Plágio 14: A Internacionalização

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O Ministro da Educação do Brasil deu, numa recente visita aos EUA, um autêntico baile, que merece ser divulgado, até porque, ao que parece, o seu discurso terá sido censurado e tido pouca divulgação. Durante um debate numa universidade daquele país, o Ministro da Educação Cristovam Buarque foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazónia (ideia que surge com alguma insistência em alguns sectores da sociedade americana e que muito incomoda os brasileiros). Um jovem americano fez a pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um Brasileiro. A resposta de Cristovam Buarque não se fez esperar.

Então foi assim:

«De facto, como brasileiro, eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazónia. Por mais que os nossos governos não tenham o devido cuidado com esse património, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também a de tudo o mais que tem importância para a humanidade. Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro...

O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazónia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazónia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono ou de um país. Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo génio humano. Não se pode deixar que esse património cultural, como o património natural Amazónico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos também todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de comer e de ir à escola.

Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazónia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um património da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazónia seja nossa. Só nossa!»

Brilhante...




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26 comentários:

Virgílio Brandão disse...

João, esta mensagem corre mundo há já alguns anos e é interessante, mas equívoca e uma tremenda patetice.

O que se trata é de considerar a Amazónia (rio e florestas circundantes) “Património Comum da Humanidade” (que não de confunde com património mundial ou património intangível da humanidade – anda muita confusão por aí sobres estes conceitos…) e não torná-la “propriedade” de outras nações; e muito menos desconsiderar o povo brasileiro e os demais banhados pelo Amazonas. É, na minha opinião – que aliás defendo desde há cerca de uma década –, a única forma de travar a destruição selvagem da Amazónia e resolver a questão religiosa de Jerusalém.

Aliás, verdade seja dita, o Amazonas não é “só” dos brasileiros, partilham-na com outros Estados, ou povos e nações.

Nem sempre o que parece bonito é, como no caso do discurso deste Senhor que está errado – além de ser demagógico e revelar um desconhecimento profundo das coisas de que fala; e não é somente sobre a “res communis humanitatis” [um instituto jurídico] de que falavam os romanos, não. Está, também, entre outras coisas subjacentes ao seu discurso, equivocado sobre o edifício da ONU que é uma zona internacional e não, por exemplo, território norte-americano (ainda que esteja no centro de Nova Iorque).

Saberá esse Senhor que os corpos celestes (Lua e demais planetas), o Alto Mar e os fundos marinhos são património comum da humanidade? Não me parece…

Revela ter medo do Amazonas ser usurpado por terceiros, mas tem um discurso usurpador ao dizer que o Amazonas é “só nossa”, isto é, dos brasileiros. E, como sabemos, não é. Mas ele, ao que parece, não sabe – ou não quer saber.

Na verdade custa-me a crer que este discurso tenha sido proferido por um Ministro da Educação de um país como o Brazil. Se assim é, deveria ter sido exonerado do cargo - de imediato. Era o que eu faria se fosse Presidente da República Federativa do Brazil – não quereria, de todo, ter no meu Governo um pateta demagógico capaz de dizer tanta barbaridade em tão pouco discurso. É que isto não educa para a boa cidadania, não – forma e sustenta mentalidades demagógicas.

Desculpa lá esta minha mania, mas essas demagogias primárias – mas que soam bem, muito bem – irritam-me. Esse Senhor merecia uma resposta à altura, pois o que está aí – ainda que pareça uma resposta brilhante – é uma patetice monumental. No meu tempo no “Liceu bedjo” do Mindelo teria umas boas orelhas de burro; se fosse seu professor, dá-lo-ias com prazer.

Um destes dias, com disposição mental, escreverei algo sobre isto, senão ficas aqui com um comentário amazónico.

Bem, vou jantar e ir beber um copo (deve haver alguma criolinha por aí com disposição para ir dançar um funanã) – porque hoje é Sábado…

Abraço fraterno

Sisi disse...

Falou e disse!!! Perante uma resposta deste nível, nada mais se pode dizer, a não ser reflectir.

João Branco disse...

Virgilio, não estou de acordo contigo. Tens que ver o contexto e para quem foi dito o que foi dito. Os americanos tem essa suprema mania de tudo querer controlar, de querer dar de lições de moral a todas as nações, de se fazerem os guardiões máximos da democracia, quando na verdade estamos perante um dos países que mais polui, que mais tortura, que mais procura impor a sua vontade pela força, seja ela militar seja ela económica. Eu não concordo que haja nesta intervenção qualquer demagogia, mas sim uma profunda IRONIA.

Claro que o ME entende o que significa a Amazonia para o resto do planeta! Não aceita é que sejam os EUA, os maiores poluidores do mundo depois da China, dos poucos países que ainda não assinaram o Protocolo de Quioto, a vir das lições de moral sobre questões ambientais. Era o que mais faltava!

Como pode um país que tem uma prisão, em território estrangeiro, onde se prende, tortura, qualquer individuo sem julgamento, sem direito a qualquer tipo de defesa, querer dar lições de moral a seja quem for.

Estes 10 anos de administração Bush foram uma das maiores tragédias da história recente da Humanidade. Inclusivé, esta crise económica mundial, foi cozinhada para que ele e os seus amigos ficassem ainda mais ricos e poderosos.

Ou seja, eu acho que o que foi dito, o foi dito, porque foi naquele contexto e naquele local.

Abraço

Miguel Barbosa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Miguel Barbosa disse...
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Anónimo disse...

