Romance Fragmentado 13

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Depois de um dia como todos os outros, saiu de casa, já noite feita, sem rumo certo. Não falou com ninguém - raramente falava fosse com quem fosse e portanto foi aprendendo com o tempo a arte de se tornar invisível. Não que esta capacidade de não ser visto pelos outros pudesse ser considerada como um desígnio vital da sua existência, antes pelo contrário, aquilo tudo o deixava um bocado deprimido, afinal de contas era um ser social como todos os outros e invisível, no sentido prático e concreto da palavra, ele sabia que não era - tinha espelhos em casa, embora quase não fizesse uso deles por razões mais do que óbvias. E portanto, foi neste dia igual a tantos outros, que este homem igual a tantos outros, saiu de casa sem que ninguém lhe notasse os passos ou da ocorrência desse devida conta, nem os que estavam dentro de casa e lhe eram mais próximos, quanto mais os que cá fora se encontravam e pouca ou nenhuma ligação tinham com a sua vida. Andou, sem rumo e chegou na praia. Sentou-se num dos bancos de pedra, em frente ao mar, ouvindo as ondas e vendo ao longe as luzes dos barcos, numa noite triste e sem luar. Foi então que este homem, igual a tantos outros e depois de um dia igual a tantos outros, se levantou e caminhou em direcção às ondas, sem parar nem ninguém que o impedisse. Entrou nas águas frias e continuou. Mergulhou naquela água salgada e sorriu. Encontrara, finalmente, uma forma simples de se sentir abraçado pelo mundo. Se voltou ou não, é o que menos importa.




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2 comentários:

Felina disse...

A falta que um abraço faz...

ManuMoreno disse...

Com aminha mania di Sabixom digo:lindo texto e de facil compreenxom...!!!

ManuMoreno
Kel Abxom Di Kuraxom!!!