Declaração Cafeana

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Depois da visita fulminante da Secretária de Estado dos Estados Unidos a Cabo Verde, este arquipélago manteve-se nas bocas do mundo por causa do rocambolesco e inusitado caso do barco Arctic Sea que, oficialmente, é apenas um navio maltês com tripulação russa que transportava madeira da Finlândia para a Argélia. Desapareceu em finais de Julho e foi descoberto perto de Cabo Verde no passado dia 16 de Agosto por um navio de guerra russo. Confuso? Não há razão para isso, conhecendo apenas a versão oficial.

É que tudo indica ser a versão oficial apenas a ponta de um longo e sinistro icebergue. Pelo que tem vindo a público nos diversos órgãos de comunicação social, nacionais e estrangeiros, de curto ou longo alcance, este caso poderá eventualmente envolver tráfico de armas, incluindo misseis de cruzeiro, terroristas, agências internacionais de espionagem, manobras de diversão envolvendo vários Estados independentes e sabe-se lá que mais. Os piratas do mar, de várias nacionalidades, dizem-se "ecologistas" e vem-se agora descobrir que, afinal, um deles está morto há mais de três anos. Ou seja, um argumentista de Hollywood não faria melhor.

Tudo isto para dizer que já estivemos mais longe de Cabo Verde poder vir a servir de palco a um futuro episódio da mais famosa saga da história do cinema, a do agente secreto James Bond. Sim, esse mesmo. Publicidade não nos tem faltado, importância geo-estratégica também não, como estes dois últimos casos citados comprovam. Bond girls é o que mais há por estas ilhas afortunadas, projectos de casinos onde se possa beber um martini (batido, não mexido) idem aspas aspas e hoje em dia até já temos estradas em paisagens deslumbrantes, as tais de terceira geração, que não envergonhariam os carros ultra-sofisticados do mais famoso agente do mundo.

Já o estou a imaginar, em pleno casino num resort qualquer na ilha da Boavista, a falar com algum crioulo, e a dizer, "nha nome é Bond. James Bond." Já faltou mais, é o mínimo que se pode dizer nos (agitados) dias de hoje.




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8 comentários:

Mário Nunes disse...

Li algures que a carga de madeira não se destinava à Argélia, mas sim ao Irão e que o cargueiro foi assaltado pela Mossad...

Trêza disse...

"nha nome é Bond. James Bond." - lindo!

:-)

Tchale Figueira disse...

Era só ver na TV de Cabo Verde os tropas daqui cheio de estrelas mais do que galaxia de Andrómeda no porto de Pedra de Lume no Sal.Não foram autorizados a entrar no barco. Aliás, segundo bocas, nem ao chefe de estado maior cavaco deram, tudo foi tratado directamente com o Ministério dos negocios estrangeiros.Isso é para verem quão é a nossa soberania. Uma cáca de mosca no univérso. Os grandes mandam e desmandam nas suas guerras de petróleo, geo estratégicos etc etc malagueta. Tropa aqui? para que?... America, Russia, China, e outros teem livre transito quando lhes der na gana. Lembrem-se da Hungria nos tempos de Stalin? Grenada nos tempos de Regan?... Tchetchenia? etc etc... Oh Zé Maria, continua com os teus discursos baratos sobre o bem que vai a nação, e, tu, Manel Veiga muda os C e os K no alupec : CIA começa com K, KGB fica na mesma e viva a basofaria de Crioulo!!!!!

Carla disse...

Se eu te disser que podes acrescentar no teu argumento que as autoridades nacionais não tiveram permissão para entrar no navio e agora suspeita-se que que (as autoridades) só souberam que os "pratas" iam ser desembarcados aqui no momento do desembarque. ficou mais interessante?

JB disse...

Mário: Mossad? Venha o James Bond!

Treza, seria interessante ouvir Bond falar crioulo...

Tchalê, muito ficou ainda por contar nessa história

Carla, muito mais!

Lily disse...

Esta história ainda terá pano para mangas...a não ser que tudo seja abafado e o que se saiba seja algo irrelevante, coisa que não me espantaria...
Essa visão do James Bond a partir do último parágrafo do seu texto... foi maravilhosa!!!

zito azevedo disse...

As novas versões dos Contos da Carochinha!
Zito Azevedo

Tina disse...

Pois é, essa história terá o final que já conhecemos: uma borracha por cima, que é o costume.

Prefiro pegar nessa ideia interessante do James Bond a fazer um filme em Cabo Verde! Afinal, o Bau já compôs "Raquel" para o filme "Habla con Ella" de Almodovar, há que tempos, né? Depois de Hillary Clinton dizer tão bem do nosso país, pouco faltará, já que esta estória do Artic Sea trouxe o condimento especial de alta espionagem...