Exatamente João, os EUA sacrificam o resto do mundo para manterem o seu alto padrão e estilo de vida e o resto do mundo que se lixe. E se bem me recordo, esta msg foi censurada nos EUA, pq para variar eles "ñ podem" ser contrariados.

sarron.com - Companhia de Teatro disse...

Bóca Quente!
Muitos de nós devíamos ter a velocidade que há em todas essas palavras quando muito boa gente nos confronta com certas perguntas e comentários sobre nós, nossa vida, nossa vivência, nossas criações, nossas ideias e sobretudo nosso TRABALHO.
Mesmo que a mensagem seja antiga, seu conteúdo é actual, abrangente e merecedora de reflexão.

Aquele abraço

João Branco disse...

Muito bem, a discussão está lançada. O importante também é que, mesmo no calor da conversa, cada um respeite sempre o direito à opiniao do próximo. É este o espirito Margoso. Abr.

Virgílio Brandão disse...

Ilustres,
gosto, sinceramente, que estejam em desacordo comigo – está no quarto lugar da minha lista de prazeres.

A América sofre as dores da sua visibilidade e hegemonia “cultural” no Mundo – nada poderia ser mais esperado ou natural. Uma leitura básica de geopolítica revela-nos que isso é/era uma inevitabilidade. A seu tempo acontecerá com a China e a Rússia.

Não sou pró americano, mas também não sou anti americano e muito menos anti americano primário – como é um pouco “moda” por aí.

Sou, sim, cabo-verdiano e cidadão da humanidade; todos os homens são meus irmãos e vejo os recursos naturais da humanidade como um bem que cuidamos para o bem comum, não como propriedade específica de qualquer Estado, nação ou povo.

Isso sim, sou eu. O que faço, os canudos que tenho, deveria ter e proponho-me a ter não sou eu. E sou eu que digo e escrevo, não os títulos da “nobiliarquia moderna”.

A questão em causa não é nem foi uma questão colocada pelos “americanos” (coitado do jovem estudante que, ao querer saber algo mais, tornou-se, de repente, encarnação de milhões de pessoas) com os olhos na Amazónia, não. Mas mesmo que assim tivesse sido, isso não tornaria a ideia boa ou má – pois não?

A ideia nem é “dar lições de moral” ao Mundo (no caso do estudante que formulou a questão era saber mais sobre o Mundo e o seu futuro); a ideia é o Mundo poder fazer um esforço conjunto para travar a destruição do pulmão do Planeta.

Não é uma questão de “património Mundial” (que a nossa Cidade Velha pode vir a ser – espero que em breve – considerada pela UNESCO) mas de uma outra coisa; como disse no comentário anterior. Não confundamos, ainda mais, as coisas…

Irá a Cidade Velha torna-se coisa alheia por isso? Vamos ser usurpados? Não.

É claro que a resposta foi dita no contexto e no local que foi. Por isso mesmo teria de saber do que falava e o que era e é uma e outra coisa.

Uma coisa é saber o que é valor do Amazonas para o planeta, outra é falar dela de forma inadequada e sem o rigor necessário e com pseudo humanismo – é disso que se trata.

Não se trata de ironia, João.
Esse entendimento é tido por mim como bondade tua; aliás, nem o autor o tem como tal.

Os Estados Unidos da América e a China são os países do Mundo, na actualidade, que mais violam os direitos humanos dos seus cidadãos (veja-se o caso monstruoso das prisões americanas – nem é preciso falarmos de Guantánamo e de outras prisões secretas espalhadas pelo mundo), mas isso não faz deles expiatórios ou razão de “fuga para a frente” de qualquer argumentação.

As ideias (pela sua natureza) valem por si e não por quem os diz ou de onde vêm. Quem não pensa assim está a invocar o “argumento de autoridade” dos diplomas, posição política e quejandos. E aqui, que eu saiba, ninguém arvora diplomas ou posição política e social para sustentar as suas opiniões. Era só o que faltava! Se assim fosse – por exemplo –, Carl Schmit teria razão ao sustentar o nacional socialismo…

Temos de ser capazes de ir mais além nas nossas críticas e reflexões sobre o Mundo e as coisas; de ser críticos de nós mesmos e dos outros. Ninguém, porque foi ou é XPTO é livre de crítica merecida ou é dono da razão.

Ah, sobre a soberania e os direitos humanos exorto o Miguel Barbosa a ler o discurso do Papa Benedictus XVI no dia 18.04.2008 na ONU (encontrável em http://www.vatican.va/). Parece que tem uma ideia de soberania do tempo de Hugo Grotius e a precisar de um “upgrade” urgente.

A posição do Miguel Barbosa revela a assunção dessa ideia demagógica de que se quer “tirar a amazônia do Brasil”, a que – já agora – não é alheio ao discurso nacionalista e de soberania absoluta subjacente ao discurso em causa. Entendo; ah, se entendo.

Se soubesse do que se trata verdadeiramente (não de quem disse o quê mas o que é a discussão em si) não pensaria assim. Ou talvez não, ser for nacionalista convicto. Mas o que fazer? A cultura é muito, mas muito mais do que a Internet. O mérito dos argumentos, reitero, não advêm de quem os diz mas da razão que os sustenta.

Agradeço ao Miguel Barbosa o bom conselho de estudar; mesmo sendo esta matéria meu objecto de estudo difuso há já alguns anos (sim, há mais de dez anos que defendo que a Amazónia deve(ria) ser património comum da humanidade – o que, de forma alguma, quer dizer retirar o território aos Estados).

Retribuo o mesmo conselho, exortando-o a pensar no que escrevi e a opinar de forma sustentada e não a dizer quem escreveu o que critiquei (com muita bondade, diga-se de passagem) an passant e a verter o curricullum do homem.

