Perguntas Cafeanas

22 Comments



Não têm saudades (ou curiosidade, não tendo passado por isso) daquelas manifs, em que se gritava palavras de ordem como «25 de Abril Sempre, Fascismo Nunca mais» ou «o Povo Unido Jamais Será Vencido» de braço no ar e punho cerrado?


À melhor resposta, ofereço um café




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22 comentários:

Kuskas disse...

Curiosidade tenho sim (nasci depois de 1975). E tenho saudades do meu tempo de estudante em que participei em duas manifestações e como consequencia de ter participado em uma delas foi ter gramado alguns meses sem a bolsa de estudos (para aprender a não desconversar)....

uma vez um professor meu disse que era impressionante a passividade da classe estudantil do pais onde estudei, pois em se tratando de um pais onde (havia/ainda há) muito a ser conquistado e reivindicar, os estudantes agiam como se fossem dos paises nordicos onde a pop já conquistou tudo....

Anónimo disse...

Saudades muitas...
Tentem entrar no endereço abaixo.

http://www.youtube.com/watch?v=ryXJczjLAVE&eurl=http://lavelha.blogspot.com/

Foi bonita a festa, pá!

Hiena (falling down) disse...

sim,conconcordo, mas entretanto tcheka nha ultimo post , depois dzê qualquer coza(trata-se de Scarlett) eh eh eh

Catarina disse...

imennnnnnnnsasssssssss!

25 de Abril, SEMPRE!

Sisi disse...

Ontem tive o prazer de assistir, numa escola, um grupo de crianças cantando o "Grândola, Vila Morena" de José Afonso, e confesso que fiquei bastante curiosa em ouvir aquela música no seu contexto original. É que as crianças cantaram-na de forma tão sentida, que dava mesmo gosto de ouvir.

João Branco disse...

Kuskas,sem bolsa por causa disso. Já nos anos 90? Porra?! Tiraste o curso na China ou na Arábia Saudita, ou foi num país dito «civilizado»?

Anónimo: pena termos que usar o passado, como «foi bonita...»

Hiena: vou lá, sim. Aliás, un ta ba lá tud sant dia. kond bo tiver k'el tal processo na tribunal, un ta voluntariá, desde já, pa sê bo testemunha de defesa!

Catarina: sempre!

Sisi: é bom saber que nalguns locais se cultivam certos valores.

Anónimo disse...

Puxa João, é das coisas que tenho mais pena...não ter vivido os tempos da revolução, os tempos das causas claramente definidas...a minha geração, dos filhos de Abril, só usufrui dos benefícios.

Até hoje delicio-me a ouvir história(s) de pessoas que viveram intensamente aqueles tempos...ao ponto de ter saudades de uma coisa que só vivi no útero da minha mãe lá pelos 3 meses de gestação.

Obrigada pelos cafés revolucionários, para que a memória continue viva, sempre!

catarina Cardoso

Anónimo disse...

João

Lembrava-me do "Povo Unido..." e veio-me logo à memoria outra melodia que as crianças cantavam muito no pós 25 de Abril:

Uma gaivota voava voava
asas ao vento coração no ar(?) como ela, somos livres, somos livres de...

Aposto que não te lembravas desta... :) Gato Esteves.

Kuskas disse...

João, eu era bolseira do nosso querido estado de Cabo Verde:)

Mas ter passado todos aqueles meses sem bolsa só me fizeram virar mais "revolucionária" ainda ...

João Branco disse...

Catarina, hoje que parece que está tudo conquistado é que o mundo está mais perigoso. Estamos a entrar em velocidade de cruzeiro no «Maravilhoso Mundo Novo» de Huxley, e vejo poucos a lutar contra isso...

Gato Esteves: então não! Lembro-me do repertório todo dessa época, pá. Dessa música até me lembro das imagens que a acompanhavam na TV, ainda a preto e branco. Uma gaivota, claro, esvoaçando...

Kuskas, espero que não percas esse teu espírito revolucionária. Estamos a precisar!

odair disse...

Confesso João que tenho muita curiosidade sobre o 25 Abril, bem como, tenho do 05 Julho. Facto de não os ter vivido. Nasci depois destas datas.

Fiquei com o bichinho da curiosidade, e procuro continuamente saber mais e mais sobre elas sempre que posso, e, ainda hoje existem muita coisa, muitos segredos, pequenas estorias por se desvendar sobre elas.

