Cafeína Comentada

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"Em nenhuma parte do mundo, mas sobretudo em C. Verde, se pode contrapôr a cultura à barriga, pois pode-se chegar ao extremo de matar aquela com um pretexto humanitário, e a história abunda de exemplos desta natureza. O homem não só vive de pão mas também de espírito. É preciso colocar as coisas nos seus devidos lugares e não dar argumentos aos bandalhos."

José Lopes - comentando o post "A Morte do Cinema"


Comentário: lá está, é isto mesmo. Continuamos com o mesmo estigma de há muitos anos atrás. É só ler o ensaio que Manuel Lopes escreveu em 1961, "Os meios pequenos e a cultura", a que já fizemos referência aqui. Não deixa de ser um pouco assustador verificar que dezenas de anos depois andamos a discutir as mesmas coisas, provocadas pelas mesmas visões tacanhas do papel da Cultura e da Arte na sociedade.



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10 comentários:

Anónimo disse...

...isso fez-me lembrar de um celebre candidato à camara do Porto(Portugal) , que fez a campanha com frases do tipo: " a cultura nâo enche a barriga de ninguém" ... infelizmente ganhou...


hiena

Tchale Figueira disse...

Todos incultos todos fodidos e contentes... Aqui não há um Gobels para sacar da pistola quando se fala de cultura... mas existem idiotas fascistas ( Sem darem Fé) a falar de encher pança?... não podemos pensar só com a bariga SEUS IDIOTAS! SOMOS UM POVO COM CABEÇA, OU SÓ TEMOS MANDIBULAS?...

Pss disse...

Pois pois. Ainda bem que se discute isso. Quer dizer, eu um inculto inveterado, digo "ainda bem”.
Acabará eventualmente essa discussão quando cultura for pão. Não acaba tão cedo porque não é linear afirmar que vamos investir na cultura pois isso é um bem da primeira necessidade.
Não acaba tão cedo a discussão porque a cultura em todo o lado e ESPECIALMENTE EM CABO VERDE tende a ser dominado por "um maltinha".
Estão a ver o que dá por dinheiro na mão de "um maltinha"?
E então num meio como o Mindelense (Cidade onde parecer é muito mais importante que ser) onde os pseudo-intelectuais de Rua de Lisboa e transversais são em maior número que pedra calçada há que pensar e PONDERAR muito bem a quem entregar o dinheiro dos contribuintes para "fazer cultura"

JB disse...

Bem, estou à-vontade para dizer isto, porque quase nunca paro na Rua de Lisboa, muito menos para polir calçada ou sujar paredes (tenho mais que fazer), pelo que gostava de ouvir da boca do ilustre comentador quem são esses tais que fazem parte dessa maltinha sanguinária e vampiresca que come tudo, comem tudo, e não deixa sobrar nada para os outros, aqueles que ainda não tem o pseudo atrás das suas designações, porque não tem chico-esperteza que chegue.

Quem são? Essa malta? Os músicos que tocam todos os fins-de-semana nos hotéis porque ninguém respeita ou põem em prática uma política de direitos de autor neste país? Os grupos de teatro que continuam a pagar para utilizar um espaço público e não tem qualquer espaço para ensaios? Os poucos artistas plásticos que conseguem viver da sua arte, apesar de não haver o mínimo esforço para a promoção do seu trabalho, como forma até de promover o país? Os escritores que tem que andar de porta em porta a pedinchar a presidentes de conselhos de administração de empresas que entendem de tudo menos de produção cultural, uns trocos para apoiar as suas edições (de autor)? Os responsáveis (esses loucos) pelos grupos de Carnaval e respectivos artistas que trabalham dia e noite para por de pé um desfile que tarde em ser valorizado?

Quem são essa maltinha? Andam por aí os nossos artistas da malta em jipes da última geração? Tem casas "de Verão" na Baía ou no Calhau? Vão passar uns dias de férias às Canárias, quando calha? Andam por aí, todos os fins de semana em grandes paródias, a gastar rios de dinheiro em whiskies e afins? Se sim, onde estão eles, esses usurpadores dos dinheiros públicos e que vivem à custa de enganarem cada qual?

Quem souber, que responda.

Ariane Morais-Abreu disse...

Que desprepozitada referência, Tchalé!! Vê-se logo os fartos a ironizar com as piores bestas humanas. Ha precisamente muitos Goebels a sacar a cultura e as artes por ai!! Disso sabem perfeitamente os que nao se conformam com a "ideologia" dominante. Heureusement que l'imbécilité ne tue pas, sinon quelle hécatombe!!