O curricullum diz-me o que o homem fez e faz – não acrescenta nada à discussão.

Por essas e por outras é que o mundo não anda e está como está.
Não se trata de uma questão “nacionalista” mas de ordem jurídica e social ao nível global e com consequências para o futuro da humanidade.

O pensamento vertido no texto em causa é de “humanismo nacionalista” ancorada na ideia da soberania absoluta que degrada os interesses da humanidade no seu todo em detrimentos dos interesses dos Estados. Trata-se de um dos muitos egoísmos de Estado.

O humanismo é algo de global, não é “só nosso”, não. Não pode nem deve existir um “humanismo” brasileiro, cabo-verdiano, americano, chinês ou ruandês; ela é e tem uma dimensão universal e transcende que se ancroa na dignidade da pessoa da humana.

Esta ideia – de “universalidade, indivisibilidade e interdependência” dos direitos humanos (no caso da Amazónia de Direitos humanos de terceira geração) – é deixado bastante claro no discurso do Papa supra referido.

Interessante será verificar que a ideia de soberania humanista – dimensão universal dos direitos humanos – defendida pelo Papa Benedictus XVI (que é a da maioria esmagadora da doutrina do Direito Internacional Público geral e comum) nada tem a lógica de soberania absoluta subjacente ao discurso em causa e ao vertido pelo Miguel Barbosa no parágrafo primeiro do comentário supra.

Mas é claro que entendo o discurso (do) político – que pode levar as pessoas até ao seu Marte, à sua Lua ou a se aproximar dela –, o que não entendo são os egoísmos nacionalistas que, sob a capa de humanismo, promovem um sentimento que, não raras vezes, levam a conflitos evitáveis. Aliás, basta ler o final do primeiro parágrafo do Miguel Barbosa para se perceber os frutos larvares do discurso em causa e perceber o que digo.

E Mundo, todavia nasce.

Ah, na versão de Federico Garcia Lorca: “y el mundo todavia nasce”. Sim, nasce para todos usarem da sua razão; sem prioridade, consulado ou Senado de razão.

Abraço fraterno.

PS: João, desculpa lá este “comentário” escandalosamente grande, mas…

Sisi disse...

Concordo sarron.com, apesar do texto ser do ano 2000, o assunto continua sendo bastante actual e é preciso sim continuar reflectindo sobre ele. Acho que é uma constatação bastante óbvia de que o mundo dança no compasso dos EUA, e tomando como exemplo os dois mandatos do Bush, já vimos que é um compasso muito mal tocado.

PS: o anónimo das 10:37 era eu, esqueci de colocar o nome...ups!!

João Branco disse...

Caro Virgilio, nao me preocupam coments curtos ou longos. O importante é que cada um diga o que tem a dizer, livremente. Em relação a este assunto, continuo na minha, e dou-te o prazer de continuar em desacordo (hehe). Não penso que estas declarações sejam nem resultado de equivocos e muito menos «patetice», como referiste no primeiro comment. O facto de estar a falar para um simples «estudante da universidade» não interessa, estava ali a comunicação social, quando o ME falou e disse o que disse, sabia o que estava a fazer. E ele não atacou directamente quem o interpelou. Falou claro, continuo convencido que utilizou a ironia, e acertou no alvo.

Sabes, o Brasil tem isso que eu gosto muito: devem ser dos poucos países que não se curvam perante o poder económico, politico e militar dos EUA. Nunca me esqueço que foram os primeiros a avançar para a obrigatoriedade de tratar os americanos nas suas fronteiras exactamente da mesma forma que os brasileiros são tratados nas fronteiras americanas, sendo fotografados, como se fossem criminosos. Adorei que tivessem preso o primeiro americano fotografado na fronteira brasileira por este ter feito - bem ao jeito americano - um gesto obsceno para a camara no momento de ser fotografado.

Não sou anti-americano. É um pais que tem muitas coisas boas, artistas extraordinários, produção cinematográfica e televisiva espantosa, enormes cientistas, filosofos, economistas, etc. Mas a arrogância e irresponsabilidade global desta administração quase que justica radicalismos. O que nem foi o caso desta intervenção...

Abraço fraterno!

hiena( regando suas plantinhas no jardim,preparando seu pulmão verde) disse...

deste ja um ti ta roe nhâs unha de ca ter lido êss post antes,mas nunca é tarde:
...o problema é que a Amazonia ja està internacionalizada(e privada)!
pois se formos ver as multinacionais que "controlam" a Amazonia,Total,Shell,entre outros, companhias de eletricas que contralam as barragens electricas e cursos de agua do rios ,madeireiros que desbravam e consomem o equivalente a varios estadios de futebol por dia(ou por hora?), sem contar com as doenças que foram "importadas(internacionais)" e que dizimaram e dizimam as populações mais remotas da Amazonia, tribos inteiras que são obrigados a mudar o seu modo de vida(à internacionalizar-se portanto), poluição dos rios com a extracção de petroleo,gaz natural e minerais,podemos dizer que a Amazonia ja é internacional...
Acho que deve haver sim uma "consciêncialização" internacional que o "problema " 'a destruição desse pulmão verde) é um problema maior e de todos nôs , pra mim esse é a internacionalização da Amazonia... mas estamos longe de chegar a essa conclusão ,pois outras partes do mundo ja foram destruidas , e estão a ser destruidas pela ganância dos homens (internacionais) , sem nenhum respeito por populações locais ,primeiro, sem respeito proprio(2°), e sem respeito por todos nôs(3°) e sem respeito por gerações vindouras(4°)...
conclusão: A Amazonia ja é internacional no que toca à exploração/destruição , mas na e protecção/preservação ,tirando meia duzia de gatos pingados(no bom sentido) ,ninguém quer saber

Miguel Barbosa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
João Branco disse...

