Tertúlia dos Mentirosos 70

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Um filho da mãe acabado

- Sartre dizia que o Inferno são os outros...

- Isso é balela. Sabes o que é o Inferno, de facto? O Inferno é um lugar bom, o único Paraíso que existe é o momento imediato à saída do Inferno quando o Diabo permite ao danado ir tomar fresco lá fora. Só neste hiato ele está no Paraíso. É o momento do orgasmo, depois a mulher cheira mal, é puta e é feia. É claro que me refiro à mulher venal, as outras que me desculpem esta imagem. De facto, as mulheres, a literatura, o xadrez e o cinema são a minha sina.

- Com a atribuição do Prémio, temos agora o Arménio Camões ou o Conde continua ainda vivo?

- Não, o Conde não morreu. Agora o conde é reconhecido como Conde, agora até já tem corte! Ah, mas os reis é que costumam ter corte. Agora temos um Conde-Rei. 

- Como é que dirige a um Conde?

- O Conde é alteza, não é majestade. Agora se calhar é majestade ou o conde de todos os condes. Mas realmente eu sou conde, isso realmente é que foi o diabo: quando o meu primo foi vasculhar aqueles anais antigos, descobriu que a minha família é nobre, pelo lado materno. Portanto, não há dúvida nenhuma, sou garantidamente filho da minha mãe. Sou um filho da mãe acabado!

Excerto da entrevista de António Monteiro a Arménio Vieira, publicada no último Expresso das Ilhas.



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3 comentários:

lumadian disse...

Tem um prémio e um desafio lá no Pequeno Mundo, no local do costume. Aceite o prémio, pelo menos.

João Branco disse...

Pequeno mundo? Aceitar ou não aceitar? Há alguns equívocos neste comentário ou é impressão minha?

Tina disse...

Não li a entrevista, mas o Arménio Vieira responde à hipocrisia. O circo é inevitável mas ainda servirá de mote a mais poemas satíricos.
Afinal, ninguém esperava mais de um Ministério da Cultura que, para responder a um artista, manda publicar cópia de facturas num jornal on line...