Pss disse...

Eu também estou á vontade para comentar. Aliás faço aqui o papel de advogado do diabo. (“Rua de Lisboa” referida por mim no último comentário é uma expressão que se baseia no imaginário colectivo do Mindelense e que serve para designar de onde se emana as grandes tiradas dos nossos intelectuais e quejandos, portanto não é Rua de Lisboa no sentido estrito.)
Naturalmente que na “maltinha” eu não incluiria músicos dos hotéis, artistas plásticos... Esses são os que, para já, “a maltinha” nunca fala. Muito do que estes fazem não é considerado cultura para “a maltinha”.
E voltamos à questão: o que é que se fala quando falamos da cultura cabo-verdiana? E como estruturar esse sector para que possamos ver nele um sector estratégico? Ver e fazer da cultura um sector estratégico não é algo trivial. Creio que há duas realidades: uma do discurso que a cultura é bem da primeira necessidade e que se estivéssemos a investir na cultura estaríamos melhor e outra realidade bem diferente de “trabalhadores de cultura” sem condições nenhuma que nunca conseguem ter condições para melhorar o seu trabalho.
Isso faz o ciclo da pescadinha de rabo-na-boca:
-Ah se tivéssemos melhores condições dizem os trabalhadores da cultura … isso seria muito melhor para o nós, para a cidade que vivemos, para o país.
- Mas se for demonstrado que é um sector estratégico haver metade do orçamento do estado para este sector dizem os políticos. Dizem os políticos e eu concordo. Se for demonstrado que é válido investir nisso. Se não ficamos como estamos até o dia que tivermos um "Esclarecido" capaz de dizer exactamente o que é isso de Política Cultural. Dizer e não só: FAZER ! Mantemos portanto nesse impasse infelizmente para os trabalhadores da cultura e para gáudio da maltinha.
Mas afinal quem é esse maltinha ? Não sei quem são mas que existem, existem !

JB disse...

Pss, muito mais razoável este teu último comentário que me merece apenas uma chamada de atenção: a influência da produção cultural e da aposta nesta área tem influ||encia sim no desenvolvimento económico e social de uma nação, e sim, isso está mais do que estudado. Está mais do que demonstrado. A falta de aposta numa política cultural pública sustentada e com pés e cabeça é um dos maiores escandalos dos últimos anos de Governação. E consideram a cultura um diamante, imaginem se fosse outra coisa. Os outros, que estão ali prontos para o assalto ao poder, nem piam sobre este assunto. Não deve ser importante,...

Tchale Figueira disse...

Ariana: Porquê será que voce é um poço de maldade e frustação? em termos de farto você devia ver o seu corpanzil disforme. Porque esta frustação toda? Por não ter sido reconhecida pelo BV e você ficou num complexo de Edipo triste de verdade!!!!! Vá a um discipulo de Freud e encontre Paz na sua insignificante vida. A imbecilidade não mata mas a Hecatombe é ter gente com tantas rugas no coração, e, é o seu caso.

limpe a poeira vermelha do seu mundo. Encontre Paz.... O POST DO JOÃO ERA SOBRE CULTURA E NÃO PARA VULGARIZAR RIOLA ONDE PELOS VISTOS VOCÊ É A MAIOR.

Pss disse...

E para concluir : há momentos que de facto dá orgulho ser Caboverdeano por causa da nossa cultura.
Um desses momentos é agora que estou escutando o novo disco de Jorge Humberto.
Quem é esse gajo estarão a perguntar muitos que lendo o meu comentário hão de pensar que é algum músico da MPB.
Jorge Humberto é um grande músico, de composições incriveis (candidato ao próximo painél do Café Margoso ?) que tocam a nossa alma e projectam Cabo Verde de forma única nesse mundo gobalizado.
E aqui entra a "política cultural"? Mas quem ouve falar de Jorge Humberto nos nossos medias ?
Apesar de tudo ainda os nossos medias dão pouco importância aos "nossos" preferindo o que vem de fora. É mais fácil eu sintonizar a RCV+ e ouvir um data de lixarada do que escutar um trabalho como "Ar de nha Terra" de Jorge Humberto.

Mas enfim como ele próprio diz (resignado será ?) numa das suas composições (nem tudo e rosa) "ca meste na tcheu bla blá bem perguntam que cum cre dze ..." ! Excelente disco que custa só 16 Euros.

JB disse...

Olha, estamos de acordo. Bendito Jorge Humberto!