Romance Fragmentado

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Onde estás quando mais preciso? Será assim tão ridículo cantar o amor quando precisamos dele? O amor não se precisa, é. Resta seduzir a poesia, lembrar em Álvaro de Campos, que escreveu: todas as cartas de amor são ridículas, com mais razão escreveu que ridículas são aquelas pessoas que nunca as escreveram. Vem, meu amor. Um espaço vazio é um espaço puro pronto para ser preenchido, não é? Então vem, fica, aguarda, dá-me e dá-te, deixa resquícios de memórias que possam ser revelados em situações inesperadas com o leve sorriso das lembranças entrelaçadas. As lembranças entrelaçadas. Inesperadas. E preenche, preenche-me, volta, fica, aguarda, vem, lembra, viaja e me envia essa dávida única de quem sabe e pressente o quanto preciso de tudo, de tudo, de tudo. Mas é preciso ter calma, não é? Não vamos cair no ridículo, pois não? Mãos são mãos em qualquer lugar. Se encontram em qualquer estrada, se tocam em qualquer beco perdido, se deixam descobrir em qualquer instante. Em qualquer instante. Num beco perdido, em qualquer instante. Vem, fica, pensa, vive, vive-me.





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5 comentários:

Lily disse...

Bom mesmo, é não precisarmos de perguntar onde está, mas senti-lo sempre ao nosso lado, mesmo nas mais pequenas expressões.

Catarina Cardoso disse...

João,

Bravo! Gostei tanto, mas tanto! Fez-me tanto sentido. Adorava ter escrito isto!

zito azevedo disse...

Como rimei, dias atrás:
AH! PUDESSE EU ME AFOGAR
EM TEU CORPO FEITO MAR !
Zito

Deserto disse...

[...]Um espaço vazio é um espaço puro pronto para ser preenchido[...]
Idenditifiquei uma pessoa em meio a essas linhas...
Eu!

Tina disse...

E é ridículo termos medo do Amor, quando precisamos dele como do ar que se respira. Mas temos..

Lindo texto, JB!