Quiproquó

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        uma torneira sempre a dar horas
        um relógio a pingar no lavabos
        um candelabro que morde na isca
        um descalabro de peixe no tecto

        um boticário pronto para a guerra
        um soldado vendendo remédios
        um veneno (tão mau) que não mata
        um antídoto para o suicído de um poeta

        Senhor, Senhor, que digo eu (?)
        que ando vestido pelo avesso
        e furto chapéu e roubo sapatos
        e sigo descalço e vou descoberto.

        Arménio Vieira


        Imagem: Ilustração de Franky Mang




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2 comentários:

Teatrakacia disse...

Belo!!!
Por outro lado, muitas vezes dá vontade d'isso mesmo: revolucionar, anarquisar, reverter, distorcer a ordem natural das coisas, ou simplesmente fazer de forma diferente...
Tchá

João Branco disse...

E ninguém melhor que o Arménio Vieira para retratar isso em forma de poesia, não é Tchá?