Hiena: esse é, precisamente, outra perspectiva do problema que é preciso não esquecer...

Miguel: se formos «deviar» o assunto para o Papa e para a credbilidade da Igreja Católica para dizer certas coisas, nunca mais saímos daqui! Agora, uma coisa é certa, e o Hiena fez bem em lembrar disso: crimes graves acontecem praticamente todos os dias na Amazónia, território brasileiro, e apesar dos esforços despendidos pelas autoridades, continua a ser património irresponsavelmente delapidado. E todos sabemos que o Brasil é um país de contrastes: ao mesmo tempo que é dos poucos que não ousa fazer frente aos americanos, também tem um nivel de corrupção assustador, e por cada decreto lei que é aprovado para protecção da Amazonia, alguns políticos são corrumpidos para que essa lei não seja comprida. Sabes isso muito bem. Grandes herois ambientalistas foram assassinados por defenderem a causa da Amazónia.

Eu sei que este não é o cerne desta discussão, mas não podemos agora vir aqui dizer que no Brasil só existem anjinhos preocupados com o ambiente. A realidade é outra, e bem diferente. Agora, se há algum país que não tem o direito de vir dar lições de moralismo a esse respeito, esse pais é, sem dúvida, os EUA.

Miguel Barbosa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
João Branco disse...

Antes uma correcção ao meu comment anterior (não se consegue corrigir na origem): quando digo «não ousa» quero dizer, obviamente «ousa», senão a frase não faria sentido.

Agora relativamente ao comentário do Miguel, não estou de acordo, nem com o conteúdo nem com o estilo «bélico» do mesmo. Aliás, a intervenção que aqui está em discussão surge precisamente porque os EUA teimam em considerar as emissões do CO2 no seu território, por exemplo, como apenas assunto seu, sendo antes assunto que diz respeito a toda a humanidade. A delapidação da Amazónia, a protecção dos ocenaos, o controle do buraco do ozono, etc. são tudo assuntos que nos dizem respeito a todos, como cidadãos do mundo, a todos os países sem excepção. A razão é muito simples: os actos em si, de poluir, são apenas da responsabilidade que quem os pratica, mas as consequências dizem respeito a todos nós, já que todos sofremos por causa da irresponsabilidade alheia. O Protocolo de Quioto, aqui evocado, tem precisamente essa natureza: chama atenção dos respectivos governos que o que é feito em seu território nos implica a todos, pelo que é da responsabilidade de cada governo zelar não só pelos seus próprios interesses mas também pelo interesse global, que em última instância, é seu também.

Nesse sentido, não poderia estar mais em desacordo com o Miguel, relativamente ao seu último comment.

Anónimo disse...

Os americanos, nem o governo dos EUA são o pior governo do mundo; nem são os que mais torturam; nem são os que mais oprimem; nem são os mais unilaterais do mundo...Qual a humanidade da FEBEM no Brasil; qual a humanidade das polícias do Brasil ( que matam e torturam impunemente); que país é esse onde afirmam-se perante os EUA, mas não o fazem perante a Venezuela que afetou vários interesses de empresas brasileiros aí intaladas... o que quero dizer é que se é certo que a America faz muita coisa errada, não menos certo é que, parece que as pessoas só se preocupam com o que os EUA fazem de mal; preocupam-se com as prisões do EUA em Cuba, mas não se preocupam com as prisões de Cuba ( onde as condições são praticamente as mesmas, onde o direito a um processo justo simplesmente não existe)... não digo que não se deva denunciar as injustiças do mundo, mas muitas vezes ( não todas, há que ser justo) os critérios de exigência só funcionam para um lado...

Virgílio Brandão disse...

Hiena, podes roer as unhas que eu aqui estou a ver se consigo roer as bordas do meu cérebro; é que, pelos vistos, não consegui explicar-Vos o cerne da questão (logo agora que tenho de passar a noite a fazer um recurso...). Mea culpa, mea máxima culpa.

O que se trata, na verdade, é da defesa da Amazónia dessa destruição selvagem a que tem sido sujeita. É a resposta que – depois de uma “consciencialização” internacional da questão – os defensores dos Direitos humanos encontram no plano jurídico internacional para salvar o Amazonas e que alguns discursos (como o que nos ocupa) têm servido como travão por se basearem no nacionalismo – como a “brasilidade” ou soberania interna (Brazil) ou as tais “especificidades” internas, ao nível da defesa da industria (Estados Unidos - a que o João se refere).

A ideia, volto a frisar, é proteger a Amazónia e preservar a mesma para a humanidade presente e futura; não é nada parecido a uma “cabala americana” para se apoderar do Amazonas (o que é um pré conceito facilmente vendível).
Hiena, o problema é que não é que “ninguém quer saber”, como dizes.

O problema é que quando “alguém quer saber” aparecem sempre os discursos-travão que soam sempre muito bem. Como tudo o que é muito simples e demagógico.

Já bem dizia o infame Joseph Gobbels (Ministro da propaganda de Hitler): “Mente. Mente. Mente. Até que um dia essa mentira se torne verdade”.

Não se torna; mas, não raras vezes, parece que é. Por isso que a razão deve estar vigilante. Lembro, agora, Baudelaire que dizia que «a maior arma do Diabo consiste em convencer-nos de que não existe».

