Cafeína

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«Penso que o amor é muito difícil. Existem muitos obstáculos a que possa ser o absoluto que é. A palavra amor é uma palavra muito gasta, muito usada, e muitas vezes mal usada, e eu quando falo de amor faço-o no sentido absoluto... há uma série de outros sentimentos aos quais também se chama amor e que não o são. No amor é preciso que duas pessoas sejam uma e isso não é fácil de encontrar. E, uma vez encontrado, não é fácil de fazer permanecer.»

José Luis Peixoto

Imagem: pintura «The bride» de Gustav Klimt




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16 comentários:

Anónimo disse...

Desculpa José Luis mas... o amor é tão fácil, tão absoluto, e tão permanente!!! E a palavra AMOR nunca é mal usada... nem muito usada...

João Branco disse...

Anónimo, permite-me discordar, em absoluto do teu comment. A palavra AMOR é demasiadas vezes utilizada em vão. O amor fácil não é amor. E só é permanente enquanto dura. É só reler a célebre estrofe de Luis de Camões. Uma dor que se sente tão completamente, que não é dor o que deveras se sente...

Kuskas disse...

Nunca fui uma pessoa de fácil trato e as pessoas me criticam sempre por NUNCA dizer que as amo.
Por natureza sou muito franca e sincera no que diz respeito aos relacionamentos e sentimentos.
Até hoje posso dizer que AMEI/AMO de VERDADE a 4 pessoas: minha filha, meus pais, minha melhor amiga e um ex-namorado.

os 3 primeiros amo aquele amor incondicional( sou do tipo que acha que a AMIZADE é a forma mais perfeita de se amar alguem)
O ex-namorado amei com todos os poros do meu ser, foi intenso e por pequenos instantes fomos UM SÓ SER. O amor acabou porque não conseguimos PERMANECER.

O João tem razão: a palavra AMOR, assim como DEUS é demasiadas vezes utilizada em vão

Abraço

João Branco disse...

Kuskas, apenas uma palavra sobre o teu comment: gostei!

Sisi disse...

Queria antes de mais dizer que tb adorei o comentário da Kuskas, senti mta pureza na msg.
É verdade, a palavra amor é sim muitas vezes utilizada em vão e confundida com outros sentimentos. Podem é existir diferentes formas de amar porque o amor que temos pela nossa família não e o mesmo que temos por exemplo por um(a) namorado(a). Muitas vezes achamos que estamos amando alguém, e só chegamos a conclusão que não era amor (muitas vezes é apenas paixão) quando encontramos o amor verdadeiro, aquele que nos faz sentir um só, que é incondicional e que é saudável. Acho que quando o "amor" que sentimos por alguém supera o amor próprio, já não pode ser considerado amor, mas sim obsessão.

Abraço!!

Alex disse...

Nestas coisas podemos sempre concordar, e discordar, com bons e oportunos argumentos, sem qq contradição.
Vejamos:
"A palavra amor é uma palavra muito gasta, muito usada, e muitas vezes mal usada, e eu quando falo de amor faço-o no sentido absoluto... "

CONCORDO: de facto usamo-la por tudo e por nada, a torto e direito, com sentimento e verdade, ou com falsidade e simulacro para conquistar alguém.
DISCORDO: as palavras não se gastam. A prova é que apesar de JLPeixoto a considerar "muito gasta" (pelos outros é claro, nestas coisas são sempre os outros os culpados, os que gastam as coisas que nós gostamos, que nós respeitamos que nós valorizamos, OS OUTROS, entendem?!) o amor aí está a nascer e a morrer todos os dias. Bem ou mal utilizada, é o que vem sucedendo desde há milénios. Porra minha gente, puxem pelas meninges, se ela fosse lá coisa de se gastar já tinha evaporado.
O Amor, no absoluto, é coisa que não conheço, esse sim deve estar gasto. Mas amor, aquele que eu conheço e vivo, aquele que me magoa e me deslumbra, aquele que me adoece e me torna um super-homem, aquele que me assusta e me apazigua, essa força que me domina e me liberta, esse é real, e considero-me abençoado porque amo e sou amado. E é tão amplo o seu território que ele está para além do que imaginar se possa. CONCORDO EM ABSOLUTO COM KUSKAS, PORQUE É EXACTAMENTE O QUE PENSO. A AMIZADE É O OUTRO NOME DO AMOR. A OUTRA FORMA DE CONJUGARMOS O VERBO AMAR. Pela simple e elementar razão. Amar é dar-se, é entregar-se, oferecer-se, sem esperara retorno. No fim, descobrimos que alguma coisa se partilhou.

"há uma série de outros sentimentos aos quais também se chama amor e que não o são."

