Mural Nostalgia

4 Comments

«Qual ancestral fala através de mim? Eu não posso viver ao mesmo tempo com a minha cabeça e o meu corpo. Por isso não consigo ser uma só pessoa. Sou capaz de sentir infinitas coisas ao mesmo tempo. O grande mal do nosso tempo, é não haver mais grandes mestres. A estrada do nosso coração está coberta de sombras.»







«Devemos ouvir as vozes que parecem inúteis… o cérebro está cheio de coisas aprendidas na escola, no asfalto, na prática assistencial… devemos ouvir o zumbido dos insectos que entram no nosso ouvido. Precisamos encher os olhos e os ouvidos de coisas que existem no inicio de um grande sonho. Todos devem gritar para a construção de uma pirâmide… Não importa se não a construirmos! O que importa é alimentarmos os desejos!»






«Temos que esticar os cantos da alma como um lençol interminável… Se querem que o mundo siga em frente, temos de dar as mãos, misturar os chamados sãos, com os que são chamados doentes. E vocês saudáveis: o que significa a saúde? Os olhos de toda a humanidade vêem o precipício em que estamos a cair.»






«A liberdade é inútil …se não têm a coragem de nos olhar nos olhos, e de comer connosco, e de beber connosco, e de dormir connosco! Os assim chamados sãos foram os que conduziram o mundo para a catástrofe! Homem escuta! Em ti água, fogo e depois cinzas. E os ossos dentro das cinzas Os ossos e as cinzas! Onde estão, quando não estão na realidade nem na minha imaginação?»





«Faço um novo pacto com o mundo: que haja sol à noite e que neve em Agosto. Que as coisas grandes acabem e só permaneçam as coisas pequenas. A sociedade deve unir-se e não continuar fragmentada. Vamos observar a natureza, porque a vida é simples. Temos de voltar atrás, onde nós estávamos, ao ponto onde escolhemos a estrada errada. Devemos voltar às bases principais da vida sem sujar a água. Que raio de mundo é este? Se um louco tem de vos dizer, que devemos vergonha! Oh Mãe! Oh Mãe! O ar é uma coisa rápida que gira em torno da cabeça e se torna mais clara quando te ris!»

"Nostalghia", de Andrei Tarkovsky




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4 comentários:

Anónimo disse...

Na verdade A. Tarkovsky, que adoptou a poesia do pai Arseny, a música do divino Bach, as imagens de Rubliov, a herança cinematográfica russa, soube ser antes de mais um grande discípulo. Talvez por isso tenha sido um dos últimos Grandes Mestres do Cinema, assim dito, tudo em maíusculas, sem risco de banalização. O que tem faltado a este mundo, cheio de génios, ególatras ungidos, e iluminados à nascença, é a humildade dos discípulos. Mestres continuam a existir sim senhor. Discipulos é que não!
Creio eu...

JB disse...

É isso mesmo. Excelente comentário. Só tenho pena não saber quem és. Podia aprender mais ainda. Abraço.

Anónimo disse...

Pensei que tinha (ass)assinado Alex!
Ab

Anónimo disse...

Acabei de tropeçar neste mimo no "Expresso das Ilhas". Não há dúvida que o Português é uma língua traiçoeira, por isso mesmo às vezes é deliciosa. Lê:

20-3-2010
“A evacuação é um método muito burocrático” - Hélder Tavares, Nefrologista

Comentário: Pudera! Afinal, para evacuar é preciso muito papel não é verdade!!!
Alex