Acham que a Administração norte-americana não sabe o mal que faz na questão ambiental? Sabe. Al Gore era vice-Presidente dos EUA aquando da assinatura do Protocolo de Kyoto; mas veja-se a sua “consciência” ambiental hoje… Porque, então, o seu discurso como membro Governo dos EUA, nessa época? Política: agrada às populações (a massa) ouvir o que querem ouvir – política de e para consumo interno, populismo. Bush (pai e filho) seguiram a mesma a linha.

Vá qualquer político (democrata ou republicano) dizer aos americanos que quer acabar com o seu modo de vida de grande consumo e com a sua industria (que gera trabalho, riqueza e dinheiro: o verdadeiro Deus dos EUA) e verão o que lhe acontece nas eleições. É que a América é “só nossa” e ninguém tem o direito de nos tirar o que é nosso - dirá qualquer americano. Não é?

Agora, pergunto ao Miguel Barbosa (perdoa-me se não lhe trato por Sr., Dr. LLm, Md, PhD e quejandos – mas é que uma urbanidade colectiva demanda esta informalidade): acha que os Oceanos devem ser património comum da humanidade?

Bem, adiante. Como sabe a Amazónia tem, além da maior bacia hidrográfica do planeta, a imensa floresta que tem uma série de espécies que a humanidade arrisca a perder por causa dessas “carolices” politicas.

Agora, deixe a floresta amazónica ser destruída e verá a qualidade de vida que passará a ter – os cabo-verdianos sabem o que digo pois vivemos no “depois” da destruição do verde de Cabo Verde.

Sabe, se seguisse o pensamento de Joseph Ratzinger – o que eu faço, felizmente para mim, há já alguns anos – de certeza que “perderia” algum do seu precioso tempo (certamente dedicado ao aturado estudo que aconselhou) a ler o dito discurso. Mas não é que o homem vai dizer, no coração da América, que as questões de Direitos humanos (e os direitos ambientais – inclusive o Protocolo de Kyoto - são direitos humanos) não são questões internas dos Estados mas sim de toda a comunidade internacional?

Assim, creia-me, é difícil: argumentar contra preconceitos não dá!

Agora, João – deixa-me dizer-te o seguinte: ao escreveres que «[…] O Protocolo de Quioto, aqui evocado, tem precisamente essa natureza: chama atenção dos respectivos governos que o que é feito em seu território nos implica a todos, pelo que é da responsabilidade de cada governo zelar não só pelos seus próprios interesses mas também pelo interesse global, que em última instância, é seu também» o que fazes é aderir à esta causa nobre de salvar a Amazónia, pois essa a substância do pensamento da pergunta que originou a “resposta” (que, ao contrário que se pensa e se quer fazer, não foi “exponstânea”, não...) que temos andado em volta.

São questões análogas (participam da mesma natureza)- Kyoto e Amazónia -, e não podemos ter dois pesos e duas medidas. Ainda que uma coisa pareça bela e outra, pelo contrário nos choca à primeira leitura. Se não podem (os estados amazónicos) travar a destruição da Amazónia, é dever da Humanidade fazer um esforço comum nesse sentido.

Defendo isso, reitero, há mais de uma década e, parece-me, o caminho certo que mais cedo ou mais tarde a humanidade trilhará – para o bem, de todos. Por exemplo, a Amazónia é fundamental na protecção da camada de Ozono 03 e a sua actual situação não é benéfico para a humanidade – pois os Estados amazónicos não conseguem controlar e impedir (quando não "fecham os olhos") a sua delapidação.

No Sábado lia Séneca e deparei-me com uma frase que me deixou amouroado em meus pensamentos e que acabou por ocupar o meu tempo diário de reflexão nesse dia e ontem: «Há uma grande diferença entre não querer e não saber praticar o mal».

Então pensei em antítese – e como síntese conclusiva – e converti a frase em «Há uma grande diferença entre não querer e não saber praticar o bem». É, aplicado ao que nos ocupa, uma forma “simpática” de dizer “patetice” – pois não creio que se não se queira praticar o bem...

Às vezes, confesso, não sei onde acaba uma coisa e começa a outra, verdadeiramente.

Espero, com esta pequena reflexão conjunta, ter ganho – pelo menos – um defensor para a causa da Amazónia enquanto património comum da humanidade (res communis humanitatis).

Não tenho dúvidas de que, se hoje estivesse vivo, Chico Mendes seria um defensor desta ideia. Porque amava a Amazónia - a floresta, o rio e s suas gentes.

Abraço fraterno a todos – com ou sem coragem.

PS: A propósito de coragem. João, aplaudi a decisão do Governo Federal do Brazil de “tratar os americanos nas suas fronteiras exactamente da mesma forma que os brasileiros são tratados nas fronteiras americanas”; fiz o mesmo com Angola em relação a Portugal e espero, um dia, fazê-lo quando Cabo Verde tiver essa coragem.

João Branco disse...

Anónimo e Virgilio, mesmo entendendo o que um e outro querem dizer, o que penso sobre este assunto resume-se numa frase muito simples: quem tem telhados de vidro não pode andar a atirar pedras ao vizinho. O maior problema é a assunção, por parte do governo americano que pode e tem o direito de dar lições de moral a todo o mundo, falando de democracia e direitos humanos. Ao dizer isto, não estou a dizer que não condeno as violações dos direitos humanos, ocorram eles nas prisões brasileiras, em Cuba ou no Tibete. Uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Agora, vocês imaginam o Primeiro Ministro Chinês andar a fazer discursos, dia sim dia não, sobre a violação dos direitos humanos nos EUA? Não teria qualquer lógica, pois não?