A sério? QUAIS? É preciso dizer quais porque esta generalização apenas confunde.
De quantas formas se revela o amor? Com quantos rostos? Quem tem o peso, a medida, a bitola, para dizer isto é Amor, aquilo não é? Ninguém, excepto, aquele que se dá em cada 'sentimento'. Só esse sabe!
Tenho para mim que o amor está presente em quase tudo o que de bom e positivo fazemos, só que desaprendemos de o dizer, de o mostrar, de... (por muitas razões que não cabe aqui discutir). Mas, uma má razão, aliás uma péssima razão, é não falar do amor, é não dizê-lo, e não praticá-lo como a coisa mais natural do mundo (e não uma coisa excepcional) com medo de o GASTAR. Gastem, gastem abundantemente, tudo e tanto quanto possam, pois uma certeza tenho: QUALQUER UM DE NÓS GASTAR-SE-Á MUITO ANTES QUE O AMOR SE GASTE!

"No amor é preciso que duas pessoas sejam uma e isso não é fácil de encontrar. E, uma vez encontrado, não é fácil de fazer permanecer."

Pronto, cá está mais um cliché! O Amor a Dois. Nem vou aprofundar esta questão porque já vimos que não é assim. Quem quiser aprofundar mais, e desmistificar essa rábula (esta sim, já gasta), leia, POR FAVOR LEIAM, Walt Whitman, com quem termino. Como o velho jovem Walt, eu também CELEBRO O COMPANHEIRISMO (forma 'superior' de amor), e como diza o autor de Cálamo "...oh, amor, pela amizade, por ti", a que eu acrescentaria, POR VÓS.
Bjs e abç's
ZC
P.S.- Como é tb óbvio, concordo com o Anónimo.

Catarina disse...

Olá,

não tenho muito a acrescentar porque acho que a Kuskas foi muito pragmática no seu comment e quase que concordo integralmente com ela, tirando a parte de que sou uma pessoa de difícil trato! Eu sou de fácil trato e sou daquelas que já incorreu no erro de usar a palavra amor em vão...se me sinto muito cupabilizada por o ter feito??? NÃO!!!

Não temos de ser sempre coerentes, pois não????

Agora, resolvi comentar porque hoje, pela primeira vez peguei num livro do José Luís Peixoto (no CCP da Praia) e estive mesmmo, mesmo para o trazer... só não o fiz porque eles pedem uma garantia de 1.000 paus pelos empréstimos de livros e eu no momento não tinha essa quantia comigo...
há coincidências do caraças

beijos

Catarina Cardoso

Anónimo disse...

Desculpem insistir: "o amor é tão fácil, tão absoluto, e tão permanente!!! E a palavra AMOR nunca é mal usada... nem muito usada..."quando amamos, no momento que amamos! kuskas, concordo contigo quando dizes que que o AMOR pelos filhos é incondicional, por isso (consciente e sinceramente) repito quando me apetece ao meu filho que o amo! Só entre nós, por vezes baixinho, ao ouvido, mas se o sinto, porque não dizê-lo?
Para o João:
"Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como, e dói não sei porquê."
...porque o amor é assim mesmo...
Sente-se...apenas!"
Camões

Para a kuskas:
"Dos amores humanos, o menos egoísta, o mais puro e desinteressado é o amor da amizade."
Cícero

João Branco disse...

Bem, vou (re)ler com muita calma todos os vossos comentários. Este tem sido um assunto recorrente aqui no Margoso. Continuo a pensar que muitos de nós, por vezes, estamos a falar de coisas diferentes embora possamos utilizar as mesmas palavras. Ah, e agradecer o poema camoniano do Anónimo das 10. Até já.

Kuskas disse...

para anonimo das 10:22
Eu digo ao ouvido das pessoas que realmente AMO, varias vezes e sempre que me apetece que os AMO. é assim com a minha filha e com meus pais.
para saberes o quanto de puro e menos egoista considero o amor da AMIZADE, digo-te que sou capaz de aceitar a traição de um namorado(a), mas nunca de um amigo.

Podes perder um namorado(a), mulher/marido que encontras outro, mas perder um amigo, aquele amigo de verdade a quem amas incondicionalmente, nunca vais encontrar outro...

Abraço

João Branco disse...

