Obrigado Abraão Vicente

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Obrigado Abraão Vicente

Mais conhecido como figura da televisão e pelos óculos vermelhos, Abraão Vicente criou, logo à partida, alguns (muitos?) anti-corpos. Meteu-se em polémicas, algumas estereis e desnecessárias, outras pertinentes e que, no mínimo, serviram para a discussão de alguns assuntos tabus. Sobre este Abraão, poderemos falar numa outra ocasião. Mas é ao Abraão que procura um caminho na expressão artística que dirijo o meu agradecimento.

Não sou crítico de artes plásticas. O que tenho, apenas, é a minha própria sensibilidade. O gostar ou o não gostar. O sentir ou o não sentir. Já não gostei de algumas obras do Abraão, de outras gosto bastante e interessa-me, sobretudo, esta sensação boa que estamos perante uma pessoa que não quer impor, de forma quase desesperada, um lugar na galeria dos artistas plásticos cabo-verdianos, mas apenas que busca, experimenta, erra, acerta e, atento ao mundo que o rodeia, busca uma identidade para a sua expressão plástica. Ou seja, que faz o seu caminho.

A melhor solução, antes de dizer seja o que fôr, talvez seja ver. O Abraão tem um local onde mostra os seus trabalhos, de uma forma corajosa, porque está tudo ali, à mão de semear. Sujeito a críticas, comentários, análises. Não se esconde. Só isso é um bom sinal. Vão ver aqui. E depois digam de vossa justiça.

O trabalho que ilustra este pequeno agradecimento, da série intulada «Lém di li» já está emoldurado e assinado pelo autor. E fica tão bem, ali, naquela parede da minha casa. Obrigado.




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4 comentários:

Alex disse...

A obra do Abraão já merece neste momento mais do que um simples gosto ou não gosto. Merece uma análise critica séria. Para isso é preciso mais do que um simples olhar através de um ecran o que nos é mostrado. Tanto mais que a reprodução de arte pode ser muito enganadora. Mais do que não dispensar o ver, a abordagem crítica não dispensa o ESTAR com as obras, e até com o autor. De contrário, seria pouco mais do que espreitar. Informações precisam-se. Já o disse ao Abraão.
No entanto o teu texto, emotivo qb, tem algumas perplexidades que convém esclarecer.
1- Não entendi muito bem essa de não querer impor-se de forma quase desesperada, APENAS busca... o seu caminho. Meu caro esse "apenas" é o que todos fazem. Ou não?
2- O Abraão mostra de forma corajosa... ??? Mostrar, apenas mostrar não chega? Corajosa porquê? Por que carga d´água? É o que faz o Mito, há muito tempo; o Domingos Luisa também faz isso (só a título de ex., não sou minimamente apreciador); há um Site com trabalhos de alguns 'Rabelados' (muito interessante); e não sei se haverá mais artistas a mostrar os seus trabalhos.
A única coisa 'corajosa' que encontro na 'galeria' do Abraão é achar que ela deveria ser muito mais cuidada. As obras merecem outra atenção. Falo como é óbvio, como visitante 'irritado' e frustrado. Mas também como apreciador rendido. O que só acentua a frustração. Sou um incondicional de tudo o que ele faz? De modo algum! Como sabes não sou beato de nada, nem de ninguém! Poderia desatar a escrevre sobre duas das séries que mais aprecio, mais alguns trabalhos avulsos de que gosto, por pura paixão visual. A mesma que me desperta os trabalhos do Tchalé ou do Mito.
Sinceramente já não vejo o Abraão como alguém à procura de um caminho (como se fosse um neófito), porque alguns trabalhos/séries já demonstram aquela maturidade escorada em segurança técnica, ousadia estética, e a conciência clara do que pretende, e se persegue como artista. Há uma marca expressiva nítida que o distingue de outros pintores cabo-verdianos, e que colocam a sua pintura em contacto (consciente ou inconsciente), em diálogo com alguns autores e linguagens contemporaneos de relevo (ele sabe-o). Mas, lá está, como nos faltam os fundamentais da sua arte, alguns elementos, como p.ex. datas, técnicas, referencias, suportes, o seu pensamento, um pouco como fazem alguns mestres espanhóis que ele conhece e é apreciador, p.ex. o Antoni Tapiés, de entre outros referenciais. Sem isso nunca seria um trabalho sério. Tenho muita pena. Espero um dia poder ver alguns destes trabalhos in-loco, e poder trocar algumas impressões com o autor. Ai sim sentir-me-ei um pouco mais à vontade para fazer algo que, eu sei, me dará um grande prazer. Até lá... bem, até lá é-me irrelevante dizer gosto ou não gosto. Aí sim estaria a minorar, diminuir algo que merece outro discurso e outra abordagem. O artista plástico merece muito mais do que o bloguer nos dá. Mas isso é lá com ele.
1 gr Ab
ZCunha

