Um Café no Inferno

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A cidade da Praia está quente, quente, quente. Um calor pesado, quase insuportável. Cinco minutos na rua transformam as roupas numa papa de tecido e suor. Esse um dos aspectos menos agradáveis da apresentação da peça "No Inferno" (outros estão relacionados com o estado e a forma de trabalhar no Auditório - dito - Nacional, mas isso são contas de outro rosário), pelo Grupo de Teatro do Centro Cultural Português - IC, no âmbito da Semana Cultural da CPLP que está a decorrer (está? onde?) na capital de Cabo Verde.

Auditório cheio, plateia atenta, entre os quais o próprio Arménio Vieira, autor do texto original e do outro grande poeta Mário Fonseca. Algumas figuras públicas, muitos amigos, gente da arte e do teatro fizeram questão de dizer presente. No final a reacção foi efusiva e generosa. Forte aplauso, elogios à peça e ao trabalho dos actores. 

Sabem que mais? Tirando as enormes dificuldades técnicas e de falta de pessoal para a montagem de peças de teatro mais exigentes, a verdade é que gosto muito de fazer teatro na Praia. Procuramos levar um trabalho de qualidade e o público tem estado presente de forma considerável e tem-nos feito sentir em casa. Essa é, afinal, também a nossa casa.

A propósito, Djinho Barbosa, um dos muitos amigos presentes, escreveu:  

"Enfim, tudo isto são alucinações? Então, palmas e muitas palmas. Que espectáculo! É o teatro.cv on air. Mais palmas!

Acordo do sonho, vejo os poetas, sim dois afinal, a assobiarem um táxi clandestino e partirem. A grande pergunta.

Para onde?"

Nós estamos de volta, cansados mas satisfeitos. Gratos pela forma calorosa como fomos recebidos. Na cidade que pesa pelo muito calor. Muito, muito, muito quente... Como no Inferno. Terá sido propositado?

Fotografia de Kizó Oliveira



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3 comentários:

Catarina disse...

Nem imaginas como me soube bem: ADOREI! Finalmente vi uma peça tua... espero não perder nunca mais nenhuma!

JB disse...

Obrigado pelas simpáticas palavras. Foi bom ver-te por lá! Beijos.

Carla disse...

Sim sim. mas continuo a perguntar porque é que o grupo não vem mais vezes. eu sei que é dificl, penso mesmo que montar uma peça na vossa ilha natal já seja dificil, imagine viajar para outras ilhas. mas acho que é esforço que vale pena, porque Praia responde á altura quando há oportunidades dessas.
Ah, amei a peça!