Café Cinematográfico

13 Comments



Pronto! Vem aí polémica... Oh Captain, my captain! Este é um daqueles filmes que muitos podem considerar lamechas, insuportável, impregnado de clichês e outros qualificativos pouco abonatórios. Mas pronto, não me interessa! Carpe Diem, eu confesso que adorei, já o vi vezes sem conta e gosto de mostrá-lo aos meus alunos de teatro.

Por várias razões: a exploração da poesia como se fosse algo proíbido, o método de ensino que começa, num primeiro momento, por mandar os alunos rasgar os manuais oficiais, as reuniões secretas em grutas nocturnas, a melhor interpretação que se cohece do Robin Williams no papel do «liberal» professor de inglês John Keating, as leituras dos poemas de Shakespeare («Shakespeare não é chato!»), a trepidante cena final com os alunos desafiando a autoridade subindo em cima das carteiras. Claro que no meio de tudo isto há, como tem que ser naquela indústria, o Bom, o Mau e o Vilão, mas o que me importa se este filme mexeu comigo?

O Clube dos Poetas Mortos é um filme de Peter Weir, um realizador que nem aprecio particularmente. Corre o ano de 1959, quando na capela da Academia Welton (E.U.A.) o reitor preside a cerimónia de abertura do novo ano lectivo. Trata-se de uma instituição privada que acolhe jovens rapazes de famílias abastadas com o intuito de lhes ensinar o se entendia por «Tradição», «Honra», «Disciplina» e «Excelência».

Robin Williams tem uma interpretação notável, representando com convicção um professor que todos nós certamente gostaríamos de ter tido (no meu caso, o professor que eu gostaria de ter sido): alguém capaz de olhar para além dos limites pré-estabelecidos com que os mais variados temas nos são tradicionalmente apresentados. Todos estes aspectos combinam-se numa lição de vida, de humanismo, ao som da inesquecível música de Maurice Jarre. O Clube dos Poetas Mortos é um filme que ou se ama ou se odeia. Eu amei. Oh Captain, my Captain!




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13 comentários:

Kuskas disse...

Olá João
Eu já vi este filme vezes sem conta e de todas as vezes fiquei maravilhada. Adoro o Robin Williams e neste filme ele esteve fabuloso.( já deves ter assistido ao BOm dia Vietnam pois não? se ainda não assista).
Sabias que o Clube dos Poetas Mortos foi proibido durante um tempo de passar na TV Brasileira? É que cada vez que passava na Globo ou outra TV, vários adolescentes de suicidavam. Foi depois de ter assistido ao filme (dublado) em uma noite de quarta feira, é que descobri que a cidade onde estudei no Brasil era a 2ª cidade em numero de suicidios de adolescentes no BR....

gicas disse...

João do que te foste lembrar?
Eu amei esse filme...e sim chorei, mas acima de tudo com a minha tenra idade da altura (à volta de 14 aninhos) consegui captar todo o humanismo, o quebrar de barreiras, horizontes estabelecidos por uma realidade que "sufoca e comanda", a amizade mas, sobretudo, o sentido de liberdade essa liberdade que todos buscamos, mas que raros encontram.

Confesso que deixaste em mim o desejo de rever "oh Captain, my captain".

Ah, é verdade. Sim é lamechas, mas é um bom filme "lamechas"

Gicas

João Branco disse...

Não sabia dessa história, Kuskas. Impressionante. Os senhores que proibiram este filme, podem ser muita coisa, agora de inteligentes, têm muito pouco!

Kuskas disse...

Por acaso foi um grupo de pais que fez uma apelação ao Supremo Tribunal Federal, no sentido de disciplinar a veiculação deste filme, alegando que o mesmo era o culpado pelos suicidios dos adolescentes que aconteciam sempre depois que era transmitido.
E como sabes os tribunais do Brasil quando querem são pelo Cumprimento da Moral e dos Bons Custumes e pelo BEM ESTAR familiar ....

João Branco disse...

Quando vi esse filme, fiquei muito impressionado. Mais ainda porque não nutro especial admiração nem pelo actor principal nem pelo realizador. Ou seja, não sou suspeito para dizer bem deste filme. Hehehe

Anónimo disse...

Grande filme, sim senhor! Lembrei-me de outro tb excelente, mas mais antigo - "Os amigos de Alex" - Alguém viu?

