Declaração Cafeana

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Anuncia-se um terramoto que ultrapassa todas as escalas existentes e cujas consequências são impossíveis de prever. Anuncia-se, com urgência, a necessidade premente de equipas de salvação de Nações amigas no intuito de salvar o pouco que possa sobreviver a tal hecatombe, recolher os cacos, os destroços, os pedaços.

Anuncie-se, pois. E nada nem ninguém pode fazer seja o que for, pois que é a natureza humana, no seu esplendor, a manifestar a sua própria razão de ser. A ser. De ser. Dos seres. Anuncia-se e ninguém parece ter nada a ver com isso. Anuncia-se a morte que vem sem aviso de recepção e nos bate à porta vestida de negro e cheirando a dor. A dor. A dor anunciada de vazios que foram feitos para não serem preenchidos. Não foram feitos e os que ficam tem a sua missão bem delineada: levam os cacos, os destroços, os pedaços. E deixam uma mão cheia de memórias que, querem-nos convencer disso, nos devem servir de consolo.

Cá está, essa é a maior mentira.


Imagem: "O Grito" de Edward Munch





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4 comentários:

Manu Moreno disse...

Pode ate ser uma ganda mentira, mas nao vi "" e nem () por isso digo escreves mta bem meu caro, embora seja nunca tive a duvida!!!

Kel abxom di kuraxom!!
ManuMoreno

Anónimo disse...

Ah, memória, inimiga mortal do meu repouso!

(Cervantes, D. Quixote)

(p.s.) Texto muito belo. Noto por aí algum desânimo?

a) RB

JB disse...

Abraço, Manu.

RB, o desânimo normal de quem viveu perdas grandes e está recuperando disso com a única arma que tem ao seu dispor: o tempo.

zito azevedo disse...

Sempre me convenci que despois do Apocalipse o Mundo se autorecíclaria, renscendo, como a Fenix...
Zito