Declaração Cafeana

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A propósito da última declaração cafeana sobre o aventureiro inglês. levantou-se um coro indignado, não com o texto propriamente dito, mas dando conta de uma nova perspectiva do problema. O inglês é um arrogante do caraças, pensa que isto aqui é a casa da joana, ou o quintal da casa dele, e teve o correctivo que mereceu! Mai nada! Qual direitos humanos qual quê?! Ele e os coitados dos senegaleses que caíram na conversa desse ridículo Indiana Jones, foram enfiados numa cela 10 por 10, onze gajos enfiados num espaço daqueles, sem direito a qualquer contacto com o exterior, durante seis dias! Ora toma que é para aprenderes!

Volto ao mesmo, justificar o nosso mal com o mal dos outros é fácil. O Abraão escreve que está tudo normal, já que "os polícias limitaram-se a proceder aos procedimentos de rotina", é assim mesmo, de rotina! Sinceramente, nunca pensei que as nossas forças de segurança já estivessem tão evoluídas. Então é assim: trata-se mal toda a gente, não são só os pretos que vem do continente! Se os cabo-verdianos tem o mesmo tratamento, estão à espera que estes gajos, uns bandidos, tenham tratamento de luxo? Fuck off! O Edson Medina declara alto e bom som para que "não nos tentem condicionar com o facto de sermos um país de emigrantes. Aplicou-se a lei, como em qualquer país." É assim mesmo! Qual Convenção de Genebra qual quê? Está tudo maluco?

Então, é assim mesmo: olho por olho, dente por dente. Os crioulos não são maltratados lá fora? Não são colocados em celas pouco condicionadas, humilhados, expulsos, como se fossem um bando de indigentes? Então, porra, somos ou não somos PDM? Não podemos tratar os aventureiros que aqui entram de forma ilegal de outra maneira! Estamos aprender muito bem a lição, não haja dúvidas!



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14 comentários:

TΣΨ Δ|Σx disse...

Algo sempre pergunto!
Onde estão as fronteiras
Deste nosso mundo?
Eu... sem brincadeiras
erradicavas-ia num segundo...

Onde há legitimidade...
em não me deixar entrar,
em tua pseudo-herdade.

Qual linha invisível!
Qual necessidade de visto!
É estupidamente incrivel,
Que ainda usemos disto.

Não me interessa a religião,
pior a raça ou as cores,
nem se debaixo do chão,
Há petróleo ou outros valores.

Pois, cá para mim,
O mundo é redondinho,
ou seja sem fim,
A todos um bocadinho...
mas que ninguem tire pontinha...
O ke e de meu é de bossa,
e o de bossa... minha...

Alex SilFonSoares...
feit grinhassim...
se nao gostares...
endereça a mim...

teyzao@hotmail.com

Mic Dax disse...

Obrigad João para ess ironia d'boce.

Talvês é bom lembra q'tem gente na Europa q'ta luta contra abuso d'policia.

Talvês é bom lembra q'tem gente na Europa q'ta manifesta tud semana (e q'ta leva pancada) contra politica anti-imigraçon e pa ijda clandestinos.

Talvês é bom lembra q'es crê caba q'ess politica de discriminaçon e de humiliaçon permanente.

Es é pouco, es ca ta na governo (pod ser um dia, sima Obama). Pouco ca ta tchiga, ma ca significa q'es ca tem razon.

Hora di trazê modelo de la fora pa copia-l, é bom de sabê escolhê.

MM disse...

Pondo água na fervura: não me parece que seja assim. Eventualmente pode ter havido excesso de zelo e falta de comunicação. Eventualmente até podemos ter demorado a reagir. Mas daí a considerar que Cabo Verde trata mal as pessoas vai uma grande distãncia.
No quadro do desastre humanitário a que se assiste todos os anos durante a Primavera/Verão - não me esqueço da dor que senti quando há dois anos me informaram que se estimava que dos 6000 que se tinham "aventurado" apenas 500 tinham chegado às canárias e que os pescadores espanhóis quando lançavam redes encontravam corpos - custa aceitar que um aventureiro faça esta brincadeira.
Falhámos por ter caído nesta leviandade que demonstra uma absoluta falta de respeito por aquilo que se passa e que leva muitos africanos a perderem a vida.
Não se trata de aventura mas sim de sobrevivência. É um drama e cabo Verde tem feito o possível e impossível para actuar positivamente, por acolher mesmo com falta de recursos quando outros países nada fazem... não, não me parece que estejamos a copiar modelos.
Reduzir tudo isto a emigração ilegal?
Fico por aqui, o comentário já vai longo mas é uma infíma parte daquilo que eu gostaria de escrever.
Faremos como costumamos fazer o melhor que podemos... disso já demos provas sem necessitar de modelos ou lições.

Luís T disse...

Peço desculpa por meter foice em seara alheia. Como português se calhar deveria estar calado.
No entanto sempre digo - ou escrevo - que este facto teve esta dimensão "graças" ao Indiana Jones do grupo. Se apenas de pretos se tratasse, o caso morreria aí mesmo. E é isso que me revolta!
Ser mal tratado e espezinhado nos seus direitos mais elementares é prática quase corrente na Europa a qualquer cidadão de cor (negra, leia-se). Felizmente as coisas estão melhorando - muito devagar - mas ainda estão longe do aceitável.
Com base no exposto, há que denunciar toda e qualquer tipo de ameaça aos direitos, liberdades e garantias do cidadão. Independentemente da sua raça, religião, sexo, etc.