Unknown disse...

Helas! Eu já estava à espera de uma «rebencada» destas, mas pronto, é por isso que me dá tanto gosto que venhas tomar este café sempre com alguma coisa para dizer, porque a mais valia da tua participação neste estabelecimento é-me muito preciosa.

Tens razão em muita coisa, noutra parte preciso de me explicar melhor. Aliás, começas com uma constatação que explica muita coisa: «um texto emotivo qb». Já deves ter reparado, escrevo quase sempre assim, à flor da pele, e muitas vezes ou sou mal interpretado ou então, não me consegui explicar bem. Ah, ou então, terceira hipotese, estou definitivamente errado, o que não é tão raro quanto isso.

Que isto não te soe a falsa modéstia. Eu entendo muito pouco de artes plásticas, da sua história, estéticas, sociologias, produtores, correntes, etc. Tenho feito o meu estudo auto-didacta mas é manifestamente pouco para entrar em conversas mais aprofundadas, muito menos para avalizar ou analisar a obra de alguém como o Abraão (podia ser qualquer outro). A minha percepção é de gosto mesmo, ou gosto ou não gosto. É puramente sensorial, muito pouco racional. Não diminui a obra, apenas quem a observa. Naturalmente. Mas continuo a aprender. Que a obra de Abraão merece uma análise critica séria, merece-a sem dúvida! Mas não sou eu que a vou fazer. Não estou habilitado para isso.

A resposta à pergunta 1 é fácil, com uma constatação: a grande maioria das pessoas que se intitulam «artistas plásticos» em CV não o são. São artesãos. Gente bem intencionada que tem «algum jeito para a coisa». Mas no entanto, já assisti inúmeras vezes a entrevistas, exposições, montras de desenhos de pessoal que de imediato sobe ao pedestal da galeria nacional dos artistas plásticos... Como se isso fosse possivel assim, sem mais nem menos! O termo «apenas» era uma ironia, como é obvio. Ou seja, o Abraão não se preocupa, que eu saiba, em se classificar perante os outros de «artista plástico». Está a buscar o seu caminho, a sua identidade.

Não é o que todos fazem. Muitos ficam-se, não evoluem, não querem evoluir, ou pior do que isso, estou supremamente convencidos que não tem que evoluir. É lá com eles.

Em relação ao mostrar, em CV é uma minoria clara aquela que coloca os seus trabalhos disponiveis na net para apreciação. Eu continuo a achar isso um acto de coragem, como o é qualquer demonstraçao publica de uma obra de arte. Vem do dentro mais dentro, e sai para fora. Como um parto. E como se sabe, não há partos sem dôr. E não há dôr sem coragem.

Abraço

P.S. Estive em casa do Abraão, vi as obras dele no atelier caótico e continuo convencido que ele, enquanto produtor de obra estética, ainda está à procura de um caminho. E não é assim que devem estar todos os que fazem da arte uma forma de vida?

Anónimo disse...

Nao conheco a arte do Abraao mas gostei desse quadro que mostras.
Ouco o batuke e sinto o movimento das "caderas". Vou ver mais.

Sara

Unknown disse...

É isso mesmo, Sara. Vai ver que vale a pena!