Declaração Cafenana

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O número 100 de qualquer coisa é quase sempre comemorado. Os 100 dias de uma Governação servem para um balanço inicial da nova legislatura; os centenários de nascimentos de grandes figuras ligadas à História, Arte ou Ciência são mote para conferências e fóruns de reflexão e sentidas viagens ao passado; aos clubes de futebol exige-se que o ano de centenário seja ano de títulos, homenagens e publicações que reflictam todos os brilhantes feitos conseguidos até à data; quando algum cabo-verdiano consegue atingir essa bela meta dos cem anos, logo tem a TCV à perna para a notícia da praxe, no meio de bisnetos, netos e filhos que nunca mais acabam; se os 25 anos são as bodas de prata, os 50 as bodas de ouro e os 75 as bodas de platina, imagine-se um casamento que chegue aos 100 anos!, não há pedra preciosa que o possa classificar; eu mesmo comemorei aqui no Café Margoso a centésima Declaração Cafeana com um texto chato e pretensioso! Enfim, não vou dar 100 exemplos mas é certo que estes são mais do que muitos.

Ora, o semanário A Nação publica hoje o seu centésimo número, o que não deixa de ser notável numa realidade como a cabo-verdiana onde praticamente ninguém lê coisa nenhuma a não ser, em casos de extrema necessidade, a lista telefónica e oxalá. E como está na moda dizer que os jornais são todos uns vendidos aos respectivos interesses partidários, vou defender este jornal que hoje dá, com o devido respeito e lamentando desde já esta metáfora de pouquíssima classe literária, o seu centésimo bufo. Isto no mesmo sentido a que se dá à frase crioula "jal dá un buf ke tita txerê", ou seja, para classificar alguma acção válida, está bem de se ver! Quero dizer que falo pela positiva. Até porque, confesso, e escrevi-o na crónica que hoje sai com o jornal, no início A Nação não me atraia lá grande coisa, achava a publicação uma grande confusão gráfica, temática e jornalística, que não merecia os cem escudos que pediam por ele.

Hoje, e sem querer dar lições de jornalismo a ninguém, porque como simples e ávido consumidor de jornais falo, não me parecem muito justas as criticas severas que por vezes leio em relação ao trabalho deste semanário. Tem melhorado a olhos vistos, principalmente em relação aos primeiros meses de vida e tem hoje quase sempre matérias interessantes e bem trabalhadas, tendo sido o primeiro, e até agora único, a dedicar uma página semanal à blogosfera cabo-verdiana. Além de que se nota um esforço para melhorar o aspecto gráfico, as manchetes e a arrumação dos temas. E – esta a parte que me interessa particularmente – tem melhorado nas páginas que dedica à cultura. Parabéns, pois, ao jornal A Nação. Que continuem a melhorar, é o meu maior desejo para o bem de todos nós.

P.S. Ao ver a primeira página do centésimo número, não deixei de achar uma certa piada à citação de primeira página do Primeiro-Ministro José Maria Neves que diz, vejam na imagem, "A Nação vai bem". Supus logo que se referia ao jornal, que comemora tão importante momento. Mas não. Afinal, a Nação que vai bem é a outra. Pois, pois.




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3 comentários:

Amílcar Tavares disse...

Gostei do post, mas como há sempre um mas, lá vem ele: estou completamente em desacordo contigo aqui: está na moda dizer que os jornais são todos uns vendidos aos respectivos interesses partidários. Moda?? Meu caro, isso é coisa séria e bem real!

PS: Confesso que nunca sei quando estás a ironizar e quando estás a falar a sério.

JB disse...

Amilcar, obrigado pelos teus comentários, sempre construtivos. Olha, não gosto de generalizações. E achei, por exemplo, o teu post sobre o assunto um bocado exagerado, quando metes tudo no mesmo saco. Vai ver quem são os cronistas de A Nação, por exemplo. É só ver e tirar conclusões. Se aquilo fosse um mero instrumento partidário, mais de metade daquelas pessoas - incluindo eu - nunca escreveria no jornal. Abraço

Amílcar Tavares disse...

@JB: Obrigado pelo louvor. No meu post sobre o assunto não mencionei os cronistas, até porque nunca os li. E mesmo que os tivesse lido, nunca os iria confrontar dessa forma porque o que escrevem são opiniões pessoais e só tenho que os respeitar.

A minha birra é com o notório enviesamento, amadorismo e manipulação, dissimuladas e entregues em forma de notícia. Reside aqui a minha indignação.