Perguntas Cafeanas

29 Comments




Se eu sei que sou de esquerda,
o que é que eu sei que sou?


À melhor resposta, ofereço um café

Pergunta Cafeana dedicada ao Tide, inspirada aqui





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29 comentários:

Catarina disse...

... ao Tide e ao Salim, não? Desde que começaram a falar disso, nos dois blogs, que estou efectivamente embrenhada nessa reflexão profunda ;-) vamos ver se chego a alguma conclusão para além da que a minha avó daria, repito: ser de esquerda, para ela seria um jovem com coração ou um adulto sem juízo...

João Branco disse...

Sim, Catarina, aos dois. Mas confesso que li com mais atenção o texto do Tide, com o qual me identifiquei bastante. Mas senti a necessidade de me fazer esta pergunta, hoje que estas fronteiras ideológicas estão tão indefinidas por uma liberalização global e selvagem.

Em relação à tua avó, eu diria que ela, como quase todos os anciãos, represeta a voz da sabedoria. Que bom ser um jovem com coração e um adulto sem juizo, não é?

Kuskas disse...

João

Sou da mesma opinião da avó da Catarina: ser de esquerda é ser um jovem com coração ou então um adulto sem juizo.

Fui durante muito tempo chamada de jovem com coração e hoje sou chamada de Adulto sem juizo, com manias de quem anda ainda na faculdade.
Me formei há mais de 10 anos, mas muitos me dizem que continuo com ideias (ideologias) e com o entusiasmo de uma recem-formada.

No dia em que eu perder esse meu entusiasmo, podem crer que morri.

João Branco disse...

Nem mais, Kuskas. Não diria melhor!

Anónimo disse...

Sei que sou optimista e estou mal informado.

Anónimo disse...

Esta cafeana está a pedir isto:

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí! (PELA DIREITA, acrescento eu)

José Régio (via minho-kinha.blogspot.com)

Anónimo disse...

...eu sou...anarquista,não praticante:-pago impostos- de consciência traquila.
o problema não é ser de esquerda ou deixar de ser , mas é sobretudo uma questão de "actos", ha muita gente que se diz de esquerda (neste mundo) mas têm acções completamente...à direita.In my modest opinion , as ideologias estão a se confundir cada dia mais, a centralizar-se ,portanto...
Hiena( utilizando o lado direito do cérebro pra perceber a esquerda)

João Branco disse...

Anónimo I: mal informado? Será?

Anónimo II: e que bem que ficou aí esse poema do Régio!

Hiena. bá dá volta, ma un pessoa ka podê ser «anarquista não praticante». Isso é um contrasenso... Deve ser da confusão de pensar com o lado direito para entender o esquerdo! Abr.

Anónimo disse...

OBAAAAAAAA,

saí anónima...esqueci de assinar

O do josé régio é meu

Catarina Cardoso

João Branco disse...

O seu ao seu dono!

MS - Mnininha d'Soncente disse...

E porque o Mundo não é a Preto e Branco ou direita e Esquerda...Descobri que sou centrista!!!E como é no meio que está a virtude penso que estou no lugar certo. Caso queiram saber, no meu blog tem link para páginas aonde, respondendo à umas perguntas sabes-se a que quadrante pertencemos...

MS - Mnininha d'Soncente disse...

Ah JB..desculpa a publicidade! ahahahaahha

João Branco disse...

Estás à vontade. Eu mesmo tenho interesse em fazer esse teste, para ver se fico mais esclarecido!

Miguel Barbosa disse...

João
Eu fui de esquerda até ler o Triunfo dos Porcos ( Animal Farm).
TODOS OS ANIMAS SÃO IGUAIS MAS ALGUNS SÃO MAIS IGUAIS QUE OUTROS.
Conheces alguma experiencia de ESQUERDA onde essa frase não faça sentido.
Manda aí...

Tide disse...

Jon sin fla ma mi e di skerda nsta fla ma mi e povu i mi e pa povu. Inton nka ta bendi impresa nen txon sen prutegi povu.

