Com fúria e raiva

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          Com fúria e raiva acuso o demagogo
          E o seu capitalismo das palavras

          Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
          Que de longe muito longe um povo a trouxe
          E nela pôs sua alma confiada

          De longe muito longe desde o início
          O homem soube de si pela palavra
          E nomeou a pedra a flor a água
          E tudo emergiu porque ele disse

          Com fúria e raiva acuso o demagogo
          Que se promove à sombra da palavra
          E da palavra faz poder e jogo
          E transforma as palavras em moeda
          Como se fez com o trigo e com a terra

          Sophia de Mello Breyner Andresen


          Ilustração Abraão Vicente, da série "Rompendo o silêncio"



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6 comentários:

Tchale Figueira disse...

Poema Agnetikon: forte que encaixa como uma luva neste circo e noutros por este Mundo fora.

Anónimo disse...

o demagogo que se promove à sombra da palavra...! Hum, faz-me definitivamente lembrar alguém!

a) RB

JB disse...

Tchalé, sem dúvida.

RB, há muitos, há muitos!

Manu Moreno disse...

" a incompletude e' a nossa imperfeixao"

ManuMoreno
Kel abxom di kuraxom!!

Anónimo disse...

Muito obrigada pelo poema.

moreia

zito azevedo disse...

Palavra, dom singular...
Do que somos, a metade!
É forçoso decretar
Que só a use a verdade!
Zito