Com a questão da Amazónia, é a mesma coisa. Eu não estou a dizer que a Amazónia não é Património da Humanidade e que todos nos devemos preocupar com o que lá se passa. Estou é a dizer que os últimos que podem apontar o dedo ao Brasil sobre questões ambientais são precisamente os EUA. É muito cinismo global e para isso eu não tenho pachorra. Dai continuar a considerar a intervenção que está no post e que gerou toda esta - muito interessante e produtiva conversa bloguiana - pertinente e nada, mesmo nada idiota. Muito pelo contrário.

Abraço

Alex disse...

Desculpem lá, mas, ainda que mal pergunte, o que é que aconteceu ao Miguel Barbosa? Sumiu?
Ele auto-removeu-se do debate? Nem sabia que tal fosse possível. A minha ignorância não deixa de me surpreender.

Esta discussão faz-me lembrar aquela outra sobre a famosa proposta do Giscard sobre a Constituição Europeia, hoje decantada em Tratado de Lisboa. Discutiu-se quase tudo menos 'a coisa'. E 'a coisa' foi para o galheiro! Na verdade, se aqui estamos um pouco melhor, vai por aí muita 'bilis colateral' (nacionalismos primários; anti-isto e anti-aquilo; desejos românticos e ódios de estimação). A sensação com que fico é que está tudo a puxar para o mesmo lado, mas a vozearia é tal que já não se ouvem.
Lembro que o tema deste debate está no Post, e é um texto já antigo. Sobre o dito, o VB está contra a intervenção do Ministro, e o resto do people apoia e elogia. Para que conste, eu também apoio, se é que li a resposta no seu devido contexto. A saber, a pergunta mais do que provocatória, e irreverente (naturais num jovem), destila uma certa ideologia (aquela que acredita que não só é possível, como legítima e até desejável, uma intervenção global, onde for preciso, para se defender uma BOA CAUSA, e uma CAUSA JUSTA, e a defesa da Amazónia é boa e justa), que no limite levou desgraçadamente à actual guerra no Iraque (não é por acaso que o nosso amigo brasileiro, agora ausente, foi adiantando que não aceitariam qq tipo de intervenção, entenda-se agressão externa, para a qual, aliás, fez questão de sublinhar que o Brasil estava mais do que prevenido). A resposta, é provocatória, e em nada destituida de razões (que não, de razão). Limitar-me-ei a dar um simples exemplo, fugindo propositadamente aos argumentos do ilustre Ministro (cujo sentido de oportunidade, e desassombro da réplica adorei). Falo da muito falada, e não menos evitada "Taxa Tobin". Todos já ouviram falar. O Ministro poderia tb ter dado este exemplo. Continuaria a ser apelidado de demagógico? James Tobin, é Economista, é Americano, é Prémio Nobel. A proposta, muito simples, consistia em taxar todas as transacções financeiras internacionais de carácter especulativo. Se os países que mais fomentam, beneficiam, e gerem estas transacções não aceitaram tal ideia com medo de perderem o filão, pior ainda ficou a ideia de Tobin quando ela se tornou num dos cavalos de batalha da ATTAC impulsionada por Ignacio Ramonet(sobre este assunto vale a pena consultar a Net para aprofundar a matéria). A 'Taxa Tobin' ficou em piores lençóis do que o 'Tratado de Quioto'. Como é óbvio o fruto desta receita gigantesca destinar-se-ia a projectos de desenvolvimento, e à ajuda às populações maias carenciadas do mundo. No fundo falamos aqui de uma forma simples de redistribuir a riqueza, repor alguma justiça, e não como alguns o viram, muito convenientemente, como uma forma de controlo sobre o capital, que se quer seja livre, sigiloso, e claro está, muito lucrativo para alguns, poucos.
O problema nestas matérias, é que quando entramos pelo lado da caricatura, dos chavões, das frases feitas, quando damos por nós, já perdemos o pé ao debate.
Não sei se o que o aluno queria perguntar ao Ministro, é o que eu aqui proponho: Depois de assinado (ou será assassindo?) o Tratado de Quioto, faz ainda algum sentido que os países continuem a pensar localmente? Que sentido faz analisar problemas globais, vistos numa perspectiva intercativa, complementar e de equilíbrio global, e continuar a dizer "Isto é nosso, e com é nosso fazemos o que bem entendemos!". E eu convencido que o que o tratado almejava, para além do óbvio, era também ultrapassar este sentimento nacionalista de posse, que nos tem conduzido à beira da catástrofe (há quem diga que não), para refrear os ritmos e a extensão da depradação dos recursos, e seus malefícios (já não a nível local, mas global). Por mais odioso que sejam o Sr. Bush, o governo Chines, ou o Russos, é fácil dizer vamos por um ponto final nisto.
O dilema é este:
a) ou paramos, e invertemos o processo, ou morremos;
b) se pararmos tão rapidamente quanto a natureza necessita, alguns dos ilustres conhece o verdadeiro alcance dessas medidas, o seu impacto político, económico e social?
O dilema está bem espelhado numa certa cantiga cabo-verdiana que reza +- assim: "Sum bibê n'ta morrê, sum ka bibê n´ta morrê, n'ton dixa-m bibê pa-m pode morrê bibid!"
Não se trata de justificar cinicamente o injustificável, ou dar argumentos para que as decisões se adiem. Nada disso, e eu estou nos antipodas disso, só para esclarecer.
O problema de fundo, a meu ver, é que estamos a lidar com o mais antigo, e grave problema da humanidade, o EGOISMO. Quando os EUA (esqueçam os Bush's os Clinton's, etc) dizem que não estão preparados para assinar (sabem do que falam, visto o problema à escala Americana, com as repercussões internas, o seu estilo e modo de vida, o seu modelo económico e de desenvolvimeto, a sua lógica imperialista, etc., etc.), ou os Russos dizem que não podem por em causa o seu projecto e os ritmos de crescimento (é na Rússia que um certo mar, o Aral?, simplesmente desapareceu, não foi), ou a China se está marimbando para os absurdo níveis de poluição que gera, todos estes gigantes sabem que isto é uma guerra, e que ninguém a quer perder, ou sequer ceder.
Será que eles não conhecem a história de Pirro? Claro que conhecem?
Será que eles não sabem o que nos espera? Claro que sabem! Quem provavelmente não sabe nada somos nós para aqui armados em paladinos de uma justiça abstracta, e de uma visão do mundo no mínimo romântica.
A verdade é que estamos encurralados num beco sem saída. Significa isto que não podemos fazer nada? Claro que sim. Isto, p.ex. Debatendo, criticando, analisando. Pouco mais.
O jovem americano, que se preocupa legitimamente com a Amazonia, deveria questionar os seus Governantes e os seus concidadãos sobre o seu papel no mundo, o seu estilo de vida, o seu modelo de desenvolvimento, etc.. No fundo, repetir as mesmas palavras que um dia Martin Luther King Jr proferiu sobre um certo sonho, bastanto actualizar o refrão, ou dizer, actualizando, o que um dia disse J.F.Kennedy "O que é que eu posso fazer por este planeta, e não o que é que o planeta pode fazer por mim". E por aí fora. O que não faltam são frases sonantes. O pior é ter de lidar com o resto. Mas nunca, absolutamente nunca, devemos fugir ao incómodo, à perplexidade e à ignorância. Mais cedo ou mais tarde elas voltam a cruzar o nosso caminho.
Não tenho soluções.
Quantas vezes não me sinto enganado por argumentos e teses científicos que, afinal, se revelam falsos ou inconsistentes.
Se isto não é o salve-se quem puder, anda lá perto. Lá isso anda!
ZC