Kel meiu termu e um mentira i kel frasi di nos avos e di tempu revoluson. Oji nu mesti odja kusas di um manera pratiku ma sen iluson.

Bali po bon pa sunha antis di respondi.
1ove

João Branco disse...

Miguel, estás a confundir esquerda com extrema-esquerda. Para mim é muito claro. Vai fazer o teste, interessante apesar de demasiado óbvio, a que faço referência num post acima e verás do que falo. Ser de direita não é, também e necessariamente, ser ditatorial. Dá-se primazia ao individuo em relação ao colectivo, e essa primazia num mundo como o de hoje, global e selvagicamente liberalizado, nunca poderia dar bons resultados. Como se tem visto, aliás...

Anónimo disse...

para comparar os dois mundos (esquerda e direita) devemos comparar o melhor e o pior dos dois mundos. Comecemos por comparar as Ditaduras de esquerda e de direita. Sabendo que ambas são más, em qual delas preferia viver? A ditadura de direira é os EUA. A ditadura de esquerda já foi a URSS, hoje temos a Cuba. China actualmente é a ditadura de esquerda mais capitalista (de direita) que há memória. Disse!

João Branco disse...

Eu, que me considero de esquerda, continuo a pensar que falar de «ditaduras de esquerda» é um contra-senso. Podemos é falar de regimes ditatoriais que usam argumnentos de esquerda, quando na realidade são ainda piores que os ditadores «assumidos». Esses, ao menos, não escondem a verdadeira canalha que representam. Por outro lado, falar que os EUA são uma ditadura é um pouco extremista. Não é verdade que seja. O que acontece, neste momento, é que os últimos anos de vigência da Administração Bush transformaram este país num dos maiores violadores dos direitos humanos em todo o mundo. Aqui também temos o que há de pior: fazem-no em nome da liberdade e da democracia, cometendo a suprema hipocrisia global.

Porra, vão estudar Marx e vejam como ele tinha razão! Cada vez mais! Agora, quem usou os seus argumentos para implementar regimes ditatoriais não o fez com o aval do próprio: por alguma razão são conhecidos como ortodoxos.

Continuaremos a conversar...

KAUSTIKA disse...

CANHOTO !

João Branco disse...

Por acaso sou, mas isso não vem ao caso, neste caso particular!

Anónimo disse...

Apetecia-me dizer "Porra pa nhô també!", mas não vou dizer.

Deixem os mortos em paz, quer Marx, quer Engels. O que é que esses teóricos puritanos trazem de mais valia à comunidade Rabelada do interior de Santiago?

Não se pode falar de ditadura de esquerda? Módi, please. O mundo está cheio dessas ditaduras de esquerda. Até Cabo Verde teve a sua ditadura de esquerda durante os 15 primeiros anos pós-independência.

EUA não é ditadura? Tente criar um partido comunista nos EUA. Sabias que qualquer Cidadão é obrigado a fazer juramento de honra em como não pertence e nunca pertencerá a nenhuma actividade política comunista ... sob pena de perderem a nacionalidade? Se isso não é ditadura é o quê?

Não venham com tretas, hoje não há nem esquerda nem direita, nem nunca houve. Essa tretas são teorias que os brancos ocidentais gostavam de usar para catalogar as famílias político-partidárias, fomentando assim as acesas discussões da opinião pública, numa clara tentativa de ofuscar a discussão dos reais problemas que afectavam esse países.

Pelos vistos, esse tipo de debate inútil entrou em desuso nesses países ... e nós em Cabo Verde, tardiamente queremos reviver e reactivar.

Por favor, se não tiverem nada para fazer, se estiverem desocupados, tentem ir até à ilha do sal, que eles lá estão com falta de mão de obra.

Acordem para a vida e deixem de dar de intelectuais bacocos ocidentais fora do tempo.

João Branco disse...