Tina disse...

Na verdade, a "ingenuidade" do aventureiro é lamentável, tanto mais tratando-se de um realizador, que deveria estar mais que informado sobre as leis deste mundo. Pode ser aventureiro sem ser marginal...
Mas, assim como não concordo com a desumanidade e humilhação a que são sujeitos os africanos que chegam às costas da Europa, também não concordo que em Cabo Verde ou qualquer local do mundo se adopte esse tipo de atitude. Acredito que não haja recursos para oferecer a todos eles alojamentos muito condignos, mas deveria haver um mínimo de razoabilidade.
Lei de Talião nesta altura da vida humana? O extremismo nunca conduziu a nada e há que continuar a lutar pelos direitos humanos.
Pena que este mundo tenha, na realidade, tantas fronteiras entre os que o habitam!

Anónimo disse...

Talvez ele estava à espera de fazer um furo mediatico para ser reconhecido. A ambição vinda do Norte é o buraco "negro". Se fossem só africanos o caso passaria incognitamente. Mais um barco e that's it! E que as donzelas neo-colonialistas não comecem à gritar como virgens selvagens! Ou porque é uma questão de côr dos olhos? De pele? De água de Colónia?

Mic, e quem não copia? Hein? Somos todos plagiadores. Uns mais que os outros. Nada se inventa tudo se transforma.

Completamente de acordo com MM:
"Faremos como costumamos fazer o melhor que podemos... disso já demos provas sem necessitar de modelos ou lições."

Boste fca dret.

moreia

Anónimo disse...

Caríssimo João,

O Abraão Vicente tem razão e de nada vale desviarmos a perspectiva. Ele não relativiza os direitos humanos. Absolutiza-os, por suposto. Tanto que não aceita que haja uns direitos humanos para ingleses e outros direitos humanos para senegaleses e o resto da “mandjacaria” (aqui estou a ironizar). O Humanismo passa pela igualdade (de direitos e deveres) e pelo princípio de não discriminação. Poderemos até discutir se as condições de detenção e de deportação (necessárias, pessoal, cada vez mais necessárias) contra ilícitos perpetrados por estrangeiros carecem de upgrade em Cabo Verde. Todos os seres humanos (não apenas ingleses e seus “afluentes”, ironizando sempre), mesmo os prevaricadores, merecem dignidade humana. E devemos todos lutar por isso. Não fazer isso é estar a jusante a Guantanamo, rama nazi que a decência contemporânea rejeita. Há que saber ler o Abraão Vicente pelas entrelinhas. Sem perder a ternura. A fraternidade deriva da igualdade…

Filinto Elísio

João Branco disse...

Escrevi no outro post:

"Claro que também ficou claro que se o destrambelhado do britânico que chegou com os restantes dez africanos não tivesse esperneado tanto, o caso seria mais ou menos abafado e poucos dariam pela situação, o que também é um péssimo sinal."

Quanto ao resto, duas coisas:

1. Defesa intransigente dos direitos humanos;
2. Não vejam fantasmas onde eles não existem (principalmente, moreia, que de vir cá tantas vezes já devia conhecer-me um bocadinho melhor)

Abraço a todos

MM disse...

Os africanos que por cá têm passado "esperneiam" e muito - lembram-se do ano passado: mostraram o rabo à TCV?! - só que ninguém lhes liga. Estou a ser injusta: a CNDH e a AJM entre outras instituições estão sempre presentes bem como alguns cidadãos que desde roupa a alimentos levam...

MM disse...

Pois! Mas os africanos que por aqui passam "esperneiam" e muito - lembram-se do ano passado quando mostraram o rabo na TCV - só que ninguém liga. Estou a ser injusta, sempre presentes estão a CNDH, a AJM e outras instituições e muitos cidadãos solidários que levam roupa e alimentos. Sem show off. Limitando-se a ser solidários.
Julgo que também tem havido restaurantes que fornecem refeições mas não tenho a certeza - não divulgaram que dão!

João Branco disse...

I rest my case, que é como quem diz, meto o rabinho entra as pernas e un bai nha kamim. Até à próxima polémica.

João Branco disse...

Não me interpretem mal, please. O que quero dizer com o comentário anterior é que li com atenção o que todos escreveram, aprendi algumas coisas importantes, e sigo crescendo com o que a vida nos ensina todos os dias. Ficarei mais atento quando casos semelhantes desses venham a acontecer, com certeza. É verdade que o destaque dado na comunicação social por este tipo foi mola impulsionadora de ter lançado este assunto para a discussão na net, e em boa hora o fiz, até porque provocou uma participação interessante e construtiva. Obrigado a todos.

David disse...

As vezes é bom descobrir que na terrinha as diferenças não são tão grandes em relação a Terra Velha...as oportunidades para os desmandos é que não são tantas!

João Branco disse...

David, bom resumo deste caso presente! :)