Dependendo do nosso ângulo, o ponto de partida há sempre um aspecto novo a acrescentar, e a rádio e a televisão permitem fazer peças fantásticas.

Ontem, na RTP2 assisti a um documentário sobre o 25 Abril e o movimento de libertação da Guine e Cabo verde, com o testemunho vivo de alguns combatentes, fiquei impressionado com os relatos, de quem teve que passar por muitas privações e dificuldades ao longo da guerra colonial, e que hoje sente que ela não se justificava.

As novas gerações pouco ou quase pouco sabem sobre essas duas revoluções que marcaram Portugal e Cabo Verde.

Abraç tds

Anónimo disse...

Esta é uma pergunta difícil. Por um lado a nostalgia que estes sentimentos de união trazem, por outro o facto de vivermos em tempos relativamente calmos sempre é bom. Os que vivem em tempos de paz anseiam por tempos onde podem por a prova o seu heroismo e coragem e os que vivem em tempos de guerra anseiam pela paz. Eu que nasçi em 85 deixo aqui o meu agradecimento por aqueles que lutaram com coragem quer tenham usado armas ou palavras. Para os da minha geração deixo esta ideia: por todo o mundo (começando pelo nosso CV) há ainda causas que merecem ser defendidas e pessoas que esperam ser libertadas das mais diversas formas de opressão. Somos jovens, temos o dever de não fechar os olhos para as injustiças e o direito de lutar pelas gerações vindouras. Não olhem apenas para o passado, o presente está aqui!
VT

João Branco disse...

Odair, infelizmente, fala-se e estuda-se muito pouco, tanto duma como doutra.

VT: muito interessante, o teu comment. Esse é o grande problema d'hoje: aparentemente há falta de causas. Mas como estamos enganados! Praticamente todos os dias, em frente do nosso nariz, acontecem coisas que deveriam provocar a nossa indignação, a nossa reacção, a nossa participação. Existe em Cabo Verde um enorme défice de cidadania e uma das razões é porque a malta não se está para chatear. As duas coisas estão ligadas: se as gerações mais novas soubesses e conhecessem bem a história, os sacrificios monumentais que foram feitos para que pudessemos ter chegado onde chegamos, talvez não lavassem as mãos com tanta facilidade.

Anónimo disse...

Bem Jõao concordo com a parte do défice de cidadania quanto a parte de que o conhecimento dos sacrificios levaria à acção tenho de discordar em parte. Nota bem que os da minha geração podem não conhecer as antigas lutas mas então e os nossos pais? Afinal este é tanto o tempo deles como o nossos! Será que estes não deviam incintar tanto os filhos como os amigos para não aceitarem as injustiças de animo leve já que eles sofreram na pele uma luta pela liberdade? Ou será que exactamente por saberem o que tem a perder preferem ficar impávidos e serenos? A verdade é que quando alguém nos seus 20 anos resolve por mãos a obra para lutar contra coisas que precisam de mudanças as pimeiras pessoas a tentar dissuadi-lo são os mesmos queridos papás que o acusam de falta de garra e coragem! E mesmo que afirmemos a nossa independecia atingida aos 18 anitos a verdade é que (felizmente) a palavra dos pais ainda tem o seu peso. Por tudo isso acho que o alerta da falta de cidadania fica para todos : antes e pós 1975.


Agora um aparte, estou a ficar totalmente viciada neste café margoso. Este blog é sem duvida a melhor forma de matar as saudades de Soncent a partir de Lisboa.
VT

João Branco disse...

Tens toda a razão, VT, todos somos poucos. Mas é um mistério, esta inércia, ainda mais quando estamos numa era em que são criadas universidades a uma rapidez impressionante em Cabo Verde, sendo que uma das funções das universidades é precisamente servir de polo central de reflexão, debate, cidadania, de tudo o que diz respeito à nossa sociedade. No seguimento de um comment do ZCunha num outro blogue, a próxima Pergunta Cafeana vai ser sobre este assunto. Sempre é uma forma de continuarmos a conversar - e tentar entender - sobre este assunto.

Quanto ao «vicio», pois, parece que não és a única. Mas a cafeína vicia, ao que se diz. Mas eu não tenho nada a ver com isso... é pura quimica! hehe Abraço

Alex disse...