A propósito do comentário da Kuskas, lembrei-me de um livro brilhante do Fracesco Alberoni, psicólogo italiano que tem editado autênticas obras-primas sobre estes assuntos. Chama-se «A Amizade», e entre muitas outras coisas diz que «até a amizade tem crises. Não é algo que possa ser considerado adquirido para sempre. Sofre crises, como cada relação interpessoal, como acontece até no amor entre pai e filho, ou entre cônjuges. A crise quer dizer que um se sente inseguro da amizade do outro, talvez traído, incompreendido. Superar a crise quer dizer que o outro nos compreende de novo profundamente e nós o compreendemos. Porque, na crise, até nós entendemos mal, agredimos, queremos romper. A crise nasce sempre de uma desilusão e tende a tornar-se combate mortal. Se o amigo é aquele que nos faz justiça, crise quer dizer que até ele foi injusto. Nunca esperaria tal coisa de um amigo - dizemos. De uma pessoa que não fosse meu amigo poderia esperar uma falta de boa vontade. Nós estamos convencidos que, se existe realmente boa vontade, mentalidade aberta, honesta e favorável, então poderemos ser compreendidos. A incompreensão é um sintoma inconsciente de desinteresse, de desprezo ou até de agressividade. Por isso, então, se não somos compreendidos por um amigo, quer dizer que não é amigo, que não nos queria bem.»

Nesta obra, ficamos a saber, mais do que tudo, que amor e amizade, são dois «sentimentos» diferentes, na sua natureza e no seu conteúdo.

gicas disse...

Triste, profunda e intensa esta reflexão, descrição ou simples desabafo do José Luís Peixoto. Também não é à "toa" que sou fã incondicional, das suas palavras, da beleza da escrita, que ele faz tão bem...

Concordo sim...que o Amor no sentido "Absoluto" do sentimento, é de facto raro, difícil e facilmente confundivél com outros sentimentos que rodeiam as relações do ser humano para com o mundo que o rodeia.
Eu acho que o Amor "UNO" de que fala o Luís, é aquele que nos supera, que nos transforma que nos possui, que nos faz delirar, gritar, chorar, entregar sem defesas. Aquele que nos absorve como uma esponja de algodão e nos faz render sem ter medo de errar...sem ter medo de ficar parado na eternidade...mas este Amor PLENO, ABSOLUTO E UNO...é muito mais que o simples amor sentimental e consentido entre a preguiça do errar e a falta de ousadia de mudar...esse existe aos pontapés...esse compra-se e vende-se...o outro do qual fala o Luís...esse é um imenso silêncio, num olhar que comunica com os outros sentidos, sem lugar, data ou hora marcada. Esse é eterno, mesmo numa distância que jamais será superada.

João Branco disse...

Gicas, gostei do teu comment. E eu continuo na minha. A palavra amor dita, hoje, significa quase-nada. O amor sentido, realmente, esse sim, é pleno, absoluto e uno, para o ser. Não o sendo, será uma outra coisa, mas amor não é.

Alex disse...

Mas será doença ou quê? E pelos vistos contagiosa. Há ainda quem insista em achar que o Amor é um "animal raro"? Que treta! Que amor é esse que estão para aí a falar? Alô!!!
1- Do que é que falamos quando falamos de Amor?
2- Há ou não um sentido restrito, e um sentido lato para o Amor?
3- José Luis Peixoto escreveu uma obra extraordinária de AMOR FILIAL: "MORRESTE-ME"!
4- Há quem diga Amor, e eu teimo em ouvir Prisão! Porque será? Surdez? Estupidez natural?
5- Regressa Ovídio que estás perdoado!

ZC

João Branco disse...

ZCunha, tudo bem. Mas nao entendo essa dificuldade em admitir que a palavra Amor está hoje totalmente banalizada, descontextualizada, amarrada, vandalizada. Falou-se disso aqui por altura do Dia dos Namorados. Basta ouvir as letras de zouke love ou da música (dita) romântica brasileira!!! Não entendo porque é tão complicado admitir isto.

Para mim, a melhor definição de amor continua a ser a que nos deixou Camões na sua estrofe mais famosa. Está lá tudo.

O ponto 1, dará uma optima cafeana para continuar a conversar sobre estes assuntos. Um destes dias...

Kaustika disse...

O AMOR ... ora bem. Aqui está uma palavra polémica.
Para começar todos falam e 75% nem sabe o que é.
A maior parte descobre a palavra em poemas e como esta se associa a romance há que utilizar com abundancia.
Passando da palavra ao sentimento -sim porque AMOR sente-se e demonstra-se e então é nesta etapa que surgem as complicaçoes - AMOR passa a estar directamente ligado a RESPONSABILIDADE, CONFIANÇA, RESPEITO, ORGULHO, CIUME, SAUDADE, e toda uma vasta lista de sensaçoes que o pseudo ser-humano adulto nao gosta de assumir porque pode parecer sinal de fraqueza.
O AMOR é matemática pura: se somar ou multiplicar ele aumenta e se subtrair ou dividir ele diminui.
Sabem fazer contas ??
A Matemática sempre foi um problema.