Não tentes apagar a história, meu caro. Ela traz sempre lições, saberes, contradições, erros, com os quais é importante saber aprender. Sempre! Abraço e calminha, porque deves ser daqueles que quer atirar oa intelectuais ao mar... (Neste caso, para as obras dos resort's na ilha do Sal!)

Anónimo disse...

intelectuais para mim são aqueles que fazem, que metem a mão na massa sem o sindroma esquerdista de subsidiodependência. Existem os intelectuais e existem os parasitas e oportunistas do sistema, que vão propagando os discursos de esquerda, de apoios e vão vivendo às custas dos impostos que os outros vão pagando.

Qual o mal das obras dos resorts da ilha do sal? Vais-me dizer que elas não deveriam nunca ser construídas não? ... só porque és de esquerda e achas que não, que não deviam construir nada no sal. Aliás, nem no Sal, nem em Portugal, Espanha, França, EUA, América latina e companhia ... ? Why?

João Branco disse...

Xi, quanta asneira e quanto nervosismo... Pa kê, né mestid.

1º Quem falou de mandar os intelectuais «parasitas» trabalhar nas obras do sal foste tu. E as grandes obras da ilha do Sal, neste momento, são os Resort's. Se tenho algo contra ou não, isso é outra história e um outro assunto que poderá ser discutido numa outra ocasião.

2º Tu deves ser daqueles que acha muito bem o Estado pagar médicos e professores, ou outros funcionários públicos de gabinete, mas que não deve dar dinheiro aos artistas e intelectuais, que devem ser para ti, uns tipos desocupados que não tem mais nada do que fazer a não ser viver à custa dos outros sem fazer «nada». Afinal, fazer arte é fazer «nada», não é mesmo?!

Se tu achas que defender que o Estado deve investir na cultura e nos seus artistas, da mesma forma que investe, por exemplo, na saúde e nos seus médicos, é «sindroma esquerdista de subsidiodependência», estás no teu direito.

Aquele abraço de paz!

Anónimo disse...

Estou calmo, muito calmo até.

Sim, estão muitos conceitos misturados: esquerda, direita, intelectuais, obras de resorts no sal, teorias políticas de brancos ocidentais, sindroma esquerdista de subsídiodependências,parasitas, mão de obra, ditaduras, comunismos, EUA, Cuba, Rabelados de Santiago, etc, tec, ...

De facto cada um desses conceitos daria um post.

Não podemos confundir alhos com bugalhos.

Investir na cultura é importante sim, se calhar tão ou mais importante que na saúde e nos médicos.

O problema é que enquanto na saúde já se sabe a fórmula de produzir resultados, através de hospitais, centros e delegações de saúde, onde os médicos são assalariados desses sistema para produzir resultados concretos - consultar os doentes e a população em geral; na cultura essa relação não existe e subsiste sim o sindroma assistencialista e subsídiodependente e muitas vezes, travestidos de esquemas de profunda injustiça para os demais homens de cultura que proliferem por aí.

João Branco disse...

Caro Anónimo: este sim, um comment mais tranquilo e com uma certa lógica. Estou de acordo com muita coisa.

Mas vamos lá ver: não há formulas para um serviço público ideial ou perfeito. Infelizmente, isso não existe. Em muitos países, o próprio papel do Estado na saúde e na segurança social está a ser posto em causa, por essa onda de liberalismo selvagem, que sempre contestei. Noutros, onde impera o Estado Providência, e em cada país, a situação varia. Mas uma coisa é certa: há bons e maus profissionais em TODAS as áreas. Saúde, educação, ciência e claro, cultura. O tal «sindroma existencialista» pode acontecer em muitas áreas. Quantas burlas já não ouvimos terem existido com cursos de formação profissional, por exemplo, só para encher os bolsos de alguns.

Isto para dizer que esse género de discurso apenas serve para justificar o que para mim não é justificável: a maioria dos artistas são subsidiodependentes, parasitas e são defendidos por homens que se dizem de esquerda para serem isso e mais nada. Isso é puro preconceito. Tipicamente de direita. Eu diria que é um simdroma direitista.