Matilde disse...

coincidência, J.Uaiti, há dias assisti a este filme outra vez... lindo. bjs, saudades, Kumá Mats

João Branco disse...

Xii, «Os amigos de Alex». Esse merece um post próprio. Brevemente, num café perto de si!

Matilde: não há coincidências, sempre me disseram. Isto só pode querer dizer, que tens que aparecer aqui no Margoso mais vezes! Beijos

Alex disse...

Um filme interessante sim senhor. Mas merece um pouco mais de debate.

1- Essa de rasgar livros não tem o seu QUÊ de fogueira inquisitorial, ou da 'noite de cristal', ou das mulheres queimarem soutien's, ou...? Rasgar livros? E logo o Dr. Jhonson que ensinou gerações? E voces aprovam? Nem o Whitman consentiria nessa imolação. Uma das grandes injustiças e contradições do filme.
2- O Robin Williams, versátil sem dúvida, mas um tanto cabotino, brilhou sim senhor no "Bom Dia Vietnam". Muito melhor do que aqui.
3- Toda a gente passou a usar 'Carpe Diem' (o que sempre é qq coisa), tal como 'Quid pro Quo' depois do Silêncio dos Inocentes, não é verdade Clarisse? Não consta que tenha havido qq contágio para a leitura de poesia.
3- Os Amigos de Alex, é outra loiça. Misturar pechisbeque com faiança não dá. Kasdan é brilhante. Caramba, com aquele naipe de actores até eu faria um filme razoável. E aquela banda sonora? Antológica!
4- APELO: Com filme ou se filme, leiam o Whitman. Nunca estes tempos conturbados estiveram tão carentes de uma voz como a dele, e de uma alma tão iluminada.

ZC

João Branco disse...

ZCunha, ele por acaso só mandou rasgar as páginas da introdução onde se media a «qualidade literária» de um poema através de um grafico com duas variáveis. Alias, a cena do filme que retrata isso até que tem piada. Portanto, não me parece nada que tenha sido num espirito inquisitório, muito pelo contrário.

Quanto às frases que ficam, pois ficam, mas a «culpa» nao é dos filmes, pois não? Aliás, citas «O Silêncio dos Inocentes», uma obra-prima, na minha modesta opinião.

Quanto ao resto do comment, deixemos os teus amigos (os do Alex) para um próximo post e fiquemos com esse belo conselho de ler, ou reler, Whitman.

Alex disse...

João, SÓ? Só mandou rasgar...
Que SÓ mais perigoso!

É mesmo uma obra prima João. Ainda me lembro quando o filme foi estreado cá e pouco depois era retirado do écran. Fiquei boquiaberto. Depois dos Óscar's (era 1991 e o filme ganhou quase tudo o que havia para ganhar, Óscares, Urso em Berlim, British Academy Awards, Associação dos Críticos de NY, Globos de Ouro), regressou em força, e aí já toda a gente achou genial. Um dos aspectos geniais do filme, é que nenhum dos Grandes actores que lá estão precisavam daquele filme para ganhar notoriedade (Jodie Foster, Anthony Hopkins, Scott Glenn. Só Ted Levine nesse magnífico e assutador
Jame 'Buffalo Bill' não me dizia nada). Todos eles já eram grandes. E no entanto é vê-los a brilhar construindo personagens difíceis de esquecer, o olhar de Jonathan Demme brilhante a levar-nos pela mão, quais innocent lamb's, on tour por esse mundo fascinante e terrador da psicopatologia, onde as mentes perturbadas dos serial killer's brilham até queimar. Houve quase de certeza uma conjugação dos astros para este filme sair assim "quase perfeito". Cá está! Nem procurei ler o livro. Nunca mais um policial foi o mesmo. Um (meu) flme de culto. A minha filhota, que tem agora 17, não percebe a minha relutância em ver as sequelas. Para mim são simplesmente medíocres. Como diz o outro, 'Não precisava!'.

Ab
ZC

João Branco disse...

ZCunha, em relação ao «só», mais uma vez, no contexto da cena, não o achei nada de transcendente. Há por aí muitos manuais escolares que só servem para serem rasgados mesmo!

Quanto ao comentário sobre O Silêncio dos Inocentes, nada a dizer. A não ser reforçar o facto das sequelas serem intragáveis.

Alex disse...

ERRATA: Nos prémios, onde se lê 1991, leia-se 1992 para todos os indicados, menos os de Berlim e NYFCCA.