Plágio 20: nha name is Hussein

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Quantas vezes, ao saber o nome de alguém, comentamos para os nossos botões: «coitado, ninguém merece!». São os brasileiros conhecidos como um dos povos mais extravagantes nesta ciência de nomear filhos e filhas e um dia destes dedicaremos um post a esta temática específica. Mas o que interessa aqui e agora é que o candidato democrata à presidência dos EUA tem Hussein no seu nome. E, claro, os seus adversários querem aproveitar esse facto e fazem-no, na sua forma bem peculiar de estar em campanha eleitorial. Rui Tavares publicou no jornal Público um texto a propósito que vale a pena ler.


Então ele escreve assim:

«Hussein é um nome árabe, diminutivo de Hassan, que significa "bom" ou "bonito". É muito popular entre os muçulmanos, por causa do neto de Maomé que tinha esse nome, mas creio que também aparece entre árabes cristãos. E é também o nome do meio do candidato democrata às presidenciais americanas. Na rádio e na televisão, nos programas da direitona americana, não há demagogo que não goste de o tratar nome completo - Barack Hussein Obama -, puxando por aquele "Hussein" do meio que denuncia a sua herança "muçulmana" e supostamente assustará os ouvintes.

(Já agora: Barack também é um nome interessante, não somente árabe, mas comum nas línguas semitas. Aparece em hebraico como Baruch, quer dizer "bendito", e pode ser traduzido como Bento ou Benedito. Espinosa, filósofo de origem portuguesa e criado na religião judaica, usava todas as alternativas: era Baruch na sinagoga, mas Bento era o "nome português" com que era tratado em casa, e Benedictus o nome latino com que assinou os seus livros.)

Eis, em resumo, como o "gajo do nome esquisito" - é assim que Obama já se apresentou por vezes aos eleitores - compartilha afinal o seu primeiro nome com o Papa Bento XVI, o segundo com Saddam ditador do Iraque, e o terceiro rima com Osama. Mas é a repetição de "Hussein" para assustar os eleitores que tem causado um certo desconforto à sua campanha, o que permitia aos seus adversários uma resposta manhosa, mas de sucesso garantido: "Então vocês têm vergonha do nome do vosso candidato?"

Recentemente, entre os apoiantes jovens de Obama, alguém se lembrou deste ovo de Colombo que é ter sentido de humor: de repente, decidiram adoptar Hussein como nome do meio, e usá-lo mesmo como alcunha para os participantes na campanha deles. Uma Emily Nordling, nórdica-luterana, aparece como "Emily Hussein Nordling", um nome irlandês-católico fica "Dan Hussein O'Malley", e um nome euro-judaico resulta em "Sarah Hussein Frumkin". A mensagem é dupla. "Não aceitamos que uma pessoa seja julgada pelo nome que calhou em sorte" é a primeira parte, mas talvez a mais importante seja a seguinte: "As vossas tácticas não nos intimidam."

No seu melhor, a campanha de Barack Obama tem demonstrado isto: que não cede às chantagens emocionais dos seus adversários.»

Via: O Jumento




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4 comentários:

Anónimo disse...

Realmente, Obama e a sua campanha são supreendentes, e têm muito que ensinar...! Por essas e por outras, eu também apoio o Obama!
AV

João Branco disse...

E a procissão ainda vai no adro...

Teatrakacia disse...

O facto da campanha do Obama, com todos os 'handicaps à partida' (cor, raça, religião, hussein pelo meio... e etc) estar onde está, já é sinal mais do que suficiente de que se está a viver um momento no mínimo singular, de viragem, histórico!
Tchá

João Branco disse...

Inshalá!