João Branco disse...

Bela contribuição a este debate, ZC. Abraço!

hiena( desnorteado...) disse...

Caro Virgilio, a minha opinião, de certo modo coincide com a sua,em determinados aspectos. Ao ler o seu comentario,fiquei com a impressão de ser um pro-Bush( ou pro-neocon), coisa que deus (s ele existe) me livre,é pra mim uma ofensa maior eh eh eh...era sô pra clarificar essa parte ,ou aspecto.
Concordo que os Americanos(administração) sô ta espià pa sês umbigo, sejam eles democratas , republicanos, cedo ou tarde fazem valer à maxima "gOd bLess aMerica"...claro que certamente têm tcheu excepção.
ALex : a questão de Kyoto acho que é um verdadeiro falso-poblema, acho que émais uma diversão ,uma desculpa,pois não é uma assinatura que farà mudar a consciencia,o modo de vida,ideais,etc,etc, porque,mesmo se for "adoptado pa tudo paìs de mundo", um ca sabé se el ta resolvé problema d'esse planeta no tocante a poluição,emissão Co2 (entre outros), e serão precisos ainda mais umas centenas de tratados de Kyoto...infelizmente,apesar nha optimismo

Alex disse...

Não entendi a tua dúvida Hiena. Quioto um "falso problema"? Como assim?
Como é que propões que se resolva um problema global, senão de forma global? A poluição global não tem fronteiras. Entra sem pedir licença, por mais cumpridores e ecológicos que sejamos. Se ficarmos à espera que:
1- cada um tome medidas avulsas (localmente falando);
2- que as pessoas melhorem o seu comportamento por via da educação e da formação;
3- que seja tudo deixado às boas intenções (de que o inferno está cheio)
então estaremos a caminhar para a catástrofe. Aliás, é o caminho que temos percorrido até aqui. Isto já não vai SÓ com optimismos ou com fézadas, ou com messianismos.
Se estás a dizer que o Protocolo tem falhas e é a vários títulos hipócrita (p.ex. permitir que Países ricos continuem a poluir aos níveis actuais, ou a reduzir mais lentamente que o desejável, desde que comprem licenças/autorizações aos Países menos poluidores. Afinal o que eles estão a comprar, e nós a vender, não é bem estar ou menos poluição, mas uma espécie de suicídio colectivo. Este modelo é profundamente errado, porque injusto(entre muitas outras razões). De facto isto não faz sentido. Distorce todo o princípio implícito no espírito do tratado.
Faz-me lembrar o seguinte: há quem não leve o carro para a cidade, porque polui, porque não há espaços de estacionamento suficientes, porque é mais caro, etc. Entretanto, o rico e o poderoso faz questão em levar o seu carro, porque pode comprar espaço de estacionamento, porque lhe é indiferente que seja caro, e porque não se importa de pagar uma taxa ou uma multa. Este último continua a agravar o problema SÓ PORQUE ACHA QUE PODE PAGAR, PORQUE ACHA QUE TUDO TEM UM PREÇO, QUE TUDO SE COMPRA E SE VENDE. O dinheiro, o negócio, destruiram uma fronteira ética fundamental. O êrro, não é errado para rico ou pobre, muito menos uma questão de quem pode ou não pagar. Se são estes os teus reparos estamos de acordo. Mas então o que sugeres que se faça? Sem fazer nada é que não podemos. Acho eu.
Abç
ZC

João Branco disse...

