Dois Cafés Curtos

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1. O Jumento, um dos melhores blogues em língua portuguesa, cumpriu no passado dia 02 de Novembro, 5 anos a blogar. Uma meta notável para um blogue notável. Vale a pena a visita. Diariamente.

2. Foi interessante ver o «nosso» Virgilio Brandão no programa da RTP «Prós e Contras», dedicado às eleições norte-americanas. Esteve muito bem, embora não tenha conseguido disfarçar o nervosismo. Então, ilustre causídico?




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2 comentários:

Virgílio Brandão disse...

Meu amigo,
na verdade nem «estava» no sítio. E olha que até estou habituado à essas andanças da TV...

Cheguei depois da hora, pois tinha acabado de ter uma conversa com a minha mãe (que acabou de ser internada, esta manhã, no Hospital de Santa Maria para fazer uma operação muito delicada) e estava ali por mera obrigaçao de cumprir com a palavra dada (acho que acabei por provocar uma alteração no alinhamento do painel, mas é a vida...).

Sabes, pela primeira vez na vida tenho medo, medo de perder a minha mãe (acho que é ainda maior do que ela tem de morrer); mesmo sabendo que isso é a coisa mais natural do Mundo. Medo que me assombra e me faz perder toda a tranquilidade e, até, a minha capacidade de «desligar».

Ontem percebi isso, felizmente.

E pensar que sempre que descobri um medo na vida fui à sua procura e enfrentei-o. Como, por exemplo, chegar ao Brazil (este verão) e me dizerem que deveria evitar aproximar-me de uma dada Favela, pois era muita perigosa e que podia ser assaltado ou morto por lá. Entendi. A noite, vesti um fato e um polo e lá fui passear na dita favela, beber chopinho e cachaça, dançar forró e passar a noite por lá; uma noite maravilhosa! Memorável.

Poderia ter sido a última, mas não poderia deixar de lá ir. Respeito o medo, é um bom mestre e uma fonte de prazer, se controlado.

Podes pensar que isso é coisa de doido, mas não. Temos de enfrentar os nossos medos reais ou aparentes; pois só vivemos uma vez e não vale viver com medos incumbados.

E ter medo, colocar-se voluntariamente numa situação perigosa e imprevisível, é uma coisa extraordinária, muito parecido a um orgasmo. Sempre vivi assim; sempre achei que é a melhor forma de viver e que isso gera tranquilidade.

Mas este medo é diferente; não é ganho nenhum, não é apaixonante; não gera tranquilidade; é medo de perda e assombra-me não o poder controlar, não o desejar.

Acho que vou requerer o adiamento de alguns alguns julgamentos que tenho por estes dias, pois não estou com tranquilidade bastante para entrar numa sala de audiências, «desligar-me» e entrar na «outra dimensão» do meu trabalho.

E eu que me achava imune a estas coisas... que o exterior não me afectava, que não influia na minha tranquilidade. Que, mesmo sendo uma pessoa apaixonada, via e analisava tudo de forma desapaixonada. Errado.

E olha que já tive o caixão pronto - com mortalha encomendada e tudo...- por duas vezes. Assim como, em outra ocasião, me disseram que ia morrer, mas continuei a minha vida como se nada fosse - como se fosse viver mais sessenta anos; tinha mais medo que a minha mãe morresse se me acontecesse algo. E o médico estava tão errado como o dia ser noite ou uma coruja jogar basesol; mas eu não sabia isso, então.

É estranho, mas confesso que me agrada verificar isso. Verificar que, efectivamente, há coisas que me transcendem, que vão para além da forma como vejo o Mundo e a vida, coisas de que não consigo «desligar». Que há coisas que pensava controlar mas não controlo.

Se calhar vou tirar uns dias para a família e dedicar-me à minha terapia - escrever. Talvez aproveite para escrever uma hitória que borbulha na minha cabeça e para namorar, namorar muito.

Ah, escrever neste rectângulo é uma seca, mas tem a sua utilidade. E tu, João, serviste, agora, de promotor da minha terapia.

Ia apagar este comentário testamentário, mas não.

Abraço fraterno

PS: Ah, espero que logo o dia seja de boas novas nas terras do Tio Sam, pois as que tenho vindo a aperceber-me da nossa terra berdiana não são nada, mas nada boas.

João Branco disse...

Virgilio, obrigado pela partilha, gostei.

E, sabes, somos tão pequenos e minúsculos perante tudo o que existe, existiu ou existirá, que penso ser uma boa terapia ter consciência dessa mesma pequenez. Alguns conhecimentos da religião budista ou da filosfia taoista também ajudam. Já leste «a Fórmula de Deus»? Muito, muito interessante...