O Amor Antigo

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        O amor antigo vive de si mesmo
        não de cultivo alheio ou de presença.
        Nada exige nem pede. Nada espera,
        mas do destino não nega a sentença.

        O amor antigo tem raízes fundas,
        feitas de sofrimento e beleza
        Por aquelas mergulhas no infinito,
        e por estas suplanta a natureza

        Se em toda parte o tempo desmorona
        aquilo que foi grande e deslumbrante,
        o antigo amor, porém, nunca fenece
        e a cada dia surge mais amante.

        Mais ardente, mas pobre de esperança.
        Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
        e resplandece no seu canto obscuro,
        tanto mais velho quanto mais amor ...

        Carlos Drummond de Andrade


        Imagem: «Au Jardin du Luxembourg», de Alain Boussac




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9 comentários:

Catarina disse...

lindo...

João Branco disse...

Mesmo!

Teatrakacia disse...

a incomensurável força do amor antigo, esse amor que não morreu com o tempo e as intempéries, e que atingiu o estatuto (sem retorno)de eterno... reconhecido e eternizado de forma poética pelo Drummond de Andrade. Esse 'amor antigo' não é para qualquer um! Só para 'eleitos'... de que 'malgré moi' não faço parte.

Jorge disse...

Hola amigo: quería invitarte que visites el blog que estoy realizando con mis alumnos de segundo año de la secundaria sobre LA DISCRIMINACIÓN.
http://nodiscrimine.blogspot.com
Tema arduo e interesante.
Seguro será de tu agrado.
Tu aporte será valioso
Un abrazo desde la Argentina.

João Branco disse...

Tchá, mas olha que se eleito não é brinquedo não!

Jorge, lá iremos visitar-vos, com muito gosto.

neulopes disse...

Esse Carlos Drumond é mesmo qualquer coisa.
Muito profundo.

João Branco disse...

Sem dúvida! Ah Neu, e parabéns pela bela homenagem que fizeste ao grande Mestre da música cabo-verdiana.

Maria disse...

lindissimo
se bo mestem pa algum cosa na Mindelact dá fala:)
beijos Mr. John

João Branco disse...

Obrigado, Maria! Toda a ajuda é bem vinda sim! Kisses