Um Café com o Vazio

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Soube, pelo blogue do Amílcar Tavares (de onde saquei a ilustração do presente post) que no passado dia 23 de Agosto se celebrou o Dia Internacional da Memória do Comércio de Escravos e sua Abolição, data que marca a sublevação que teve lugar na Ilha de Santo Domingo — actuais Haiti e República Dominicana — na madrugada de 22 para 23 de agosto de 1791 e que daria início ao processo que levou à abolição do comércio transatlântico de escravos.

Tendo em conta que a Cidade Velha de Santiago conseguiu a atribuição do estatuto de Património da Humanidade há pouco mais de 2 meses devido à sua importância histórica enquanto entreposto do comércio escravocrata, mais uma vez me espanta - ainda me espanta! - o silêncio das autoridades estatais, das comissões responsáveis, dos núcleos municipais, ou seja lá o que possa existir que mantenha, vigie e promova o estatuto tão dificilmente conseguido quanto amplamente publicitado, em relação a esta data, cuja lembrança, através de múltiplas e amplas actividades, faria certamente jus ao estatuto conquistado.

Ficaria muito bem que a Cidade Velha, em Cabo Verde, pudesse ser hoje um símbolo contra as diversas formas de escravatura ainda hoje existentes um pouco por todo o mundo, como se pode ver na figura acima publicada. Como homem do teatro sempre defendi que a preservação da memória é fundamental para a criação e incremento de uma consciência histórica colectiva, mas aqui como noutros casos, o vazio de ideias e de acções é o que parece dominar a presente paisagem.




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4 comentários:

Tina disse...

São números assustadoramente escandalosos!

Afinal, o espanto que mostras em relação à omissão da celebração devida no país é o que podes alargar por osmose ao que se passa no resto do mundo. Já é uma característica (des)humana esquecer o que incomoda... Há tempos trouxeste aqui a debate a posição daquele cardeal que renegou a existência do Holocausto, não é? O Homem escraviza-se a si mesmo...

zito azevedo disse...

O que, verdadeiramente, incomoda é que estejamos a viver a tecnologia do futuro com as mentalidades da Idade Média...
Zito

Amílcar Tavares disse...

Percebeste a minha mensagem subliminar! :)

Pois é meu caro, a regra de navegar à vista torna as coisas cada vez mais difíceis.

É uma pena.

Manu Moreno disse...

Dexam manda um palavriado Djonsa:

Ela despiu-se no olho gordo do criado por nao considera-lo um Homem, tambem inumeros factos nao sucederam porque o servo era um humilde ESCRAVO e sentia-se um pouco desconcertado onde tudo era destoado ao primeiro relance e a vontade pairava no cubiculo, por instante sua Senhoria comexara a masturbar-se e era impossivel resistir o querer, porque o ESCRAVO querendo fazer crer decedira aprumar-se por ser Homem e com o vagar de momentos comexou a faze-lo por conta de outrem e mesmo assim a sua alma continuava atormentada, a sua forxa e o seu muscular africano chegara a prexisao da sumosa vagina...Findo o sexo, o ESCRAVO continuou ESCRAVO.

ManuMoreno
Kel Abxom Di Kuraxom