Dois Cafés Curtos

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1. Não seria mau se tentassemos aprender com o que está acontecendo com o ensino superior em Portugal. Com a liberalização das universidades, nasceram nos anos 80 e 90 múltiplas universidades privadas, a vender cursos, sonhos e diplomas. A qualidade do ensino, essa, nunca foi controlada. Hoje, o que se sabe é que, em vários casos, a única preocupação na fundação de uma instituição de ensino superior era o lucro. Depois do escândalo com a Universidade Independente, fecham mais duas privadas, a Internacional e a Moderna, por decisão do Ministério da Ciência e do Ensino Superior português, por «não reunirem as condições mínimas exigidas». Durante todo este tempo, quem perdeu foram os alunos que investiram muito do seu tempo e dinheiro na sua formação e muitos bons professores que lá davam aulas. E em Cabo Verde? Não se deveria exigir um maior cuidado? Parece-me que sim...

2. Entrou em vigor o famoso e apreciado horário único na Função Pública que deve prolongar-se até o fim deste mês. Portanto, durante este mês de Agosto a Administração Pública cabo-verdiana vai funcionar das 7 às 14h30, excepção feita aos serviços cuja natureza exigem trabalho de turno, bem como a polícia, bombeiros, hospitais e outros que, segundo o estipulado na lei, devem estar sempre de prontidão. Isto faz-me lembrar uma cronica de Geraldo Almeida em que ele falava da nossa impregnada «moleza nacional», defendendo que se devia distinguir a preguiça nacional da moleza nacional. Salvo melhor opinião, o que permite separar estes dois conceitos é o elemento vontade. A preguiça consiste na vontade dolosa de nada fazer; ao passo que a moleza traduz-se na vontade de fazer alguma coisa, yá, tudo bem, mas, devagar, com sornice, na descontra. A pressa é inimiga da perfeição. O horário único de Verão assenta como uma luva neste conceito!




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4 comentários:

Edy disse...

João,
a universidade internacional não vai fechar;apenas vai ser prbigado a mudar de estatuto.Vai deixar de ser uma universidade para ser apenas um instituto de ensino superior.Tens razão na tua preocupação com a qualidade do ensino superior em CV (principalmente nas privadas)...no fim,quem pagará a factura será sempre o estudantes...

João Branco disse...

Ok Edy, obrigado pelo esclarecimento...

Anónimo disse...

Em Cabo Verde nunca tentamos aprender com o que de mau acontece lá fora, para evitarmos cair nos mesmos erros e falácias. Infelizmente o que já fez escola aqui, é ver os erros dos outros, imaginar que a mesma situação no nosso caso irá resultar num sucesso, fazemos a asneira e depois a culpa morre solteira. Com o ensino superior esta a acontecer (e com o turismo tb). Basta só reparar nas ofertas educativas no ensino superior: todos apresentam as mesmas, num país em que as palavras de ordem deveriam ser flexibilidade, diversidade, adaptabilidade e racionalidade.
Ana

João Branco disse...

Pum, Pum! No alvo, pela segunda vez. Hoje a Ana está com uma pontaria daquelas...