Como eu não possuo

5 Comments


Como eu desejo a que ali vai na rua,
tão ágil, tão agreste, tão de amor...
Como eu quisera emaranhá-la nua,
bebê-la em espasmos de harmonia e cor!...

Desejo errado... Se eu a tivera um dia,
toda sem véus, a carne estilizada
sob o meu corpo arfando transbordada,
nem mesmo assim, ó ânsia!, eu a teria...

Eu vibraria só agonizante
sobre o seu corpo de êxtases dourados,
se fosse aqueles seios transtornados,
se fosse aquele sexo aglutinante...

De embate ao meu amor todo me ruo,
e vejo-me em destroço até vencendo:
é que eu teria só, sentindo e sendo
aquilo que estrebucho e não possuo.

Mário de Sá-Carneiro



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5 comentários:

Manu Moreno disse...

liiindoooo!!!!

dexam manda um palavriadu:

Lagrimás di lembrança
vóz di sodadi na murmuria
bebo de um trago
que a morte é o assocego

Stranhu dor é sólidón
é badja morna á um
é desejar sem provar
é querer, não poder

Korpu di méu
alma di kré-tchéu
nas asas de um passarinho
la se flutua o meu espirito

kel abçom di kuraçom!!!
ManuMoreno

mdsol disse...

Poizé!

:)))

Tina disse...

Quente! No tema e na sua expressão! Dá para uma pessoa reconhecer-se nestes versos pois desejamos sempre o que não possuímos....

João Branco disse...

Manu, Mdsol e Tina, obrigado pelas marcas deixadas nesta fantástica poesia.

Minhokinha disse...

Oh João, ler Sá-Carneiro pelas mãos dos outros que, como eu, se deliciam com as suas palavras, enternece-me tanto. Grande momento, grande poema e, porque não, grande imagem!

Abraços*