nunca mais acabam. Cruz credo, se elogiarmos ou criticarmos o trabalho de alguém, porque esse alguém, num meio pequeno como este, já teve certamente algum problema de índole pessoal com outro alguém que vai, definitivamente, ler este blogue, e pronto, vem aí um comentário de má língua, um chiça ou um porra, ou então o já habitual e costumeiro "lá estão vocês a lamberem-se uns aos outros, não têm mais nada que fazer?"

Mas olhem, tenham paciência, ter um blogue é também opinar, pensar pela própria cabeça. Isso custa a entender a algumas mentes iluminadas, mas pronto, fazer o quê? Por vezes acontecem fenómenos como o acontecido no Bianda, onde a partir de um simples anúncio para um curso de escrita criativa, se levantou um coro de comentários obtusos acerca de... nada. E que tanta falta faz por aqui, escrita e criatividade!

Mas a verdade é que isto de blogar em Cabo Verde, embora ainda seja um pouco tipo desporto radical, não é muito diferente de fazê-lo em qualquer outra parte do planeta. Há que ter jogo de cintura e encarar o insulto com a mesma indiferença com que se passa ao lado de um pedaço de caca de cachorro. E parafraseando Abilio Duarte (recordado por Mário Fonseca na notável entrevista dada para o último número do jornal A Semana), há que ter a canela para aguentar o atrevimento, já que quisemos ser blogueiros.




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9 comentários:

Sarabudja disse...

João, nisto de "blogar" o que mais me chateia é o sr.Anónimo. Normalmente são pessoas pouco positivas.
No caso concreto do post do Bianda, estive lá, li e...grrrr... irritei-me. (sou nova nestes submundos, deve ser disso!)

Vivemos num mundo onde se acredita que podemos dizer o que queremos, mesmo que isso passe por ofender.
Se são alvo de contra-argumentação têm tendência para o "está muito sensível", "é complexado". (Psicólogos por e-learning!)
Enfim continuam no oco, bacocos!

zito azevedo disse...

Noviço, ainda, mas gosto de bloguear...Sinto-me um pouco eu, o
outro e o Alf, também...
Zito

Paulo Santos Silva disse...

Na generalidade os blogs que andam por aqui são uma espécie de espelho em que cada um ao ver os comentários só quer ouvir uma determinada resposta para a clássica questão : "blog meu, blog meu. Há algum mais bonito que eu por ai "?

É basta termos comentários com pequenas variações do "Parabéns "!. "Gostei imenso". "És o maior ... " ... papa ta começa de salgá "

Escrever para um Blog não diferenciará muito de escrever uma crónica. Neste eventualmente se está a dirigir a uma audiência mais restrita. E mais importante ainda a interacção é inexistente. Portanto creio que é necessário também adaptar a este meio sem complexos de ambos os lados: dos autores que volta e meia "postam" qualquer coisinha mais azeda "só para mostrar quem é que manda aqui" e dos comentadores que na maioria dos casos deixam embalar pela natureza do meio de comunicação que bastas vezes foi já dito desinibe em todos os sentidos.

E de facto há que ter canela para aguentar. No entanto se se quiser somente elogios e conversinhas da treta é simples não é ? Faz-se uma blog só para amigos e familiares em que se entra mediante convite ou mediante requerimento em papel azul entregue na secretaria das 8 as 12 ou das 14 as 18.

JB disse...

Eu vi-te a sarabudjar por lá... hehehehe isto tem que ir lá é com calma, senão estamos fritos. Ou então tiramos um mezito de férias, que cai sempre bem.

Zito, bloguear é isso mesmo. Sermos um pouco mais nós próprios.

JB disse...

Paulo, o teu comentário é excelente e tem toda a razão de ser. Mas é preciso ver também como se colocam certas questões. Não precisamos de ser provocadores e mal educados apenas porque não concordamos com o autor.

Pena não tenhas analisado o outro lado da moeda. Quase sempre as observações passam por um "tens a mania que és melhor que os outros", "andas voltado para o teu umbigo", "quem pensas que és para dizer tal e tal", e não saímos disto. Não há uma frase, uma opinião que seja sobre o assunto em discussão que terá dado origem ao comentário.

Não ha santos, mas pelo menos o autor do blogue, no caso cabo-verdiano (tirando o caso do sumido Hiena) sempre deu a cara. Todo o mundo que comenta sabe com quem está a falar.

Não se pode dizer o mesmo em relação à maioria dos comentadores. E quem manda no blogue é de facto o seu autor, e não vejo nenhum mal nisso. Estabelece as suas regras e quem gosta vem cá e comenta, quem não gosta, paciência. Deixa de vir e vai ler outras coisas. É simples. O mais importante é todos sabermos as leis do jogo e estarmos por aqui com espírito de conversa, inteligência e algum humor, já agora.

Abraço e obrigado pelo comentário.

Sarabudja disse...

Ando poe estas bandas sempre com calma. Até pq me enerva (ahahaha) essa questão do: "estás muito nervosa", "muito sensível", e um sem número de sugestões para estados de alma percepcionados em meia dúzia de letras juntas.
No Bianda o que me irritou foi a falta de fundamento para tal chorrilho de nadas. E eu com tanta vontade de frequentar o Workshop. (snif snif)

Carla disse...

O problema não é só dos blogues.
nessa de comentários nas noticias dos jornais on line é bem pior.
o que é isso? onde estão os moderadores deste comentários? e a seriedade destes órgãos de informação?
Acho sagrado o direito de discordar, de ter opinião diferente e liberdade para o expressar , mas quando a coisa descamba para falta de educação, grosserias, calunias, difamação e meter bedelho na vida pessoal de cada um há que colocar um stop nisso, sim. senão um dia destes as pessoas terão medo do seu nome aparecer no jornal (ou blogue) para não ver a sua vida exposta para que quiser ler!

Paulo Santos Silva disse...

JB como é evidente e se não foi evidente vou tentar "evidenciar isso" não tento defender comentários anónimos e nem comentários sobre absolutamente nada que infelizmente é o grosso dos nossos comentários.

Porém, creio que se tende a dar demasiada importância a esses comentários. De facto isso de comentários é algo bem criolo "mandá boca sobre tudo e todos" e que tende a tomar proporções grandes nesse meio.

Repara que o que aconteceu no Bianda a respeito do workshop parece-me francamente exagerado. Aquilo foi dar demasiado importância "a bocas". Houve até a Sr.ª da organização do Workshop a vir explicar tin tin por tin tin tudo até deu-se ao trabalho de falar onde se formou a orientadora do Workshop.

Comentário anónimo, ou "bocas a deitar abaixo" sempre há de existir ou não seriamos criolos que gosta de por defeitos em tudo o que nos rodeia. Há que determinar o que fazer com esses comentários e agir em consonância.

Há quem diga se estivesse um criol ao pé de Deus quando Este estava a criar o mundo teria demorado não 6 dias mas sim uns 60x6. Porque de cada vez que tomasse a decisão de fazer algo o criol começaria por dar palpites, depois começava a deitar a baixo e depois começava uma discussão infinita sobre coisas que não tinha nada a ver ...

Anónimo disse...

Paulo, penso que, os blogs tendo um carácter público é natural dar ouvidos aos comentários anónimos visto que é uma forma de fazer auto avaliação. Há anónimos malcriados que reflectem apenas dor de cotovelo ou algo do tipo, e os comentários deles são inválidos, a nível funcional. Mas, por outro lado, há outros anónimos (publicados pelo autor) que por vezes são mais verdadeiros e oportunos do que aqueles que dão a cara.

M