Dois Cafés Curtos

9 Comments


1. Anda a circular pela cidade um daqueles carros com colunas no tejadilho, a anunciar aos quatro ventos da cidade, os novos cursos oferecidos pela Universidade Lusófona do Mindelo. Se por natureza, a poluição sonora deste tipo de publicidade já me irrita solenemente, mais ainda quando vejo que se publicitam cursos superiores como se fosse um concerto, um concurso de misses ou uma promoção num supermercado. Uma Universidade não se promove assim, na rua, como se tivesse numa feira. Vai aos liceus, dialoga com os professores, promove acções de sensibilização e de esclarecimento junto de alunos e pais. Um mau prenúncio, digo eu.

2. Outro mau prenúncio é o jornal A Semana fechar um mês inteirinho, «para férias», assim, sem mais nem menos. Fecha e pronto! Um mês sem sair. Dantes ainda havia a Electra como justificação, os cortes, a falta de papel, etc e tal. Agora já não. A coisa é assumida de forma aberta e despreconceituosa: vai tudo descansar. Os leitores, esses, bem que podem esperar. Justamente nas férias quando há mais tempo para ler, quando o jornal devia aparecer mais gordo, com mais suplementos e motivos de interesse. Como aconteceu com o suplemento do último Expresso das Ilhas, muito interessante, sobre os dois candidatos à Presidência dos EUA.




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9 comentários:

Anónimo disse...

pois João a mim me parece que precisam de um curso de Marketing para Instituições/Educação;

nem parece que têm um curso de Comunicação a funcionar....

por exemplo, o ir às escolas secundárias, como referiste, já seria uma excelente estratégia de divulgação dos cursos e programas dos mesmos; poderiam fazer-se jornadas de porta aberta aos alunos do 11º e 12º, enfim tanta coisa...

mas não, a estratégia da poluição sonora foi o melhor que conseguiram

será porque o curso superior hoje em dia é visto aqui entre nós como um produto que se compra para satisfazer uma necessidade de status, moda... é cool dizer que estou na Universidade; logo a maneira mais cool de promover um produto cool é a adoptada pela Lusófona

alguns que estão cá de férias podem até desistir de estudar lá fora e matriculam-se na Lusófona... :) :) :)

Vânia

Anónimo disse...

Já o ano passado quando vieram entregar a carta anunciando as férias do Jornal A Semana (somos assinantes) achei um absurdo.....
como é possível?

este ano a mesma coisa....

achei uma piada à carta....

esta é uma altura em que se podia fazer mais e melhor, como referiste;

ou pelo menos se isso não os convence, poderiam pensar que venderiam mais, desde que fosse delineada uma estratégia para tal, que tivesse em conta não só seu público-alvo/clientes habituais, mas também que incluisse os que estão cá de férias;

até o radar teria mais que captar :) :)



Abraço

Vânia

João Branco disse...

Vãnia, plenamente de acordo com os dois comentários... Pena é que os cursos da lusófona podem ser optimos, mas com esta publicidade...

Sisi disse...

Queria apenas sugerir uma forma de divulgação dos cursos que ao meu ver seria muito útil e eficaz, e faço esta sugestão porque na altura que eu ia escolher o curso, eu e muitos dos meus colegas sentimos mta falta de uma orientação vocacional. Daí que, tendo a certeza que a universidade dispõe de psicólogos com competências para tal, sugeria que fizessem sessões de orientação vocacional nos liceus com alunos ñ só do 12º, mas principalmente do
10º (ano em que se tem que escolher a área tendo em conta o curso que se pretende)e aproveitar para divulgar os seus cursos. Desta forma, estariam transmitindo informações a pessoas mais conscientes do que querem e mais preparadas para uma escolha tão importante.

João Branco disse...

Precisamente, Sisi. O meu post vai inteirinho nessa tua direcção. Com o ensino não se brinca...

dutilleul disse...

Caro João Branco:

Se a publicidade gaiteira é “um mau prenúncio” (também acho) ela cumpriu a sua missão de informar. Não a lamente; em publicidade isto é designado por “efeito boomerang” (devia ser divertido de ver).

Ainda mais divertido é o que nos conta acerca de “A Semana”. Não conheço o jornal – deve ser bom porque o João lhe sente a falta – mas parece-me uma decisão muito acertada e bastante curiosa. Sinto-me tentado a confessar-lhe que, em meu entender, a maioria dos jornais portugueses deveriam seguir o exemplo de “A Semana”. Vai tudo descansar e não há sealy season para ninguém…

É precisamente por estas pequenas coisas (como a descrita em 2; a mencionada em 1 também temos) que eu acho o seu país interessante, lugar com lições de vida, país em que as pessoas têm o bom senso de não se levar excessivamente a sério, como esses simpáticos jornalistas de “A Semana”. Faça-me um favor, e dê-lhes notícia dos meus votos de felicidade.

Fique o João com as minhas saudações e com os meus parabéns aqui pelo seu magnífico café.

João Branco disse...

Gostei do teu comentário! Do contra, mas bem fundamentado... vai ser transformado em post!

Anónimo disse...

Não sei se merece a honra, mas enfim, o café é teu e o dono costuma guardar para si o direito de admissão…

Abs.

Dutilleul

Ps.: olha, já agora, acrescenta o "l" que eu me esqueci de bater ("seally" e não "sealy").

João Branco disse...

Merece, sim, pelo sentido de humor. Muito apreciado por aqui, como já deves ter reparado. Aliás, já está feito! (E a correção também).

Abraço e volta sempre