Dois Cafés Curtos

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1. Por incrível que pareça, cada vez temos mais provas da tão falada «inserção de Cabo Verde na economia mundial». É que, por causa da anunciada «crise do arroz», lá para os lados da Ásia, os nossos comerciantes não perderam tempo: um quilo de arroz custa hoje bastante mais do que há 15 dias atrás. Na Libéria, por exemplo, devido ao preço do arroz, já estão a mudar para as massas e a aprender como se come spaghetti com um garfo. Por aqui, já há quem esteja a reservar o seu stock comercial ou familiar, não vá o Diabo tecê-las;

2. Segundo nos relata o Semana on line, a estreia do filme «A Ilha dos Escravos», rodada parte em Cabo Verde, foi bastante atribulada. O problema foi que no chamado (e ainda) Auditório Nacional, não havia forma de colocar o projector de película a funcionar e depois de muitas paragens, resolveu-se optar pela solução universal, projectar a cópia, em formato DVD, tendo a qualidade do som e imagem ficado comprometida. «Não obstante as várias tentativas de reparar a falha técnica, o filme teve que ser interrompido por diversas vezes e, não obstante os pedidos de desculpa por parte da produção, a maior parte da plateia preferiu retirar-se.» Isto até seria um pequeno fait-divers, não estivessemos nós a falar do Auditório Nacional, na capital de Cabo Verde.




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6 comentários:

Sanpadjud disse...

Anunciada??????? A crise dos cereais e o aumento mundial dos preços dos alimentos - seja a explicação o desvio destes alimentos para a bioenergia ou não - é uma realidade que tem já consequências graves em muitos países. Lá para os lados da Ásia são apenas os maiores produtores que decidiram parar de exportar...

João Branco disse...

Não falei nem da «crise dos cereais» nem do «aumento mundial dos preços dos alimentos», mas sim do caso especifico do arroz, que está a provocar enorme agitação em alguns mercados, nomeadamente no mindelense...

Sanpadjud disse...

Ooops. Desculpa João por esta terrível mania de generalizar. O arroz então: o tal que já levou vários países a suspender as exportações. Caso da China, do Egipto, do Vietname e da Índia que representam um terço das exportações mundiais de arroz,esquecendo a Tailândia o 1º.
No Vietname, os produtores foram proibidos de assinar contratos de exportação posteriores a Junho enquanto o Egipto pura e simplesmente baniu as exportações, desde Outubro de 2007. O governo chinês, por seu turno, decidiu aplicar uma taxa extra de 5% aos produtores que quiserem exportar o cereal. Nos últimos dias o Brasil anunciou a suspensão temporária das exportações.
Como resultado o preço do arroz tem atingido valores recorde e as reservas mundiais estão em risco de colapso.
Em muitas zonas do mundo o quadro é muito grave, os aumentos de preços são incomportáveis para milhões de pessoas. O Banco Mundial alertou para o perigo de problemas sociais em mais de 30 países.
No Haiti, no início do mês, o aumento dos preços do arroz provocou violentas manifestações, nas Filipinas, temiam-se tensões nos bairros pobres e o exército distribuiu arroz, no Sri Lanka o governo, na semana passada, enviou a polícia para apreender o arroz açambarcado pelos próprios produtores.
E por aí adiante. Por isso a interrogação “anunciada??”. Pois que de realidade que já nos afecta pelo simples facto de sermos importadores (ou inseridos de há muito) se trata.
É preocupante e temo os reflexos...

João Branco disse...

Olha, nada como ter clientes bem informados. Isto, claro, sem qualquer tipo de ironia. Mas parece-me certo que a chamada «crise do arroz» só recentemente saltou para os escaparates da comunicação social. Pelo menos, está a ser agora mais falado, comentado e noticiado do que há meses atrás. E aqui no Mindelo, a verdade é que os preços do arroz aumentaram já como resultado dessas noticias. Daí ter publicado este «café curto». Mas obrigado pelos esclarecimentos. A situação é, realmente, extremamente preocupante. Um abraço fraterno.

Alex disse...

Belo comment "sanpadjud". É sempre pouco falar destas coisas. E vivam, a sociedade de consumo, o capitalismo selvagem, o mercado aberto (para alguns). Não tarde muito estaremos a abastecer de alguns cerais básicos não nos supermercados, ou nas cearias, mas nas ESTAÇÕES DE SERVIÇO.
- Olhe, são 20 Litros de gasóleo e 5 Kg de Arroz malandrinho!
E vamos lá a ver o preço de um e de outro. Ficção? Hope so!
ZC

João Branco disse...

Infelizmente, parece-me que estamos mais próximos desse cenário do que seria suposto. É o mundo que temos...