1- João, acho que os Bloguistas deviam ler-se, e citar-se, e recomendar-se, mais do que fazem. Só assim conseguiremos criar uma rede no sentido mais fértil do termo. Criarmos pontes de afecto, lugares de partilha, espaços amplos de diálogos cruzados. O desejável espaço público (aquele onde os debates se interiorizam e depois se devolvem à vida púbica) onde a cidadania também se constrói activamente. Só assim iremos mais longe. A coisa pode melhorar muito.
2- Saudades não! Tanto aí em Cabo Verde (1974), como cá em Portugal (1975...PREC) aconteceram coisas bonitas, exaltantes (os sonhos desceram às ruas dizia-se), mas também coisas feias e duras. Saudades? Não! Hoje não é tempo para a saudade, mas tempo de reflexão. Depois, apanhar os cacos e ... seguir em frente!
Não te esqueças que sou filho/herdeiro de PUXIM!
Abçs
ZC

João Branco disse...

1. Concordo (mas a que propósito veio isso, no contexto desta cafeana?)

2. Reflexão, claro. Mas falta muita acçao aos tempos modernos! Digo eu...

neulopes disse...

Nasci em 71 e antes de completar o meu primeiro ano de estadia neste planeta (não pela primeira vez, acreditem) viajei para Angola com aminha saudosa mãezinha. Só regressei a Cabo Verde após a Independência. Não vivi a época colonial, não vivi a luta pela independência. Vivi, na minha infância, parte de uma guerra num país estrangeiro, onde o nome de Savimbi era símbolo de terror. Mas adorava as músicas revolucionárias angolanas e ouvia muita música de Cabo Verde. Nem sequer sabia que muitas dessas músicas eram compostas pelo meu próprio pai. Mas sempre me senti um artista e alguém com certas curiosidades. Lembro-me bem que minha música preferida era "Pomba" cantada pelo Bana. Lembro-me também, a uma certa altura de ter ouvido minha mãe e meus tios comentarem sobre a revolução, sobre o 25 de Abril, sobre a Independência Nacional e sobre uma tal Amilcar Cabral. Quando cheguei a Mindelo encontrei um ambiente diferente e estranho, com uma língua que me era estranha, e depois, com certas manifestações com vivas e gritos de ordem. A que nunca me esqueci e que mais saudades tenho é "As crianças são as flores da nossa revolução". Esses momentos deixaram de existir, fala-se menos de Cabral nas escolas, não se fala praticamente nada dos homens que suaram, se feriram e verteram sangue por o que somos neste momento. Afinal a história deste país não começou com a democracia. Começou com coisas boas e más, com coisas que deviam e outras que não deviam ser feitas. Os meus filhos sabem algumas coisas que eu vou lhes informando, na minha pouca, mas humilde ignorância. Numa época em que a nossa juventude menos se preocupa com esses valores, que menos respeita aos mais velhos e em que nós os pais estamos demasiadamente ocupados para dar a volta à situação, sinto ainda mais saudades dalguns desses momentos. Será que esses valores históricos deixaram de fazer parte do que somos? Será necessário que os mass-media nacionais, que pouco fazem, têm que ser os únicos a ter um papel preponderante? Tenho ainda muitas saudades dos momentos que ficava na nossa sala com meu pai a ouvir Bana, Titina, Quês Môce, Voz de Cabo Verde, e outros mais, fazendo-lhe algumas perguntas sobre as letras, e sem pôr em causa o facto dos cabo-verdianos saberem ou não fazer música. Não nos esqueçamos que "as crianças são as flores da nossa revolução", "da nossa evolução" mas que essa revolução é nosso papel.
Por o que aprendi, agradeço a Deus, aos meus professores, à minha mãezinha, aos meus avós, aos senhores de idade com quem muito falava e muito mais, mesmo muito ainda à pessoa do Manuel d'Novas.

Abraços

João Branco disse...

Olha que belo, o testemunho do Neu Lopes! Bali, NL!

Alex disse...

1. Concordo (mas a que propósito veio isso, no contexto desta cafeana?)
A propósito desta tua referência

"No seguimento de um comment do ZCunha num outro blogue"

Quis apenas dizer que os bloguistas deveriam recomendar-se mais uns aos outros. É pena ver alguns temas a morrer à mingua de comment's.
Só isso.
ZC

João Branco disse...

Entendido!

Kaustika disse...

Saudades porquê?
Na altura tinha oito anos. Acredita que com essa idade ver o que vi (e foi uma revoluçao de cravos) nao me deixa saudades nenhumas.
O objectivo foi atingido.
O Sossego e a Paz não têm preço.