Quero apenas cinco coisas...

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          Quero apenas cinco coisas...

          Primeiro é o amor sem fim
          A segunda é ver o Outono
          A terceira é o grave Inverno
          Em quarto lugar o Verão
          A quinta coisa são teus olhos
          Não quero dormir sem teus olhos.
          Não quero ser... sem que me olhes.

          Abro mão da Primavera para que continues me olhando.


          Pablo Neruda

Imagem: fotografia de Manuel Libres Librodo Jr






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8 comentários:

Kuskas disse...

João
Não como um olhar.
Não é a toa que dizem que os olhos são o espelho da alma.

hummmm e o olhar dele que não me sai da cabeça ....

Catarina disse...

Parafraseando a eileen em relação a outro post- Bárbaro, soberbo digo eu!

"os grandes" só precisam de algumas palavras simples para nos enredarem completamente numa teia de emoções e afecto....Bravo Pablito!

Catarina Cardoso

João Branco disse...

Kuskas, penso que querias dizer «nada» como um olhar...

Catarina, sem dúvida. E há poucos como Neruda, para cantar o amor.

Dundu disse...

A simplicidade do belo ou
a beleza da simplicidade? Não sei...
Só sei que este texto é perfeito e é do tipo que todos nós queríamos ter escrito.

Somos todos iguais aos olhos de Deus, que a única justificação que consigo encontrar é que alguns devem ter acordos com o Capeta.
Brincadeirinha... é apenas dor de cotovelo da genialidade alheia.

João Branco disse...

Como diz o outro, com poemas destes, é «comer e calar»! Abr.

neulopes disse...

"Ó beleza! Onde está tua verdade?"
William Shakespeare

Mais ainda....

"O amor perfeito é a mais bela das frustrações, pois está acima do que se pode exprimir."
Charles Chaplin

João Branco disse...

Hoje estás numa de citações, hein, Neu?!

MYA disse...

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Minha humilde homenagem a Neruda. (honra seja feita a Florbela Espanca, visto o poema ser dela.)