Declaração Cafeana

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Portugal está rodeado de lixo. O tipo de discurso, a falta de conteúdo das mensagens, a forma e o design do marketing político espalhado pelas ruas e viadutos das duas campanhas eleitorais em curso neste momento (primeiro legislativas, depois autárquicas) fazem com que a paisagem, invadida por grandes cartazes de rua, seja um pouco nauseabunda. E eu, que até me costumo auto-designar um sonho para qualquer criativo na área do marketing comercial já que qualquer anúncio de uma simples pasta de dentes me dá logo vontade de ir a correr comprar o produto, estranho a minha própria reacção: não acredito em nada do que leio nesses cartazes. Em nada.

Em Cabo Verde, o panorama não é mais animador. César Schofield escreve hoje no seu Bianda e tem toda a razão: muitos dos problemas de hoje, não tendo sido resolvidos nestas duas últimas legislaturas, tiveram a sua origem na chamada "geração da democracia" e os que preparam e sonham agora o assalto ao poder, não são, como seria natural, os novos valores, as reiteradas esperanças, os maiores cérebros do arquipélago e muito menos são o garante de que as soluções estão ali, nas mãos dos novos Messias da política cabo-verdiana. Não. Estamos perante os mesmos senhores, mas passados 10 anos. Como escreveu César a geração que hoje está entre os 20 e os 40 anos não produziu líderes políticos, o que significa que Cabo Verde está a perder algo que normalmente é vital para a sobrevivência de um país: a capacidade renovadora e regenerativa da sua classe política e dirigente.

Ver Carlos Veiga a lutar por um regresso à chefia do Governo ou um Felisberto Vieira a discursar perante as bases não me anima mesmo nada e nem penso que possam ser geradores de uma nova onda de entusiasmo e esperança, como seria natural na passagem de um ciclo político ao outro. Pelo contrário, o cenário é desolador. Não se tem conhecimento de uma ideia nova, uma proposta inovadora, uma nova forma de estar, uma atitude que seja o reflexo dos novos tempos. Quando não há mais nada para se dizer, ouvimos falar de "mudanças de paradigmas". Mas como a experiência recente nos tem demonstrado esta é daquelas expressões que, podendo significar tudo, não revela nada de novo. Onde estão os novos políticos deste país?




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11 comentários:

Lily disse...

É lixo visual ... é lixo auditivo... é uma chafordice...

Tchale Figueira disse...

Porcos em delirio... sem fantasia

e meninos de mandóde nas duas famílias. MPD PAICV... Politicos capacitados? nem vistos por um canudo.

Bostas rugindo.

daka disse...

Onde estão os políticos do nosso país? É uma boa pergunta nos tempos que correm. Mas, eu fazia outra pergunta, caso me for permitido. Mas, afinal nós temos políticos mesmo ou temos apenas personalidades que se afirma políticos por ser "chique" e da um status social?

Porque para mim a política é Cabo Verde é a mesma de há 10 ou 15 anos atrás. Nada mudou, temos o mesmo discurso e as mesmas promessas, e as pessoas, por incrível que pareça, continuam a cair nisto.

Linda disse...

JB, vendo o último comentário, e, como assidua do café, acho que, o Daka fez uma pergunta bastante interessante que poderia, se quiseres claro, originar um post interessante: onde estão os novos politicos deste pais? Linda.

zito azevedo disse...

Desculpe, meu caro, mas Portugal não está rodeado de lixo, ESTÁ INUNDADO! O cheiro é nauseabundo e, como dizia o outro "está na hora de mudar a fralda" - por motivos óbvios...
Zito

gl disse...

um Lider, seja politico, social ou de que natureza for, nao se nasce, constroi-se... assim como que um "cidadao" nao se nasce mas se constroi...
Há que investir na construçao, primeiro de um cidadao e depois de um LIDER
GL

Manu Moreno disse...

Dexam manda um palavriadu Djonsa!

-Cerebru ta produzi consciencia?
-Nau...jestu ki ta kria indipendencia!
-Ki utilidadi e' di katchor?
-Katchor ta antecipa konsikuencia
- e Ratus?
-Ratus=Politikus...!
-Tchau kode!

ManuMoreno
Kel abxom di kuraxom!!!

Anónimo disse...

Não é, de certeza, nas Juventudes partidárias, onde apenas se formatam os novos/velhos políticos.

a) RB

Sal Pimenta disse...

Olá a Todos,

Acho que quem pode fazer a diferença ainda está muito jovem para ser levado a serio por esta nossa sociedade muito pouco dada a correr riscos, e eles estão entre os novos formados dos ultimos 20 anos que não se identificam com nenhum dos 2 principais partidos.

Há-os mas eles estão embrenhados nas suas lides profissionais e não apareceu nada ainda para os chamar à luta.

Falta o catalisador: o Líder com esta visão, competência e ousadia suficiente.

Maria de Fatima disse...

Por falares em futuros lideres tenho conhecimento de um, que esta sempre no teu blog e se pensares um pouquino, ja sabes de quem estou a falar!

Maria de fatima
Bjnhos.

JB disse...

Mais ousadia, mais coragem, mais intervenção, mais consciência social e política e menos comodismo e hipocrisia. Isso é o que falta a esta nova geração. (E por onde anda ela, realmente? A curtir nos bares da moda na Praia e no Mindelo.)