Aquele abraço

Anónimo disse...

Sindroma de Direita? ... tipicamente identificado como sendo de direita, seria agarrar nos artistas, especular os seus trabalhos e pô-los a circular como valor/mais valia num investimento de capital, onde o retorno do investimento feito no artista e na sua promoção, é garantido, sem intervenção do Estado. Pergunto: Isso é mau? Isso é de direita?

Se fazes isso, os ferverosos esquerdistas caiem-te em cima, dizendo "seu explorador dos pobres, coitados artistas e tal e tal" ... mas nada fazem, só blá blá blá, esperando que a situação seja remediada por subsídios do estado, ao qual sou radicalmente contra.

Com isso não quero dizer que o Estado não tem de intervir. O Estado pode e deve intervir e há muitas formas de o fazer, por exemplo na criação de escolas e academias das mais diversas áreas da cultura, pagando a artistas e homens da cultura, para ensinarem e trasmitirem CULTURA aos jovens e à população em geral. Mas para isso, tem de apostar numa gestão eficaz e eficiente, se calhar mais eficiente de que nos próprios hospitais.

João Branco disse...

Esse é o tipico discurso da «Industria Cultural» que é dito quando o Estado se quer desresponsabilizar dos seus deveres. Isso tudo é muito bonito se:

1. Forem criadas condições aos artistas para a CRIAÇÃO (e não se cria nem por decreto, nem por pressões mercantis)
2. Forem dadas aos cidadãos possibilidades de FORMAÇÃO.
3. Forem dadas condições a todos de DIVULGAÇÃO E APRESENTAÇÃO DAS SUAS OBRAS.

O Estado tem um papel muito importante. E é pagando, aos artistas e intelectuais, da mesma forma natural como paga a médicos e professores.

Abraço

Anónimo disse...

Homi, nhô tambi!?

Como é isso de pagar aos artistas o mesmo que pagar a médicos e professores, sabendo que a uns exigimos que sejam assalariados e que cumpram determinados requesitos, de horários e resultados e a outros não?

Eu também sou artista, além de exercer a minha profissão, como é que é? O Estado deve-me pagar assim do nada? Afinal somos todos artistas ou não?

Dos maiores e mais exímios artistas da história da humanidade, nenhum deles nunca viveu de subsídio. Ao contrário, conheço inúmeros da nossa praça e da praça internacional, que enriqueceram e continuam a enriquecer às custas dos chorudos subsídios, sem produzirem absolutamente nada de interessante e últil para o bem cultural de todos.

Vamos mas é perceber o que se passa nas academias de arte e cultura da alemanhã e de alguns outros países da região. o humilde Mozart dava aulas de música em academia. os grandes mestres da pintura, ensinavam os jovens e a população em geral a técnica da pintura, em escolas públicas e privadas.

e mais: eu no lugar do Estado investia sim nos artistas, com contratos-programas para a produção e reprodução da sua obra artística. Mas ia buscar uma percentagem sobre a obra comercializada, para criar estímulos e condições para que outros artistas possam usufruir dos mesmos programas de incentivo. São várias as formas do Estado e do Provado intervirem e criarem as condições.

Sou contra a subsidiodependência gratuita e nulificadora. É fazer aquilo que o inventor do banco dos pobres fez na índia, valendo-lhe o prémio nóbel. Será que esse Indiano é de Direita? Se for de esquerda, é o esquerdista mais de direita que conheço. Se for de direita, é o capitalista mais de esquerda que conheço. (Será que na Índia existe esquerda e direita?)

Lá vem o velho ditado, em vez de peixe, dá-lhe a cana de pescar.

Aos artistas, intelectuais e restantes homens da cultura, a mesma coisa: mecenato sim, mas em troca de resultados e partilha dos lucros, seja ele um quadro de pintura, uma escultura, uma peça de teatro, um album discográfico, ou outra obra de arte qualquer.