Declaração Cafeana

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Uma dos temas mais debatidos neste estabelecimento tem sido, como todos sabem e estão cansados de ler, a minha grande paixão pela Sétima Arte, ou melhor, o prazer inolvidável que sinto por ver um filme lá onde ele deve ser visto em primeira instância, no escurinho de uma sala devidamente equipada para o efeito. Por isso, a ida ao cinema quando me encontro fora do Mindelo - já que na minha cidade não me é dada a possibilidade de usufruir de tal prazer - é preparada com todo o cerimonial.

Desta vez não foi diferente. Desde a escolha do filme, do dia, da hora e da companhia (se for caso disso), nada é deixado ao acaso. No que diz respeito ao filme, não hesitei e escolhi para este retorno ao consumismo cinematográfico o visionamento do novo filme de Tim Burton, «Alice no País das Maravilhas»,  ainda que faltassem alguns dias para a sua estreia. Resolvi esperar. Que o regresso às salas de cinema fosse feito em grande. Além de que o tempo disponível também não abunda, pelo que a escolha teria que ser criteriosa. E no dia marcado, lá fui eu ao cinema.

Fiquei desiludido. O ambiente das grandes superfícies com dezenas de salas tira todo o encanto à coisa, o cheiro insuportável das pipocas enjoa, os óculos para ver filmes em 3D  não servem de muito a não ser ter mesmo que os usar, caso contrário vê-se o filme todo desfocado, sendo certo que o aparelho atrapalha mais do que ajuda e não sinto grandes ganhos. Depois a barulhada, os telemóveis, o cheiro das pipocas (de novo), os ruídos do sorver das coca-colas e por muito bom que o filme seja, perde-se um pouco o fio à meada. O melhor que há a fazer é ir ao cinema naquelas sessões onde ninguém mais vai, de preferência para ver um daqueles filmes tão bons que o mais provável é serem desastres de bilheteira. Porque cinema rima - tem que rimar - com sossego.



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7 comentários:

Trêza disse...

Engraçado (sem, na verdade, ter grande graça) que esta crónica podia ter sido escrita por mim e algumas pessoas que conheço (salvo no estilo próprio em que cada um codifica a sua ideia na linguagem escrita).

Enquanto o negócio (das comidas e bebidas nos cinemas) falar mais alto que o resto, os telemóveis (não apenas os que tocam por esquecimento de o desligar, mas também os que são atendidos "como se estivessem em casa") facilmente se diluem no caos.

A exibição do filme tem de ser rentável e os senhores responsáveis pouco se importam se quem paga a conta é o cinéfilo apaixonado ou o pessoal que não diferencia uma sala de cinema da sala de estar lá de casa.

A questão que fica é "A quem se destinam afinal as salas de cinema?"...

:-s

OiVive disse...

O pessoal diz que é atrevimento meu, mas não troco o Nimas, o King ou o Monumental/Saldanha e até mesmo Londres ou o Fonte Nova por nenhum outro desses parques de diversão da Lusomundo. Cinema ê na cinema, sem pipocas e sem intervalo! :-)

zito azevedo disse...

Sendo o cinema uma arte - a 7ª, segundo consta - uma sala de cinema é um local de culto. Nunca vi ninguém comer pipocas durante a missa...

Maria Nunes disse...

pois... subscrevo na íntegra esta sua crónica, JB.
e, como "OiVive", também eu faço questão de só ir a cinemas sem "comes e bebes" permitidos nas salas, o que afasta também muito desses indesejáveis que são os portadores de telemóveis ligados durante as sessões de cinema...(em Lisboa: Monumental, King; no Porto recuperaram há pouco tempo um velhinho cinema à "moda antiga" lonfge de centros comerciais e dos "comes e bebes")
mas infelizmente até desses (os dos telemóveis) encontramos no Teatros de Lisboa :-(

edmar disse...

Não me digas que não aproveitaste para ver o INVICTUS??
Imperdoável.
É o filme que todos os caboverdeanos deviam VER.Tem uma infinidade de lições e serviria para tirar muito lixo da cabeça dos meus patricios.É um filme que nos dá um a pequena amostra da grandeza do homem que é Nelson Mandela.É um filme que tenho de guardar para um dia ver com o meu filho.

Bela disse...

João, nunca bô bai oia Cinema na Eden Park?
Eden Park era Cinema mas barulhento do Mundo. Aí era o barulho de casca de mancarra. Sõdad de kel barulho

vera mendes disse...

O Fonte Nova é uma sala muito velhinha, mas continua protegida dessas coisas. Compensa mais ver um filme lá, do numa sala Lusomundo.