Achas bem, ZCunha.

P.S. Para grande pena minha, acabei de reparar que o Miguel Barbosa retirou todos os seus comments e que em muito contribuiram para que este post fosse um dos que conseguiu ter um debate mais profundo e interessante. Foi pena. Aliás, eu nem sabia que se podia fazer isso no Margoso.

Virgílio Brandão disse...

João, eu não conhecia esta forma de dizer “retiro o que disse” e, confesso-te, também não sabia que era possível retirar um comentário de um blog alheio.

Vou descobrir como e depois te digo. Seja como for, para se fazer isso é precisso ter alguns previlégios de acesso à tua conta. Aconselharia uma revisão da tua password (3 letras Maiúsclas, 3 minusculas e 3 números intercalados é um password de segurança aconselhável)

No comemnts!

Bem, o Cunha (Alex) dizia que, e com razão, que não se pode resolver um problema global a não ser por via formal, isto é, através de Convenções internacionais (tratados bilaterais ou tartados-contratos, acordos em forma simplificada – também tratados-contratos que difere dos tratados bilaterais na sua forma de ratificação e os tratados multilaterais ou convenções tout court).

Ora, é o que se deseja para resolver o problema da gestão sustentada da Amazónia e, assim, protege-la da destruição.

Hiena, o protocolo de Kyoto é uma Convenção internacional; logo, é lei. Na verdade tem uma dimensão jurídica tão forte que prima sobre a própria Constituição (essa é a doutrina do Tribunal Internacional de Justiça da ONU e que vem desde o Tribunal Permanente de Justiça da antiga Sociedade das Nações) e que é a tese que defendo – a do monismo com primado do Direito Internacional.

É uma questão jurídica, de direito dos contratos das pessoas morais; como acontece entre as pessoas físicas. Quem não cumpre, vai parar ao Tribunal – no caso, ao Tribunal Internacional de Justiça da ONU.

Sobre essa do pró Bush, bem – é uma opção legítima. O problema, Hiena, é que quando não temos os dados todos de uma questão a sua análise torna-se numa espécie de jogo de cartas sem trunfos. É somente isso.

Ah, Cunha, o texto do Ministro “cujo sentido de oportunidade, e desassombro da réplica adorei” (sic) não é a resposta, é o texto publicado na Folha de S. Paulo. Não fiques com a ideia (desculpa estragar esse teu prazer) de que o texto expressa o conteúdo de uma resposta expontánea, porque isso não é verdade.

Agora, é consabido que façamos o que fizermos não será possível corrigirmos o mal que já causamos; mas podemos evitar aumentar o problema e confiar na natureza.

O buraco na camada de Ozono 03 já lá está e nada podemos fazer para o tapar; essa é a realidade.

Independentemente da questão dos custos que tal acção pudesse acartar, esta é a realidade.
Mas, também, não podemos fazer como fazia quando era marteleiro: na segunda-feira chegava à obra com a roupa limpa e tentava evitar que o óleo do martelo me manchasse a roupa; se um pingo de óleo ou um pouco de massa consistente caísse nela ficava aborrecido e tentava limpar a roupa, mas depois caía mais um pouco ou ficava distraído e colocava a mão no bolso e… Bem, depois já não me importava e na terça ou quarta-feira já estava a limpar as mão na roupa…
Não podemos nem devemos agir assim com a questão ambiental!

Cunha, não se trata, verdadeiramente, de “justiça romântica” ou coisa parecida. É uma questão simples que, aliás, a intelectualidade brasileira, exceptuando os nacionalistas, tem como uma eventualidade e, eventualmente, uma necessidade caso os países amazónicos não sejam capazes de resolver o problema.

E não é de agora. Em 1998, participando de uma conferência sobre a Amazónia e de homenagem a Chico Mendes (na Universidade Pontifícia de Salamanca) defendi esta mesma ideia e, dos brasileiros presentes, ninguém se mostrou minimamente ofendido. E tal deu lugar á uma discussão interessante em torno de alguns conceitos e que permitiu, então, a clarificação de alguns conceitos – como referi em comentário supra.

O sonho, Cunha, é – não raras vezes – solução. Sem sabia o que dizia António Gedeão na "Pedra filosofal"...

Há alguns anos passei pela livraria «Contra a Corrente», na Rua da Atalaia em Lisboa (que saudades!) e comprei um livro que mudaria a minha ideia de sonho e de utopia. A ideia é de um autor alemão, cujo nome agora me escapa, que vem em nota à “Utopia” de Thomas Moore (na edição de bolso da Europa-América dos anos oitenta) e que dizia que “utopia é uma possibilidade que as circunstâncias do momento não permitem a realização. Afastados estes impedimentos, a utopia é realizável”. Nunca mais me esqueci.

Imagino o dito ex-Ministro e deputado federal, a esta hora, a lamentar-se porque o Presidente Lula mudou de ideias no que diz respeito a proibição da exportação do arroz. Isso porque, pensará o mesmo, pode fazer falta ao Brasil e de que, porque produzido no país, é “só nosso”, isto é, brasileiro. Ou então a aplaudir o Lula, defensor do bio-diesel, que critica os americanos por fazerem combustível com milho, comida de “galinha e de porcos” (Lula dixit) e se esquece que faz o mesmo com outros alimentos. Um pouco de demagogia…

PS: Cunha, eu – como deverás imaginar – sou a favor da taxa Tobin. Mas, compreenderás que é uma questão substancialmente diferente do que tratamos por ora.

Abraço fraterno

João Branco disse...

Mais uma excelente contribuição do Virgilio. Bali!