Declaração Cafeana

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A minha cabeça está cada vez mais confusa com esta história rocambolesca da gripe dos animais. Txuk, galinha e sabe-se lá qual o bicho que vem a seguir. Os conselhos e os alarmes não param e tem eco brutal na comunicação social. O conjunto de medidas adoptadas é assustador. A última, que li hoje num online espanhol, informa que as autoridades de saúde de Espanha desaconselham as crianças a brincar ou a dormir com peluches, esses bonecos fofos que tanto gostam de ser abraçados. E por falar em abraços, parece também que se quer proibir ou pelo menos desaconselhar, numa universidade portuguesa, os estudantes a se abraçarem ou beijarem para evitar contágios e que o melhor mesmo é o pessoal se cumprimentar com uma vénia, assim tipo budistas ou japoneses, eu sei lá.

Por outro lado, dia sim dia não, recebo recorrentes e insistentes mensagens a avisar-me que os perigos e ameaças da cura são maiores que os da doença. Que as vacinas e os remédios são autênticas armas de destruição de cérebros humanos e que o mais certo é ficarmos todos maluquinhos ou mesmo irmos desta para melhor se cairmos na tentação de sermos vacinados contra estas gripes esquisitas. Isto quando não me avisam que tudo isto não passa de um esquema maquiavélico para enriquecer uns quantos ou mesmo para reduzir a população mundial.

Querem mesmo saber? Quero lá saber desta paranóia. Vou continuar a abraçar os meus amigos e amigas, como fiz com todos os que colaboraram no último festival mindelact, a oferecer ursos de peluche à minha filha, a cantar e a celebrar o amor entre os homens e se, por mero acaso, a gripe me apanhar, vou fazer uns dois chás de limão com mel e seja lá o que os deuses quiserem. Se for para ir, vou. Agora, recuso-me a estar sujeito a medidas ridículas e desumanas só compreensíveis à luz desta sociedade estupidamente hipocondríaca, assim como me recuso a entrar nesta espiral de teorias da conspiração que nunca levam a lado nenhum porque tem tanto de verdade como de mentira. Certo, certo é que hoje, mais do que nunca, Daniel Filipe tinha razão quando gritava que se tem que (re)inventar o amor com carácter de urgência.



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5 comentários:

Felina disse...

Quanto mais as máquinas se aproximam das pessoas mais as pessoas se distanciam delas próprias

zito azevedo disse...

Atençao, amigo: costuma dizer-se que as extremidades se tocam!
Zito

Tchale Figueira disse...

João não é a sociedade que é hipocondriaca, são os grandes bandidos que criam histerismo nas masas com aTV. Metem medo as pessoas de tal forma que sem pensar eles tornam-se Hipocondiriacos. E as farmaceuticas fazem incontilhões de dolares. Outra coisa são as mascaras: Vendem-se mascaras que é uma loucura. Existem milhões de pessoas infectados com SIDA mas não há uma verdadeira campanha para usarem perservativos, mas as pessoas são aconselhadas neste momento a usarem mascaras? ES PA TUDE PA FACOL!!!!!!!

Trêza disse...

...Haja lucidez! Que de resto os jornalistas andam com pouco que dizer e os jornais precisam de ser vendidos... o que agora funciona como o marqueting de qualquer outro produto: é necessário chocar para vender, e eles, chocam!
Pelo que esta postura de atirar alguma lucidez para a frente devia ser seguida por mais pessoas...

JB disse...

Sem dúvida, mas a lavagem cerebral está feita e com competência. Basta ver o conjunto espantoso de remédios que aparecem de cada vez que alguém tem uma simples dor de barriga.